Cardeal Hummes reconhece que há resistências ao Sínodo da Amazônia “dentro e fora da Igreja”

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14 Mai 2019

A menos de cinco meses de seu início, o cardeal brasileiro Cláudio Hummes reconheceu que há resistências, “dentro e fora da Igreja”, ao Sínodo da Amazônia que acontecerá em Roma, em outubro, e convidou a um “discernimento para saber como se comportar” diante das oposições.

A reportagem é de Hernán Reyes Alcaide, publicada por Religión Digital, 13-05-2019. A tradução é do Cepat.

Sem mencionar diretamente o governo de Jair Bolsonaro no Brasil, principal opositor à reunião convocada pelo Papa Francisco de 6 a 27 de outubro, o cardeal Hummes considerou, em uma longa entrevista à revista La Civiltà Cattolica, as dificuldades enfrentadas para a realização do Sínodo, em seus meses prévios.

Resistências e conceitos errôneos

Segundo Hummes, o Sínodo “está gerando resistências e conceitos errôneos. Alguns se sentem ameaçados de alguma maneira, porque acreditam que seus projetos e ideologias não serão respeitados”.

“Acima de tudo, diria, aqueles projetos de colonização da Amazônia, animados até hoje por um espírito de dominação e roubo: ir para explorar, e depois sair com as malas cheias, deixando para trás a degradação e a pobreza dos moradores, que se encontram empobrecidos e com o território próprio devastado e poluído”, acrescentou o purpurado brasileiro, nomeado relator geral do Sínodo pelo Papa.

“A indústria, a agricultura e muitas outras formas de produção estão dizendo cada vez mais que sua atividade é ‘sustentável’. Mas, o que significa realmente ‘ser sustentável’? Significa que tudo o que extraímos do solo ou devolvemos ao solo como resíduo não deve impedir que a terra se regenere e permaneça fértil e saudável”, ponderou Hummes.

Devemos discernir como nos comportar

Nessa linha, o cardeal expôs que “é muito importante reconhecer estas resistências, tanto na Igreja como fora dela, por exemplo, nos governos, nas empresas e em todas as partes. Devemos discernir como nos comportar diante destas oposições, saber o que fazer”.

“Os interesses econômicos e o paradigma tecnocrático são adversos a qualquer tentativa de mudar e estão prontos para se impor à força, violando os direitos fundamentais das populações no território e as normas de sustentabilidade e proteção da Amazônia”, advertiu, frente ao encontro convocado para outubro.

“Contudo, nós não devemos nos render. Será necessário se indignar, não de forma violenta, mas, sim, de forma decisiva e profética”, convocou finalmente.

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