Mística e Testemunho em Koinonia

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13 Agosto 2020

"Tibhirine e UCA mostram pelo seu testemunho que o importante não é a inexistência de conflitos, e sim o modo como são enfrentados e nisto se mede o espírito evangélico. Este livro torna-se fonte imprescindível para leitores que buscam uma primeira aproximação com essas duas comunidades e fonte de informação para aqueles que se dedicam no estudo e no aprofundamento da mística, da mística inter-religiosa e da oração conjugada com a ação", escreve Eliseu Wisniewski, mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade do Paraná (PUCPR) e professor na Faculdade Vicentina (FAVI), Curitiba, Paraná, sobre o livro "Mística e Testemunho em koinonia. A inspiração que vem do martírio de duas comunidades do século XX" de Maria Clara Lucchetti Bingemer.

Eis o artigo.

"Mística e Testemunho em koinonia. A inspiração que
vem do martírio de duas comunidades do século XX", 
Maria Clara Lucchetti Bingemer. São Paulo: Paulus, 2018
216 p. ISBN 9788534948302.

Maria Clara Lucchetti Bingemer é professora titular do departamento de Teologia da PUC-Rio, vice-presidente da SOTER (Sociedade de Teologia e Ciências da Religião) e presidente da ALALITE (Associación Latinoamericana de Literatura y Teologia).

O livro Mística e Testemunho em koinonia. A inspiração que vem do martírio de duas comunidades do século XX pertence à Coleção Amantes do Mistério, de responsabilidade de Maria Clara Lucchetti Bingemer. A introdução é autobiográfica: não se separa o teólogo de sua biografia. A autora afirma que a teologia nasce da inspiração e muitas vezes essa inspiração toma a forma de uma intuição. Acredita ser essa intuição que a levou um dia a aproximar-se dessas duas comunidades e apaixonar-se por elas, por sua história, por sua mística e testemunho. Trata-se da comunidade da UCA (Universidade Centroamericana José Simeón Canãs) e da comunidade trapista de Tibhirine. Os jesuítas da UCA administravam uma universidade com excelência acadêmica e pesquisas de ponta. Mas, ao mesmo tempo, estavam voltadas para a realidade injusta e oprimida do país onde esta universidade se encontrava situada: El Salvador e a América Central, o centro de um continente dividido pela pobreza e a desigualdade.

Os trapistas de Tibhirine eram uma comunidade contemplativa, com tempos de oração distribuídos ao longo do dia, trabalhando na terra e vendendo no mercado local o produto de seu trabalho. Sua concepção de vida monástica e de configuração do que deve ser um mosteiro era aberta e inclusiva. Supunha a participação e a hospitalidade sem restrições aos muçulmanos, que ali encontravam espaço para as suas orações, realizavam reuniões comuns, partilhavam a fé, a palavra e a oração. Uniam compromisso social com inserção e diálogo intercultural e religioso. O que movia essas duas comunidades e que constituía a sua mística e foi igualmente a causa de seu martírio, era um profundo compromisso com a diferença do outro, e o chamado que isso significava. Assim, em suas imensas diferenças, essas comunidades e aproximam, se tocam, se identificam. Pois, desde carismas diferentes, nacionalidades diferentes, situações diversas, convergem no desejo de ir ao encontro do outro para entrar e comunhão com ele.

No Capítulo I

A Comunidade Religiosa: Con-viver e Testemunhar -, ressalta que a vida religiosa dentro da Igreja católica tem algumas características que a distinguem de outros coletivos dentro do tecido eclesial: inspiradas pelo Espírito Santo para o seguimento radical de Jesus Cristo através da profissão dos conselhos evangélicos, por votos ou outros vínculos sagrados, em uma forma estável de vida aprovada pela Igreja; possuem um carisma especial na comunidade eclesial e contribuem para a vida e missão de acordo com a natureza, o espírito e o objetivo de seus respectivos institutos. A autora situa o leitor mostrando as diferentes formas de encarnar este desejo e carisma que tomou o coração e a vida de tantos cristãos: eremitas, cenobitas, ordens mendicantes, vida consagrada.

Esclarece as diferenças entre vida contemplativa e vida ativa mostrando que o critério maior para avaliar a vida contemplativa e a vida ativa é o aumento da caridade, ou seja, a essência da perfeição cristã consiste no aumento da caridade, que cresce proporcionalmente à graça santificante, essa mesma caridade é o mais importante e o decisivo fator. Tanto a atividade como a contemplação, ou qualquer combinação de ambas, devem ser examinadas segundo seu valor e capacidade de aumentar a graça santificante e ser capazes de agir com mais caridade e amor para com os outros. Descrevendo a identidade da Ordem dos Trapistas e da Companhia de Jesus, a autora, mostra que as duas comunidades a serem analisadas não tem nada em comum uma contemplativa, com regras especiais de silêncio, horas de oração em comum, penitência, etc. A outra, missionária até o ponto de Inácio dizer nas Constituições que o jesuíta que pronunciou os últimos e perpétuos votos pode ser dispensado se as exigências da missão da oração diária, embora nunca do exame de consciência, prática pela qual passa o discernimento apostólico.

Mostrando as diferenças destas duas comunidades, ao final deste capítulo a autora busca responder a pergunta: Seria tão somente o fato e sua morte brutal e violenta ser a única semelhança entre essa duas comunidades místicas e testemunhais? Em que sentido as duas comunidades têm traços comuns? Em primeiro lugar, são ambas comunidades cristãs -, trapistas e os jesuítas demonstram que seus laços comunitários são parte de sua identidade mesma e os fazem ter mas coisas em comum do que diferenças.

Ambas viviam uma comunidade que se autocompreendia como estendida e excêntrica. Estendida porque abrigava e reconhecia como membros em algum nível pessoas que não pertenciam à Ordem religiosa em si mesma. Trata-se de comunidades que existem para fora de si mesmas, que vivem para fora de si, encontrando dentro de si os dons e a graça que devem não ser guardados ciumentamente, mas repartidos em generosa solicitude para construir, ampliar e reforçar a comunhão. A comunidade monástica de Tibhirine experimentou e entendeu que a melhor maneira de realizar sua vocação de orantes e contemplativos era sendo orantes entre orantes. E não somente entre orantes cristãs, mas entre orantes de outras denominações, principalmente orantes islâmicos.

A comunidade jesuíta da UCA teve uma experiência parecida. Em lugar de autocompreender-se e autoconstruir-se somente enquanto academia teórica que vê o conhecimento como um fim em si mesmo, abriram a academia e a missão que era sua, a partir da fé e da consagração religiosa, para outros segmentos da sociedade, mesmo que não partilhassem de sua leitura da realidade. A UCA naquele momento liderava não só o conhecimento de qualidade e a educação de ponta no país e na América Central, mas liderava também um processo político que se queria libertador e contribuinte para uma séria abertura de caminhos. Ambas as comunidades pagaram o preço por sua visibilidade e opção.

No Capítulo II 

A Comunidade Trapista de Tibhirine – tem como ponto de partida esta afirmação: “a comunidade de Tibhirine não pode ser entendida se nela não vislumbrarmos um profundo amor pela Argélia e, concretamente, por Tibhirine e pelo Monte Atlas, o lugar onde o mosteiro foi construído e os monges que ali estavam com Chistian de Chergé como prior em 1996- fizeram seus votos. O mosteiro de Nossa Senhora de Atlas era conhecido como lugar de amizade entre muçulmanos e cristãos. Durante quatro anos, tanto o mosteiro como o povoado foram poupados da violência que devastava as montanhas ao seu redor”. Diante disso, a autora faz o leitor conhecer as características desta comunidade. Como comunidade contemplativa e de estrita observância aquela que se encontrava em Nossa Senhora e Atlas durante os anos 80-90, é uma comunidade de oração em primeiro lugar. Mas a sua é uma oração inculturada, situada e comprometida.

Os monges formavam uma comunidade contemplativa em país islâmico, e isso teve consequências sobre a forma como organizavam o mosteiro, a vida diária e mesmo as orações; e, de uma maneira definitiva sobre seu destino e morte. Lenta e progressivamente, a comunidade de Tibhirine começa a ter uma consciência muito clara e profunda de que oração e trabalho deveriam imperativamente ser vividos conjuntamente. É uma comunidade contemplativa em diálogo com os muçulmanos. A partir de uma posição pobre e mendicante, pedem a graça do diálogo com seus irmãos e irmãs do Islã. E para isso oram com eles. Uma comunidade profundamente sensível a todos os problemas que os cercavam: ligados por sentimentos de verdadeira amizade e não unicamente, nem principalmente, por interesses pastorais ou proseletistas aos vizinhos do mosteiro, uma comunidade muito pobre, carente de muitas coisas.

É uma comunidade pobre que se encontra muito próxima à outra comunidade pobre. São também uma comunidade de paz. Uma comunidade de homens de Espírito e oração, e dessa oração emerge um discernimento comunitário. Sobretudo em tempos de adversidade, quando a violência é real e é muito concreta a ameaça que bate à porta, eles examinam a situação em paz, vendo a real possibilidade do martírio, permanecendo em uma pacífica expectativa de que Deus manifeste a sua vontade.

Christian de Chergé (1937-1996) é descrito neste capítulo como prior, místico e mártir. Sente o chamado para a vida monástica, mas firmemente ligada ao Islã e à Argélia. Quando entra no mosteiro de Tibhirine, traz consigo todas as suas experiências e desejos anteriores. Engajando-se na vida contemplativa na Argélia, ele se impõe para si mesmo um duplo êxodo, que qualifica como “contra a natureza” (contra natura). Vai para o país que se libertou da proteção e da dominação de seu país, a França. E vai igualmente ao encontro dos muçulmanos em seu caminho para Deus. Escolhendo enraizar sua consagração perpétua na Argélia está plenamente consciente de ser a partir de agora convidado e hospede de um povo que o acolhe. Ele deseja infinitamente essa dependência. Além disso, está trocando a segurança e o status de uma respeitável carreira clerical na França, onde poderia inclusive ser bispo, como seu pai o desejava e esperava, por uma total insegurança e obscuridade na Argélia.

Após sua eleição como prior da comunidade trapista de Tibhirine, Christian adota uma série de hábitos locais, identificando-se sempre mais com os muçulmanos. Sua inteligência o faz estudar e observar especialmente os místicos e religião popular mas, também sentia e sofria com a violência presente no país. Na madrugada do dia 27 de março de 1996, um grupo de vinte homens armados chega ao mosteiro durante a noite. Sequestram sete monges, entre eles Christian. Após dois meses de angústia, mensagens, buscas e negociações malsucedidas com os governo argelino e francês, aparece um comunicado do GIA anunciando que os monges foram degolados no dia 21 de maio de 1996. Foram encontradas apenas as cabeças dos monges, jamais seus corpos. Os restos recolhidos foram sepultados no jardim de Tibhirine.

A mística de Christian de Chergé, que culmina com seu testamento – um dos textos espirituais mais importantes do século XX-, é certamente a demonstração concreta de que tinha a consciência e seu destino e enfrentou-a em profunda comunhão com os irmãos e com o seu Mestre Jesus Cristo. Mas incluiu nessa comunhão todos os seus irmãos e imãs do Islã, que nunca deixaram seu coração. Sua mística é inseparável de seu pensamento podendo ser caracterizada como:

a) mística da reconciliação das diferenças;
b) mística do perdão;
c) mística da esperança;
d) mística da caridade.

Seus textos místicos mostram o processo interior vivido por esse homem extraordinário que entregou sua vida até o fim. Figura crística, Chistian de Chergé marcou profundamente sua comunidade. A força de sua fé a estatura de sua espiritualidade foram certamente elementos decisivos para aquela pequena, frágil e vulnerável comunidade pudesse viver todas as etapas desse longo processo martirial que terminou com sua morte testemunhal.

No Capítulo III

A UCA como projeto intelectual, apostólico e comunitário – a autora mostra como essa universidade situada em El Salvador entendeu a educação: o conhecimento não como um fim em si mesmo mas, útil para transformar a realidade injusta do país onde está situada. Tecnicamente falando, não é uma universidade católica, mas se autocompreendendo como uma universidade deinspiração católica”, concordando com muitos dos valores expostos na Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae. Não responde diretamente ao bispo local, invocando total liberdade para sua reflexão acadêmica e seu agir institucional.

Enquanto Monsenhor Romero era arcebispo de El Salvador, jamais houve problemas com relação à ortodoxia do que era ensinado na UCA e sobre o perfil da universidade. Por isso, a UCA pôde firmar seu modelo enquanto Ignacio Ellacuría era reitor, nos anos de 1979 a 1989, até que este foi assassinado junto com toda a sua comunidade. A universidade se encontrava afinada e sintonizada com o movimento que sucedia na América Latina: a recepção do Concílio Vaticano II na realidade latino-americana marcada pela pobreza, injustiça e opressão. Essa recepção uma indissoluvelmente, a evangelização com a luta pela justiça e não dava lugar a uma concepção de evangelização e pastoral que não passasse pela transformação da realidade.

Nesse contexto, inscreve-se o projeto educacional da UCA de El Salvador, o qual acompanha coerentemente o movimento que faz toda a Ordem dos jesuítas na América Latina. Dentro da perspectiva da opção pelos pobres e da centralidade do binômio fé e justiça, as instituições educativas tinham que rever suas premissas, fundamentos e configuração. A UCA foi pioneira nesse sentido e inspirou também outras instituições. Havia naquela universidade um projeto que incluía de forma contundente e prioritária a questão a justiça social como parte integrante da docência e da pesquisa e do ideal e excelência acadêmica que caracterizavam todas as universidades e, de maneira especial, as universidades jesuítas.

Ignacio Ellacuría (1930-1989), como reitor da UCA de El Salvador, procurou aplicar os princípios e os ideias da Igreja latino-americana pós-conciliar configurando um modelo de universidade voltado para as necessidades do povo salvadorenho. Nisto consistiu a síntese do projeto da UCA: Ignacio Ellacuría recebeu uma universidade já voltada em direção ao contexto social onde estava inserida e continuou a promover essa maneira de conceber e liderar a instituição, aplicando para isso as orientações da Igreja na América Latina e também a mística e as intuições e inspirações da própria Ordem religiosa à qual pertencia.

A comunidade dos seis jesuítas que compunham a residência da UCA – o reitor e mais cinco, assim como duas mulheres que trabalhavam na casa foram abatidos em plena madrugada, quando tudo estava escuro e não havia testemunhas, por um batalhão de elite do exército salvadorenho em 1989. Escapou do massacre por se encontrar ausente na Tailândia, ministrando um curso de Teologia o Pe. Jon Sobrino, também membro daquela comunidade. A mística que presidia a UCA sempre foi comunitária. Comunitários foram a criação e o desenvolvimento de seu modelo, comunitárias as perseguições que sofreu, comunitários seu testemunho e seu martírio.

Dentro dessa comunidade destacava-se a figura do reitor: filósofo, teólogo e brilhante pensador, negociador político e mediador de conflitos, Ignacio Ellacuria (basco de nascimento, mas salvadorenho de nacionalidade e de coração). Ele que já era uma pessoa de destaque em toda a questão da Teologia da Libertação e da opção pelos pobres na América Latina, agora tinha, iluminando pelo seu martírio, sua credibilidade consideravelmente crescida. Tinha no fundo mais profundo de seu brilho intelectual, de sua aguda visão profética e de sua estratégia transformadora uma mística. Juntamente com sua comunidade e especialmente Jon Sobrino, seu companheiro e grande interlocutor, experienciou um encontro místico com o Jesus Ressuscitado, mediado através de seu amor e solidariedade com o povo sofredor de El Salvador.

Nisso ele e sua comunidade seguiam de perto a espiritualidade inaciana que era a sua. Pois o Deus de Inácio de Loyola é o Deus do mundo, e o mundo e o lugar para o encontro com Ele (locus theologicus). Os três pontos da mística que Ellacuria viveu, transmitiu, refletiu e deixou como legado e que são inseparáveis de seu pensamento como um todo. Primeiramente, a questão do povo crucificado, o qual é necessário fazer descer na cruz, sabendo que ao fazê-lo se pode acabar na cruz. Em segundo lugar, o desafio de trabalhar por uma civilização da pobreza, contrária e superadora da civilização da riqueza, responsável pela grave enfermidade da civilização imperante. Em terceiro lugar, suas palavras “com Monsenhor Romero, Deus passou por El Salvador”, o que remete mais em geral a algo último e beneficio, que se faz presente na história dos defensores das vítimas.

Na Conclusão

O martírio como liturgia comunitária – a autora responde à pergunta: Qual a mensagem que essas duas comunidades nos deixam hoje?

1) eram ambas revolucionárias, cada uma em seu próprio estilo;

2) elas trouxeram algo novo sobre como viver a consagração a Deus e aos outros;

3) ambas as comunidades estavam inseridas em uma realidade particular e concreta, mas com abertura universal;

4) ambas as comunidades aceitaram o desafio de ficar, apesar do perigo da ameaça;

5) ambas as comunidades eram sustentadas por uma profunda espiritualidade;

6) ambas as comunidades têm à sua frente um líder notável;

7) ambas as comunidades desejavam trazer paz em meio aos conflitos, injustiça e violência;

8) ambas as comunidades nos deixam alguns pontos de seu testemunho que podem ser vividos por toda a pessoa em qualquer contexto:

a) ser orante entre orantes não apenas cristãos, mas de outras fés e religiões;
b) viver entre os pobres e a seu serviço;
c) não reagir à violência com violência;
d) encarar a morte como estilo: o estilo de Jesus Cristo- recebendo o martírio como um dom.

Essas duas comunidades responderam inspiradas pelo Espírito de Deus aos desafios de Deus, aos desafios que a história de seu tempo lhes põe à frente. Elas compreenderam que o sofrimento e a morte não são fronteiras para Deus e seu martírio é um chamado de atenção ao que é essencial: é viver o Evangelho, ser um grupo de pessoas que seguem de perto e de forma radical o estilo de vida de Jesus. Assim, elas deram um testemunho que surpreendeu o mundo, através de uma liturgia de entrega da vida pela glória de Deus e de seu Reino- razão pela qual essas duas comunidades nos ensinam hoje

a) um caminho para ser verdadeiramente humano;
b) um caminho cristológico;
c) um caminho para ser Igreja.

Na “crise do compromisso comunitário” (Papa Francisco) vale a pena a leitura e a meditação desta obra, muito bem escrita, em estilo vivo e provocador, pois, mostra claramente no testemunho dos trapistas de Tibhirine e dos jesuítas da UCA que a comunidade cristã não existe como “fim em si mesma”. Ela existe para a missão. E a comunidade é um lugar que serve para internalizar melhor os valores do Reino. São eles que justificam e fundam o fato de estarmos juntos. A comunidade deve ser o lugar da transcendência. Fica claro, ainda que, a comunidade cristã é uma realidade conflitante e não nos conduz a uma atmosfera de “contos de fadas” onde seus membros “viveram felizes para sempre”. Pelo contrário, o Evangelho não termina com essas palavras poéticas. Tibhirine e UCA mostram pelo seu testemunho que o importante não é a inexistência de conflitos, e sim o modo como são enfrentados e nisto se mede o espírito evangélico.

Este livro torna-se fonte imprescindível para leitores que buscam uma primeira aproximação com essas duas comunidades e fonte de informação para aqueles que se dedicam no estudo e no aprofundamento da mística, da mística inter-religiosa e da oração conjugada com a ação. O II capítulo do livro traz importante contribuição para o diálogo inter-religioso e no III capítulo se tem uma importante contribuição para aqueles que se aplicam a conhecer melhor a contribuição da teologia latino-americana. Tanto os iniciantes quanto os especialistas nestas questões poderão tirar muito proveito da leitura desta obra.

Apenas uma correção a ser feita numa próxima edição: na sexta linha da página 172 – quando se diz “desfio” talvez queira se dizer “desafio”. Que o leitor o confira!

 

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