A Igreja sinodal do Papa Francisco é uma escolha política

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01 Março 2019

Poucos dias após o encerramento da cúpula extraordinária contra a pedofilia no Vaticano, uma reflexão do historiador italiano, Massimo Faggioli, professor da Villanova University, nos EUA, sobre a visão do futuro da Igreja expressa por Jorge Mario Bergoglio. O artigo é publicado por Famiglia Cristiana, 28-02-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo. 

A palavra que sintetiza a proposta do Papa Francisco para a Igreja e a sociedade na crise da globalização é sinodalidade. Em um momento em que a dinâmica política no Ocidente encontra-se diante da aparente e falsa alternativa entre os apelos ao povo, de um lado, e a defesa do status quo com todas as suas injustiças e desigualdades sociais e econômicas, pelo outro lado, a Igreja Católica tentar escapar desse beco sem saída com uma proposta que é teológica, mas também "política" no sentido mais elevado. Em uma concepção da igreja onde as pessoas estão no centro, a sinodalidade expressa uma ideia da comunidade eclesial, mas também humana, que é baseada em determinados valores não estranhos ao pensamento político moderno: a igualdade, mas, principalmente, a fraternidade - a promessa fracassada da Revolução Francesa.

Típico da visão da Igreja e de sociedade do Papa Francisco é a rejeição de todos os elitismos e particularismos. Mas a sinodalidade precisa de formas concretas de elaboração, formação, e expressão da participação na vida da comunidade - formas que hoje têm dificuldade para se concretizar. É um dos paradoxos do pontificado de Francisco. Nos últimos seis anos, a Igreja Católica tem vivenciado os seus momentos mais intensos e decisivas para o próprio futuro nos Sínodos dos Bispos convocados pelo papa Bergoglio: em 2014-2015 sobre o casamento e a família, em 2018, sobre os jovens e, em 2019, sobre a Amazônia. Mas também foram de natureza sinodal outros momentos, como a reunião extraordinária dos presidentes das conferências episcopais no Vaticano para a crise dos abusos sexuais na Igreja de 21-24 de fevereiro.

Ao mesmo tempo, os repetidos apelos de Francisco para as igrejas locais para abrir novas vias rumo a uma igreja sinodal, encontraram poucos bispos e conferências episcopais prontos a aceitar o desafio. Isso foi feito, notável exceção, pela igreja católica na Austrália, que desde o ano passado está envolvida na preparação de um concílio plenário (nacional), que será celebrado entre 2020 e 2021. Em outras igrejas, como a alemã, os mecanismos da vida sinodal são desde sempre mais fortes do que em outros lugares. Quanto à Itália, faz algumas semanas que se discute a hipótese de um sínodo nacional: com um atraso considerável, seis anos após o início do pontificado sob a insígnia da sinodalidade.

É como se a tradição da igreja semper reformanda - sempre necessitada de reforma – tivesse se emperrado no nível do reformismo, que é uma categoria política e não teológica, e muito menos espiritual. O problema não é, como foi durante os pontificados de João Paulo II e Bento XVI, a oposição ou o ceticismo do Vaticano, que hoje, com seus órgãos de elaboração intelectual – dos jesuítas da Civiltà Cattolica ao L'Osservatore Romano - não teme patrocinar a proposta. O problema é uma igreja que tem dificuldade para se reconectar à última temporada sinodal em nível nacional, a dos anos 1970, sob Paulo VI e na esteira do Vaticano II. Um sínodo seria a mais alta resposta possível da igreja à crise política e moral que atravessa a Itália. Mas também significaria retomar nas mãos um fio rompido, aquele dos momentos mais generosos da história dos católicos italianos para o seu próprio país.

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