Os três C do Sínodo, segundo cardeal Pedro Barreto: 'conversão, convicção e compromisso'

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07 Novembro 2019

O terceiro dia do 50º aniversário do Secretariado Jesuíta para a Justiça Social e a Ecologia focou no cuidado da casa comum e nas novas formas de colaboração dentro da Companhia de Jesus e com os outros.

O cardeal Pedro Barreto, S.J., arcebispo de Huancayo, vice-presidente da Conferência Episcopal Peruana e vice-presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), resumiu o sínodo em três palavras: conversão (conversão à espiritualidade de ouvir a Deus, a outros, ao invisível), convicção (ainda mais forte no final da assembleia) e compromisso (compromisso de servir a Cristo e amar e servir aos outros com o cuidado de nosso lar comum).

A reportagem é publicada por Jesuítas, 06-11-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Em fevereiro passado, depois de dois anos de discernimento comunitário, o superior geral, padre Arturo Sosa, S.J., indicou quatro preferências apostólicas universais que guiarão a Companhia de Jesus na próxima década: mostrar o caminho para Deus (primeiro), caminhar junto aos excluídos (segundo), acompanhar os jovens em seu caminho (terceiro) e cuidar da casa comum (quarto).

Depois de abordar os temas dos últimos dias, a sessão de hoje pela manhã, moderada pelo padre Prem Xalxo, S.J., da Pontifícia Universidade Gregoriana, começou com uma mesa-redonda centrada em questões ecológicas.

Ecologia e economia, interconectadas

Sunita Narain, ativista indiana, escritora e diretora de Down to Earth, destacou o ponto de vista dos países em desenvolvimento e dos países pobres sobre as questões ambientais, dando ênfase ao vínculo entre a globalização econômica e a globalização ecológica.

Hoje, disse, há uma “falta de cooperação”, porém os dois temas, ecológico e econômico, “estão cada vez mais interconectados” e pesam particularmente sobre os pobres. Três, em particular, são os pontos indicados por Sunita Narain em que é necessário se comprometer: “os ricos devem cooperar com os pobres”, disse a ativista indiana, destacando que, por exemplo, em sua cidade, Nova Délhi, paradoxalmente, o ar contaminado exerce um papel de “igualdade”, porque “ricos e pobres, quando se trata do mesmo ar, estão interligados, não há maneira de que os ricos mudem o ar se não mudarem o sistema de mobilidade urbana para todos, se a energia verde não for utilizada por todos”.

Em segundo lugar, inclusive os ambientalistas ocidentais deveriam escutar e tomar o ponto de vista dos pobres para entender o que está em jogo, é “o ambientalismo dos pobres que nos obrigará a mudar”.

Finalmente, há uma “questão democrática” e os pobres também devem ter “controle sobre as decisões”: “Não podemos plantar árvores se não damos aos pobres os seus direitos”, disse Sunita Narain: “Ghandi falou de democracia participativa, em contraposição à democracia representativa, e devemos falar disso hoje”.

Francisco, como Arrupe

O cardeal Pedro Barreto, S.J., arcebispo de Huancayo, vice-presidente da Conferência Episcopal Peruana e vice-presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), revisou sua biografia em seu discurso, sublinhando a conexão entre as primeiras percepções adolescentes, quando descobriu a natureza do seu país e conheceu pela primeira vez alguns nativos da Amazônia, acolhidos pelos jesuítas do vicariato apostólico de São Francisco Xavier, onde muitos anos depois ele seria nomeado bispo, o nascimento da Repam e o Sínodo Pan-Amazônico, presidido pelo papa no mês de outubro, em que o cardeal foi um dos presidentes delegados.

O cardeal Barreto resumiu o sínodo em três palavras: conversão (conversão à espiritualidade de ouvir a Deus, a outros, ao invisível), convicção (ainda mais forte no final da assembleia) e compromisso (compromisso de servir a Cristo e amar e servir aos outros com o cuidado de nosso lar comum).

Quanto à figura do papa Francisco, bem como do padre Pedro Arrupe, o histórico predecessor geral da Companhia de Jesus, que fundou a Secretaria de Justiça Social e Ecologia há 50 anos, "a Companhia de Jesus correu mais rápido que a Igreja", mas hoje é Francisco quem "corre à nossa frente", "é mais rápido que a Companhia"e "precisamos seguir o seu ritmo".

Na segunda sessão da manhã, moderada pelo padre Daniel Villanueva, S.J., vice-presidente de Entreculturas e Alboan (Espanha), as Preferências Apostólicas Universais foram discutidas como "apelos à colaboração", particularmente entre os envolvidos no apostolado social, presente no congresso romano e em outras atividades e tópicos que estão no centro da atividade da Companhia de Jesus.

Caminhar juntos

O padre James Hanvey, secretário para a fé, destacou que “para muita gente em nosso mundo, Deus está ausente, e se a divindade se esconde devemos nos perguntar como podemos abrir os olhos para ver sua presença”, conscientes de que “não vemos onde está Deus, porque não o vemos nos pobres”.

Segundo o padre José Mesa, secretário de Educação Primária e Secundária, “aprendemos a caminhar juntos, por fim nos sentimos parte do mesmo corpo e temos a mesma missão e que unidos somos melhores que divididos”, e agora as Preferências Apostólicas Universais merecem um “processo de aprendizagem”, porém há de levar em conta que “a aprendizagem real necessita tempo, é lenta”.

O padre Michael Garanzini, secretário de Educação Superior, se mostrou impressionado pela boa acolhida que as Preferências Apostólicas Universais tiveram também no mundo acadêmico jesuíta, e assegurou que as Prioridades identificadas no passado na Companhia de Jesus – temas como a educação superior na África, instituições jesuítas em Roma, a questão chinesa e o apostolado intelectual – seguem sendo temas de grande atualidade.

O padre Tom Smolich, diretor internacional do Serviço Jesuíta a Refugiados, admitiu que inicialmente teve a impressão de que a questão dos refugiados seria desvalorizada, porém explicou que com o tempo havia compreendido, por meio de um processo de conversão, o significado inspirador das Preferências Apostólicas Universais.

O padre Mark Ravizza, delegado para a formação, pediu finalmente que se desse atenção especial aos jovens jesuítas em formação e a leigos, mulheres e homens, que colaboram no apostolado social. Entre as questões levantadas no debate a seguir, a necessidade de entender o verdadeiro senso de discernimento e a solicitação de subsídio intelectual para saber como lidar com conflitos religiosos que existem, por exemplo, em alguns países do Sudeste Asiático.

Depois de uma missa que terminou pela manhã, a tarde foi dedicada pelos mais de 200 participantes para aprofundar essas questões nos grupos de trabalho. Na quinta-feira, o encontro começa com uma audiência concedida pelo Papa.

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