Sinodalidade é a grande novidade e também o desafio de Francisco. Entrevista especial com Peter Hünermann

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Por: João Vitor Santos | Tradução: Luís Marcos Sander | 26 Maio 2018

Desde que assumiu o trono de Pedro, Jorge Mario Bergoglio vem trabalhando para dessacralizar e retirar o tom absolutista da figura do pontífice. “A monarquia moderna, ‘pura’, isto é, absoluta, leva ao caos”, diz o teólogo Peter Hünermann, ao afirmar que Francisco tem clareza disso. Por isso, na sua opinião, o atual Papa vem trabalhando para demonstrar que o líder da Igreja não precisa estar envolto numa áurea mítica. É verdade que o Papa adota vestes e acessórios mais modestos, evita desperdícios, mas, para Hünermann, a grande marca, a novidade em Bergoglio, é a sinodalidade. Conceito que, aliás, traz do Concílio Vaticano II e que insiste em trabalhar com o episcopado. “Em sua grande alocução para o jubileu em torno da instalação do Sínodo dos Bispos em Roma em outubro de 2015, o papa Francisco tratou extensamente da sinodalidade na Igreja, mostrou seu fundamento teológico e falou da necessidade de introduzi-la em todos os níveis da Igreja”, recorda. Para o Papa, segundo Hünermann, “é impossível tratar o povo de Deus como sujeito meramente passivo a ser instruído por ministros”.

O problema é que mexer nas formas institucionalizadas gera desacomodações e, logo, resistências. “Claramente os maiores desafios com que o papa Francisco se depara: trata-se das formas de institucionalização das inovações”, avalia o teólogo na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. E adverte que “no episcopado mundial e entre os cardeais existe um pequeno grupo de bispos que defendem uma teologia semelhantemente tacanha e tradicionalista”. “Se as conferências episcopais não estiverem constituídas de forma sinodal e dotadas das respectivas competências, a Igreja atual não pode trilhar o caminho pelo qual a vontade de Deus quer guiar a Igreja hoje em dia”, acrescenta. E adverte que “o número de escândalos eclesiásticos vai continuar na Igreja se não se implementar a sinodalidade junto com suas competências de controle e decisão”.

Peter Hünermann | Foto: Correpondenza di Roma

Peter Hünermann é teólogo alemão, professor aposentado de Dogmática Católica na Universidade Eberhard Karls de Tübingen, na Alemanha. Também lecionou Dogmática na Westphalian Wilhelms, em Münster. Entre suas publicações, destacamos Kinder von Mutter Erde - angesprochen durch Gott: Wie Papst Franziskus vom Menschen spricht (Matthias-Grünewald-Verlag, 2018) e El Vaticano II como software de la Iglesia actual (Ediciones Universidad Alberto Hurtado, 2015).

Ele também é autor das obras teológicas Offenbarung Gottes in der Zeit. Prolegomena zur Christologie (Münster, 1989) e, juntamente com Bernd Jochen Hilberath, de, em cinco volumes, Herders Theologischer Kommentar zum Zweiten Vatikanischen Konzil (Freiburg, 2004/5).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como o senhor tem apreendido esses cinco anos do pontificado de Francisco? Quais temas avançaram e quais ainda não evoluíram o quanto se esperava?

Peter Hünermann – O papa Francisco deu impulsos espirituais, pastorais e teológicos substanciais e reavivou o espírito do evangelho. Isso se mostra bem claramente na atuação pública do Papa, como nos documentos publicados. Menciono apenas Evangelii Gaudium [1], Amoris Laetitia [2], Laudato Si' [3], a grande alocução por ocasião do jubileu do Sínodo dos Bispos em Roma sobre o tema da sinodalidade como caminho da Igreja no terceiro milênio [4], o texto recente sobre a santidade [5]. A isso se acrescentam decisões práticas: a nomeação do conselho de nove cardeais, a consulta ao povo de Deus sobre o Sínodo dos Bispos em Roma etc. Aconteceu muitíssima coisa, e o papel do Papa assumiu uma outra forma.

IHU On-Line – O que reside dos pontificados anteriores em Francisco? E que novidades de fato ele traz?

Peter Hünermann – O papa Francisco assumiu a “teologia pastoral” de João XXIII [6] e do Concílio Vaticano II [7]. Ele já a tinha defendido de modo muito incisivo publicamente em Aparecida [8]: “Pastoral não constitui o oposto de ‘doutrinal’, mas compreende a dimensão doutrinal, e tampouco é uma mera aplicação de um tipo prático e contingente de teologia. A própria revelação – e por isso toda a teologia – é pastoral no sentido de que ela é a palavra da salvação, palavra de Deus para a vida do mundo.” [9]

Neste sentido, para o Papa – assim como para o Concílio Vaticano II – as doutrinas teológicas transmitidas devem ser submetidas a uma avaliação crítica no respectivo contexto pastoral contemporâneo. “Ao observarmos a história, vemos que as formas religiosas do catolicismo se modificaram de modo evidente. Basta pensar, por exemplo, no Estado eclesiástico, em que o poder secular estava indissoluvelmente ligado com o poder espiritual. Isso era uma deformação do cristianismo, não correspondendo nem ao que Jesus queria e nem ao que Deus queria. Se ao longo da história a religião pode passar por mudanças tão grandes, por que não se haveria, então, de pensar que ela pode se adaptar à cultura dos tempos também no futuro?” [10]

IHU On-Line – Quais as fragilidades dessa sua teologia?

Peter Hünermann – No tocante aos pontos fracos de sua “teologia pastoral” – isto é, de sua atividade doutrinal e sua “política eclesiástica” ou prática de direção da Igreja –, sente-se falta da necessária “consolidação institucional” de suas iniciativas. Existem muitos exemplos disso:

a) O Conselho dos oito cardeais tem, juridicamente, a forma de uma comissão ad hoc. Sua tarefa e função foram esboçadas à mão pelo papa Francisco em um bloco de anotações. Será que, do ponto de vista do direito eclesiástico, uma decisão importante é “institucionalizada” dessa maneira? Já durante o pontificado de João Paulo II [11], e mais concretamente ainda no pontificado de Bento XVI [12], todo observador via claramente que o Papa não pode dirigir a administração do Vaticano sem um Consistório permanente – o paralelo histórico ao Santo Sínodo dos patriarcas orientais. A monarquia moderna, “pura”, isto é, absoluta, leva ao caos.

b) Em Amoris Laetitia, o papa Francisco apresentou uma visão da compreensão sacramental do matrimônio apoiada no Vaticano II e, assim, corrigida em termos teológicos e pastorais. Essa não é mais a visão de Pio XI [13], Pio XII [14] e Paulo VI [15], que se ativeram todos à Casti Connubii [16] e à doutrina lá proposta. João Paulo I [17] só trouxe um pequeno aprofundamento em Familiaris Consortio [18], mas, assim como Bento XVI, ateve-se a um conceito natural de matrimônio que é, a rigor, fundamentalista, por ser a-histórico. Com isso, o cerne de Casti Connubii ficou intocado. Esta encíclica nega todo desenvolvimento sociocultural e a história do matrimônio. As afirmações do Antigo Testamento sobre a poligamia não são levadas a sério, e as diversas passagens neotestamentárias são niveladas. Essa compreensão marca as afirmações do CIC - Código de Direito Canônico [19], de 1983 [20]. Neste ponto seria preciso mudar as afirmações do CIC.

IHU On-Line – Quais os desafios do pontificado?

Peter Hünermann – Os exemplos acima aduzidos na área doutrinal e jurídico-prática mostram claramente os maiores desafios com que o papa Francisco se depara: trata-se das formas de institucionalização das inovações. Que no episcopado mundial e entre os cardeais existe um pequeno grupo de bispos que defendem uma teologia semelhantemente tacanha e tradicionalista como a do arcebispo condenado Lefebvre [21] é um fato com o qual o papa Francisco tem de contar.

IHU On-Line – Qual o papel de Joseph Ratzinger nos processos de reforma da Igreja Católica do século XX? E em que medida esse seu papel incide sobre o pontificado de Francisco?

Peter Hünermann – No tocante à recepção do Concílio Vaticano II, Joseph Ratzinger está alinhado com Paulo VI e João Paulo II. Todos eles são de opinião que o Vaticano II complementa a tradição doutrinária do Segundo Milênio, de modo que o antigo e o novo coexistem. Isso se manifesta claramente – para Paulo VI – no Credo do povo de Deus [22]. Ele foi esboçado por Maritain [23] a pedido de Paulo VI e revisado pelo próprio Papa. Também deveria ampliar a Professio fidei [24] que estava em vigor e fora enriquecida por acréscimos do Vaticano I [25]. Entretanto, esse credo não é recebido.

Por ocasião da abertura do grande Sínodo de Cracóvia para a implementação do Concílio em 1972, Karol Wojtyla declara expressamente que “o Concílio não se ocupou com todo o conteúdo de nossa fé e não reuniu todas as verdades e as formulou em um credo. Isso só aconteceu depois do Concílio por parte de Paulo VI, que, em 30 de junho de 1968, proclamou o Credo do povo de Deus fazendo explicitamente referência ao magistério conciliar. Esse credo mostra claramente que a doutrina do Concílio Vaticano II, concentrada na realidade da Igreja, deve ser inserida de modo orgânico em toda a herança da fé e, consequentemente, na doutrina de todos os concílios precedentes e ensinamentos papais”. [26] Essa hermenêutica também determina a ação magisterial e político-eclesiástica do Papa polonês.

Em muitas de suas decisões político-eclesiásticas e textos magisteriais, Bento XVI corroborou essa forma “aditiva” de lidar com a tradição doutrinal do Segundo Milênio e os novos enunciados do Vaticano II. Basta pensar na maneira como ele lidou com a Fraternidade de São Pio [27] e na coexistência de dois ritos litúrgicos na Igreja latina.

Dimensão trágica

Existe uma dimensão trágica profunda no fato de que, até o fim de seu pontificado, Bento XVI não percebeu como o Concílio Vaticano II fez resplandecer de maneira nova o mistério de Cristo, a origem instituidora da Igreja. Como? Pela forma como leu o Antigo e o Novo Testamentos e incluiu a teologia do 1º e do 2º Milênios em suas reflexões críticas. Com isso, o Concílio introduziu uma reflexão moderna e, ao mesmo tempo, autêntica da fé [28].

Não há necessidade de comentar que esse legado representa uma dificuldade para o papa Francisco, assim como o grande esforço que Francisco faz para destacar constantemente textos de João Paulo II e Bento XVI em sua importância e seu significado. Ele atribui grande valor à demonstração da continuidade no marco da visão geral modificada. Por outro lado, causou uma impressão estranha na Alemanha o fato de que, no réquiem pontifical na catedral de Colônia por ocasião da morte do Cardeal Meisner [29] – após a leitura da carta de condolências do papa Francisco por parte do núncio – o Sr. Arcebispo Gänswein [30] leu em voz alta uma carta de Bento XVI [31]. Essa carta foi vivamente aplaudida por muitos dos dignitários de postura tradicionalista presentes, como, p. ex., o ex-bispo de Limburg, Tebartz van Elst [32].

IHU On-Line – Quais os maiores desafios de Francisco no que diz respeito à Cúria Romana? E como compreender as resistências ao pontífice dentro da Cúria e no episcopado de diversos lugares do mundo?

Peter Hünermann – Em sua grande alocução para o jubileu em torno da instalação do Sínodo dos Bispos em Roma em outubro de 2015 [33], o papa Francisco tratou extensamente da sinodalidade na Igreja, mostrou seu fundamento teológico e falou da necessidade de introduzi-la em todos os níveis da Igreja. Segundo ele, é impossível tratar o povo de Deus, que foi distinguido pelo Espírito Santo com o sensus fidei, que não se engana, e tem parte na missão profética de Jesus Cristo, como sujeito meramente passivo a ser instruído por ministros.

Nesse sentido, o Papa faz referência especial às conferências episcopais. Em seu peso prático, elas substituíram as antigas províncias eclesiásticas dirigidas por seu respectivo arcebispo. Se as conferências episcopais não estiverem constituídas de forma sinodal e dotadas das respectivas competências, a Igreja atual não pode trilhar o caminho pelo qual a vontade de Deus quer guiar a Igreja hoje em dia. Este é um claro ponto programático do Papa para seu pontificado, e eu vejo nisso uma forma bem fundamental de realização do Concílio Vaticano II. Permito-me apontar que o número de escândalos eclesiásticos vai continuar na Igreja se não se implementar a sinodalidade junto com suas competências de controle e decisão.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Peter Hünermann – Oro que o papa Francisco tenha colaboradores realmente competentes e dotados de lealdade e perspicácia crítica e que ele próprio ainda possa atuar de modo abençoado durante alguns anos para fazer com que as iniciativas de seu pontificado amadureçam de maneira adequada.

Notas:

[1] Evangelii Gaudium: a exortação apostólica Evangelii Gaudium, publicada no dia 24 de novembro de 2013, é o documento que orienta o programa do pontificado do Papa Francisco. O tema principal é o anúncio missionário do Evangelho e sua relação com a alegria cristã. Fala também sobre a paz, a homilética, a justiça social, a família, o respeito pela criação (ecologia), o ecumenismo e o diálogo inter-religioso, e o papel das mulheres na Igreja. Também critica o consumo da sociedade capitalista, e insiste que os principais destinatários da mensagem cristã são os pobres. Acusa também o atual sistema econômico de ser injusto, baseado na tirania do mercado, a especulação financeira, a corrupção generalizada e a evasão fiscal. Evangelii Gaudium. A alegria do Evangelho. Sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual é publicada, no Brasil, pelas Editoras Paulus e Loyola (São Paulo, 2013). (Nota da IHU On-Line)

[2] Amoris Laetitia (a "Alegria do Amor"): é uma exortação apostólica do Papa Francisco, publicada em 8 de abril de 2016. Possui nove capítulos e tem como base os resultados de dois Sínodos dos Bispos sobre a Família ocorridos em 2014 e 2015. A exortação merece destaque devido à possibilidade concedida a divorciados que estão em segunda união de receber a comunhão, serem padrinhos e ensinarem a catequese da Igreja Católica. Não se trata de uma regra geral, mas da possibilidade da permissão a critério dos respectivos confessores. Para saber mais sobre o documento, acesse a edição número 483 da IHU On-Line, intitulada Amoris Laetitia e a ‘ética do possível’. Limites e possibilidades de um documento sobre ‘a família’, hoje. (Nota da IHU On-Line)

[3] Laudato Si' (português: Louvado sejas; subtítulo: "Sobre o Cuidado da Casa Comum"): encíclica do Papa Francisco, na qual critica o consumismo e desenvolvimento irresponsável e faz um apelo à mudança e à unificação global das ações para combater a degradação ambiental e as alterações climáticas. Publicada oficialmente em 18 de junho de 2015, mediante grande interesse das comunidades religiosas, ambientais e científicas internacionais, dos líderes empresariais e dos meios de comunicação social, o documento é a segunda encíclica publicada por Francisco. A primeira foi Lumen fidei em 2013. No entanto, Lumen fidei é na sua maioria um trabalho de Bento XVI. Por isso Laudato Sí’ é vista como a primeira encíclica inteiramente da responsabilidade de Francisco. A revista IHU On-Line publicou uma edição em que debate a Encíclica. (Nota da IHU On-Line)

[4] Acesse a íntegra do discurso aqui. O IHU, na seção Notícias do Dia, em seu sítio, também publicou inúmeras análises sobre o texto. Entre eles Papa Francisco, o sínodo e a herança do Vaticano II. Artigo de Massimo Faggioli; e entrevistas, como Sínodo Extraordinário sobre a Família: a busca de uma resposta a partir da ética do discurso. Entrevista especial com Sérgio Coutinho. (Nota da IHU On-Line)

[5] Gaudete et exsultate (Alegrai-vos e exultai!, de Mateus 5,12): é a terceira Exortação Apostólica do papa Francisco, datada de 19 de março de 2018, Solenidade de São José, e publicada em 9 de abril de 2018, "Sobre o chamado à santidade no mundo de hoje", com foco em encorajar a santidade na vida cotidiana. O documento está organizado em cinco capítulos: sobre o chamado à santidade; nas heresias do gnosticismo e do pelagianismo, descritas como "falsas formas de santidade"; nas bem-aventuranças e na santidade do Evangelho; em cinco sinais de santidade no mundo moderno e no combate espiritual contra o Diabo e discernimento. Gaudete et exsultate segue as exortações apostólicas anteriores do papa Francisco, Evangelii Gaudium e Amoris Laetitia. Ao contrário de seus predecessores, tem um comprimento menor, com 48 páginas. O IHU, na seção Notícias do Dia, em seu sítio, publicou uma série de textos que analisam a exortação. Entre eles A santidade no mundo atual: breve reflexão sobre a Exortação Apostólica Gaudete Et Exsultate; e Exortação ''Gaudete et exsultate'': o diabo versus a classe média da santidade. Artigo de Massimo Faggioli. (Nota da IHU On-Line)

[6] Papa João XXIII (1881-1963): nascido Angelo Giuseppe Roncalli. Foi Papa de 28-10-1958 até a data da sua morte. Considerado um papa de transição, depois do longo pontificado de Pio XII, convocou o Concílio Vaticano II. Conhecido como o "Papa Bom", João XXIII foi canonizado em 2013 pelo papa Francisco. (Nota da IHU On-Line)

[7] Concílio Vaticano II: convocado no dia 11-11-1962 pelo papa João XXIII. Ocorreram quatro sessões, uma em cada ano. Seu encerramento deu-se a 8-12-1965, pelo papa Paulo VI. A revisão proposta por este Concílio estava centrada na visão da Igreja como uma congregação de fé, substituindo a concepção hierárquica do Concílio anterior, que declarara a infalibilidade papal. As transformações que introduziu foram no sentido da democratização dos ritos, como a missa rezada em vernáculo, aproximando a Igreja dos fiéis dos diferentes países. Este Concílio encontrou resistência dos setores conservadores da Igreja, defensores da hierarquia e do dogma estrito, e seus frutos foram, aos poucos, esvaziados, retornando a Igreja à estrutura rígida preconizada pelo Concílio Vaticano I. A revista IHU On-Line publicou na edição 297 o tema de capa Karl Rahner e a ruptura do Vaticano II, de 15-6-2009, bem como a edição 401, de 3-9-2012, intitulada Concílio Vaticano II. 50 anos depois, e a edição 425, de 1-7-2013, intitulada O Concílio Vaticano II como evento dialógico. Um olhar a partir de Mikhail Bakhtin e seu Círculo. Em 2015, o Instituto Humanitas Unisinos - IHU promoveu o colóquio O Concílio Vaticano II: 50 anos depois. A Igreja no contexto das transformações tecnocientíficas e socioculturais da contemporaneidade. As repercussões do evento podem ser conferidas na revista IHU On-Line 466, de 1-6-2015. (Nota da IHU On-Line)

[8] V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe: aconteceu de 13 a 31 de maio, em Aparecida, São Paulo. Sobre o tema, confira a edição 224 da revista IHU On-Line, de 20-6-2007, intitulada Os rumos da Igreja na América Latina a partir de Aparecida. Uma análise do Documento Final da V Conferência, disponível aqui. (Nota da IHU On-Line)

[9] BERGOGLIO, Francesco. Solo l’amore ci puó salvare. Cittá del Vaticano: Libreria Editicre Vaticana, 2013, p. 144s. (Nota do entrevistado)

[10] BERGOGLIO; SKORKA, Il cielo e la terra. Milano, 2013, p. 170. (Nota do entrevistado)

[11] Papa João Paulo II (1920-2005): Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana e soberano da Cidade do Vaticano de 16 de outubro de 1978 até sua morte. Teve o terceiro maior pontificado documentado da história, reinando por 26 anos, depois dos papas São Pedro, que reinou por cerca de trinta e sete anos, e Pio IX, que reinou por trinta e um anos. Foi o único Papa eslavo e polaco até a sua morte, e o primeiro Papa não italiano desde o neerlandês Papa Adriano VI em 1522. João Paulo II foi aclamado como um dos líderes mais influentes do século XX. Com um pontificado de perfil conservador e centralizador, teve papel fundamental para o fim do comunismo na Polônia e talvez em toda a Europa, bem como significante na melhora das relações da Igreja Católica com o judaísmo, Islã, Igreja Ortodoxa, religiões orientais e a Comunhão Anglicana. (Nota da IHU On-Line)

[12] Bento XVI, nascido Joseph Aloisius Ratzinger (1927): foi papa da Igreja Católica e bispo de Roma de 19 de abril de 2005 a 28 de fevereiro de 2013, quando oficializou sua abdicação. Desde sua renúncia é Papa emérito. Foi eleito, no conclave de 2005, o 265º Papa, com a idade de 78 anos e três dias, sendo o sucessor de João Paulo II e sendo sucedido por Francisco. (Nota da IHU On-Line)

[13] Papa Pio XI (1857-1939): nascido Ambrogio Damiano Achille Ratti, foi Papa entre 6 de fevereiro de 1922 e a data da sua morte. (Nota da IHU On-Line)

[14] Papa Pio XII (1876-1958): nascido Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli foi eleito Papa no dia 2 de março de 1939. (Nota da IHU On-Line)

[15] Papa Paulo VI: nascido Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, Paulo VI foi o Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica de 21 de junho de 1963 até 1978, ano de sua morte. Sucedeu ao Papa João XXIII, que convocou o Concílio Vaticano II, e decidiu continuar os trabalhos do predecessor. Promoveu melhorias nas relações ecumênicas com os Ortodoxos, Anglicanos e Protestantes, o que resultou em diversos encontros e acordos históricos. (Nota da IHU On-Line)

[16] Casti Connubii: encíclica promulgada pelo Papa Pio XI em 31 de dezembro de 1930. Reitera a santidade do matrimônio e proíbe aos católicos o uso de qualquer forma artificial de controle de natalidade e reafirma a proibição do aborto. Explana ainda sobre a autoridade da doutrina da Igreja em questões morais e advoga a cooperação entre o poder civil e a Igreja. (Nota da IHU On-Line)

[17] João Paulo I (1912-1978): nascido Albino Luciani, foi Papa da Igreja Católica por um mês, entre 26 de agosto de 1978 até a data da sua morte. Ficou conhecido como o "Papa Sorriso". (Nota da IHU On-Line)

[18] Familiaris consortio: Exortação Apostólica, do Papa João Paulo II, de 22 de novembro de 1981, "sobre a função da família cristã no mundo de hoje". O documento foi editado após a realização do Sínodo dos Bispos celebrado em Roma de 26 de setembro a 25 de outubro de 1980. (Nota da IHU On-Line)

[19] O tema foi abordado na conferência Amoris Laetitia e suas implicações para o Direito Canônico, do
Prof. Dr. Jesus Hortal – PUC-Rio, dentro da programação do XVIII Simpósio Internacional IHU - A virada profética de Francisco - Possibilidades e limites para o futuro da Igreja no mundo contemporâneo. Acesse à integra da conferência aqui. (Nota da IHU On-Line)

[20] Cf. ZAPP, Hartmut. Eheeinheit. In: Lexikon für Kirchen- und Staaskirchenrecht, Paderborn, 2000, v. 1, p. 503-505. (Nota do entrevistado)

[21] Marcel Lefebvre: francês, foi arcebispo na África e liderou, durante o Concílio Vaticano II, juntamente com os bispos brasileiros Geraldo Sigaud e Antonio de Castro Mayer, o Coetus Internationalis Patrum que reunia o grupo mais conservador da Igreja. Marcel Lefebvre nunca aceitou o Concílio Vaticano e fundou a Fraternidade Pio X que rompeu com a Igreja Católica. Tanto João Paulo II quanto Bento XVI negociam com a Fraternidade o fim do cisma. (Nota da IHU On-Line)

[22] Cf. HÜNERMANN, Peter. Das II. Vatikanum als Konzil einer neuen Epoche. HK, v. 67, p. 560-565, 2013. (Nota do entrevistado)

[23] Jacques Maritain (1882-1973): filósofo francês. O pensamento tomista de Maritain serviu-lhe de parâmetro para a abordagem e julgamento de situações concretas como a política, a educação, a arte e a religião vigentes. Mas tratou também da base da gnosiologia, decidindo-se pelo realismo imediato e intuição do ser, tal como no aristotelismo e na escolástica originária. Diferenciou a filosofia e a ciência experimental, bem como as diversas ciências filosóficas. Advertiu para a diferença entre o tema da lógica e o da gnosiologia. Foi um dos principais expoentes do tomismo no século XX. Uma de suas obras principais é Por um humanismo cristão (São Paulo: Paulus, 1999). Sobre Maritain, confira o recém-lançado Maritain à contre-temps: Pour une démocratie vivante (Paris: Desclée de Brouwer, 2007), do filósofo jesuíta Paul Valadier. (Nota da IHU On-Line)

[24] Professio fidei: documento magisterial que trata da profissão de fé da Igreja Católica Apostólica Romana. Nele, é detalhado todo o ritual de profissão de fé. A Igreja Católica exige que as pessoas façam uma profissão pessoal de fé de acordo com uma fórmula prescrita, quando assumem certos cargos no seu serviço ou quando se tornam católicos. (Nota da IHU On-Line)

[25] Concílio Ecumênico Vaticano I: foi o vigésimo conselho ecumênico, ou reunião de todos os bispos católicos do mundo, para discutir assuntos relativos à vida da Igreja Católica. A abertura do Concílio Vaticano foi oficialmente anunciada pelo Papa Pio IX em junho de 1868, mas as sessões foram interrompidas dois anos depois, em julho de 1870, devido à eclosão da guerra franco-prussiana em 19 de julho de 1870. Foi realizado na Basílica de São Pedro, no Vaticano, em Roma. No decorrer da obra, foram estabelecidos os seguintes: o dogma da infalibilidade do ensinamento do Papa em questões de fé e moral (quando este magistério respeita certas condições); e o dogma do conhecimento de Deus com a única razão: "A Santa Igreja, nossa Mãe, sustenta e ensina que Deus, o começo e o fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana a partir das coisas criadas." [Concílio Vaticano I: Denz. -Schönm. 3004; cf 3026; Conc. Ecum. Vat. II, Dei verbum]. Sem essa capacidade, o homem não poderia aceitar a revelação de Deus, pois ele é criado "à imagem de Deus". CCC, 36. (Nota da IHU On-Line)

[26] Cit. ap. LECOMTE, Bernard. Giovanni Paolo II. Roma: Biblioteca di Repubblica, 2005, p. 207s. (Nota do entrevistado)

[27] Fraternidade Sacerdotal São Pio X: é uma sociedade de vida apostólica internacional católica tradicionalista, fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. O atual superior geral da sociedade é o bispo suíço Bernard Fellay. A Fraternidade é conhecida como a maior sociedade apostólica crítica do Concílio Vaticano II e defensora da Missa Tridentina, juntamente com práticas de piedade, crenças, costumes e da disciplina religiosa associada com o período anterior ao do Concílio, que a sociedade acredita ter promovido ensinamentos errôneos e heréticos sobre questões como a revisão litúrgica, o ecumenismo, a liberdade religiosa, a definição de Tradição dada pelo Vaticano II, e a relação da Igreja Católica com as outras religiões. O papa Bento XVI declarou que a FSSPX não tem status canônico regular na Igreja Católica. No entanto, o superior geral da sociedade, Dom Bernard Fellay, sustenta que o ministério eclesial dos sacerdotes da Sociedade é legítimo, sendo justificado como estado de necessidade assim como as sagrações feitas por Mons. Lefebvre na crise atual do catolicismo, conhecida como crise Pós-Conciliar. (Nota da IHU On-Line)

[28] Como confirmação dessa afirmação remeto ao último grande ato oficial de Bento XVI: a conferência de despedida de 14 de fevereiro de 2013 sob o título “O Concílio Vaticano II, tal como eu o vi”. Bento encerra seu relato como testemunha daquela época com as seguintes palavras: “[...] havia o Concílio dos Padres – o verdadeiro Concílio – mas havia também o Concílio dos meios de comunicação, que era quase um Concílio à parte. E o mundo captou o Concílio através deles, através dos mass-media. Portanto o Concílio, que chegou de forma imediata e eficiente ao povo, foi o dos meios de comunicação, não o dos Padres. E enquanto o Concílio dos Padres se realizava no âmbito da fé, era um Concílio da fé que faz apelo ao intellectus, que procura compreender-se e procura entender os sinais de Deus naquele momento, que procura responder ao desafio de Deus naquele momento e encontrar, na Palavra de Deus, a palavra para o presente e o futuro, enquanto todo o Concílio – como disse – se movia no âmbito da fé, como fides quaerens intellectum, o Concílio dos jornalistas, naturalmente, não se realizou no âmbito da fé, mas dentro das categorias dos meios de comunicação atuais, isto é, fora da fé, com uma hermenêutica diferente. Era uma hermenêutica política: para os mass-media, o Concílio era uma luta política, uma luta de poder entre diversas correntes da Igreja. [...] Sabemos como este Concílio dos meios de comunicação era acessível a todos. Por isso, acabou por ser o predominante, o mais eficiente, tendo criado tantas calamidades, tantos problemas, realmente tanta miséria: seminários fechados, conventos fechados, liturgia banalizada... enquanto o verdadeiro Concílio teve dificuldade em se concretizar, em ser levado à realidade; o Concílio virtual era mais forte que o Concílio real” (cit. ap. aqui). (Nota do entrevistado)

[29] Joachim Meisner (1933-2017): foi um cardeal alemão e Arcebispo emérito de Colônia. Foi membro dos seguintes dicastérios da Cúria Romana: Congregação para os Bispos, Congregação para o Clero, Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos; do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, da Prefeitura para os Assuntos Econômicos da Santa Sé e do Conselho de Cardeais para o estudo de problemas organizativos e econômicos da Santa Sé. No dia 18 de setembro de 2012 foi nomeado pelo Papa Bento XVI como Padre Sinodal da 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos a se realizar no Vaticano de 7 a 28 de outubro de 2012. No dia 28 de fevereiro de 2014 teve sua renúncia ao governo da Arquidiocese de Colônia aceita pelo papa Francisco. (Nota da IHU On-Line)

[30] Georg Gänswein (1956): arcebispo alemão da Igreja Católica Apostólica Romana e Prefeito da Casa Pontifícia. No ano 2000 o papa João Paulo II lhe concedeu o título de Monsenhor, como Capelão de Sua Santidade. No dia 7 de dezembro de 2012 foi nomeado pelo papa Bento XVI como Prefeito da Casa Pontifícia, elevando-o a dignidade de Arcebispo com a sede titular de Urbisaglia. Em 6 de janeiro de 2013, Solenidade da Epifania do Senhor o papa Bento XVI ordenou Dom Georg e mais três Arcebispos: Dom Angelo Zani, Secretário da Congregação para a Educação Cristã; Dom Fortunatus Nwachukwu, Núncio Apostólico na Nicarágua e Dom Nicolas Henry, Núncio Apostólico na Guatemala.(Nota da IHU On-Line)

[31] Sobre a carta, o IHU, na sua seção Notícias do Dia, publicou o texto “Com a certeza de que o Senhor não abandona a sua Igreja”. Mensagem de Bento XVI por ocasião da morte do cardeal Meismer. (Nota da IHU On-Line)

[32] Franz-Peter Tebartz-van Elst (1959): bispo alemão católico romano e teólogo pastoral. De 1990 a 1996 ele foi Domvikar, de 2003 a 2007 ele foi Bispo Auxiliar em Münster. De 2008 a 2014 ele foi Bispo de Limburgo. No outono de 2013, ele foi criticado por causa do aumento significativo dos custos de construção para o centro diocesano de São Nicolau na diocese e em todo o país. Em 23 de outubro de 2013, a Santa Sé liberou o bispo de seus deveres. A Conferência dos Bispos da Alemanha observou, até março de 2014, uma corresponsabilidade do bispo pelo aumento dos custos de construção e erros processuais. Em 26 de março de 2014, o papa Francisco aceitou sua oferta de 20 de outubro de 2013 para renunciar ao cargo. Desde dezembro de 2014 é Delegado Apostólico no Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, responsável pela catequese. O IHU, na seção Notícias do Dia de seu sítio, publicou diversos textos sobre o bispo alemão. Entre eles Diocese alemã quer responsabilizar bispo por excessos de gastos; e Papa aceita demissão do "bispo do luxo". Leia mais aqui. (Nota da IHU On-Line)

[33] Confira a íntegra do discurso aqui. (Nota da IHU On-Line)

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Sinodalidade é a grande novidade e também o desafio de Francisco. Entrevista especial com Peter Hünermann - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

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