Vigília Pascal - Ano B - O amor é mais forte que a morte

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Por: MpvM | 29 Março 2018

Encarnando-se, porem, num mundo de pecado, Deus resgata tudo que existe e nos salva de tudo que podemos fazer em termos de fracasso em nossas vidas. Somos criados para o amor, para a vida em plenitude, para a comunhão, para a convivência. Mas muitas vezes quebramos essa dinâmica amorosa e vital. Introduzimos rupturas, quebras, fechamentos nesse processo. Isso vai acontecer na vida de Jesus, que vai mostrar que Deus ama a todos para além de suas limitações, pecados, infidelidades. As prostitutas, os publicanos, os pecadores, os leprosos, todos aqueles que são colocados à margem pela religião, pela moral, pela política, Deus vai dizer por meio de Jesus que os quer perto, dentro de sua Aliança. Ele os quer participando de sua ceia, de sua comunhão, de sua vida. 

A reflexão é da teóloga Maria Clara Lucchetti Bingemer, a qual possui graduação Comunicação Social (1975) e mestrado em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio (1985) e doutorado em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Gregoriana - PUG (1989). Tem experiência na área de Teologia, com ênfase em Teologia Sistemática, atuando principalmente nos seguintes temas: Deus, alteridade, mulher, violência e espiritualidade. Tem pesquisado e publicado nos últimos anos sobre o pensamento da filósofa francesa Simone Weil. Atualmente seus estudos e pesquisas vão primordialmente na direção do pensamento e escritos de místicos contemporâneos e da interface entre Teologia e Literatura.

 

 Referências bíblicas
1ª Leitura: Gn 1,1-2,2 ou 1,1.26-31ª
2ª Leitura: Gn 22,1-18 ou 22,1-2.9ª.10-13.15-18
3ª Leitura: Ex 14,15-15,1
4ª Leitura: Is 54,5-74
5ª Leitura: Is 55,1-11
6ª Leitura: Br 3,9-15.32-38; 4,1-4
7ª Leitura: Ez 36, 16-17ª.18-28
8ª Leitura: Rm 6,3-11
Evangelho: Mc 16,1-8

A liturgia do sábado santo, da Vigília Pascal, é uma das mais belas, senão a mais bela, do calendário litúrgico católico. Nela proclamamos e celebramos o mistério central de nossa fé: Jesus Cristo, o Filho de Deus que se encarnou e viveu como um de nós, igual a nós em tudo menos no pecado, viveu, pregou, serviu, amou até o fim morreu na cruz. Mas ressuscitou. Está vivo no meio de nós. A morte não tem mais poder sobre ele e não tem a palavra final sobre a sua vida. É uma proclamação que proclama isso acontecendo não apenas com Jesus Cristo, mas com toda a raça humana, com cada um de nós.

A vigília pascal proclama isso, acontecendo não apenas com Jesus Cristo, mas com todo o gênero humano. As leituras do Sábado Santo falam sobre isto. A primeira de todas as leituras narra a criação do mundo (Gn 1,1-2,2). Deus é amor em Si mesmo, mas não se contenta em permanecer apenas em uma vida intra-divina em sua eternidade. Seu amor é difusivo, necessita sair, ser fecundo, explodir e fazer acontecer aquilo que não é ele. Deus é o que cria tudo que existe: as plantas, os animais e finalmente o ser humano – macho e femea – que será então sua imagem e semelhança.

Depois disso as leituras vão desdobrar o que Deus vai oferecer a esse ser criado como parte da sua vida. Não se contenta em cria-los , mas quer ser interlocutor, parceiro do homem e da mulher e faz uma Aliança com ambos e com toda a humanidade. Essa Aliança, com a humanidade, foi percebida e narrada pelo povo de Israel ao longo de toda a sua história. Trata-se de um pacto de amor. O povo se percebe não somente criado, saído do amor de Deus e de seu desejo vital, mas escolhido, eleito, amado infinitamente por Deus ( Is 54,5-74; Is 55,1-11; Br 3,9-15.32-38; 4,1-4)

Deus não cobra do povo pelas inúmeras infidelidades com as quais responde a sua oferta de amor (Ez 36, 16-17ª.18-28). Sua fidelidade é mais forte e mais constante do que qualquer infidelidade, qualquer imperfeição, qualquer pecado. Por maior que seja o pecado, a traição, o afastamento, veremos ao longo do Escritura Deus resgatando seu povo por sua aliança nunca revogada.

A Encarnação de Deus em Jesus de Nazaré vai ser a culminância desse processo de aproximação e pacto de Deus com a humanidade. O mistério que celebramos nesta vigília demanda então de nós profunda reflexão. A Encarnação não acontece para apagar o pecado. Jesus não se encarna no ventre de Maria para apagar nossos pecados. A Encarnação aconteceria mesmo que não houvesse pecado. Pois ela é a culminância do processo e da dinâmica de aproximação e diálogo de Deus com suas criaturas. Deus se aproxima cada vez mais intimamente e sempre e tanto que finalmente entra em nossa carne, fazendo-se humano como um de nós. Igual a nós em tudo menos no pecado.

Encarnando-se, porem, num mundo de pecado, Deus resgata tudo que existe e nos salva de tudo que podemos fazer em termos de fracasso em nossas vidas. Somos criados para o amor, para a vida em plenitude, para a comunhão, para a convivência. Mas muitas vezes quebramos essa dinâmica amorosa e vital. Introduzimos rupturas, quebras, fechamentos nesse processo. Isso vai acontecer na vida de Jesus, que vai mostrar que Deus ama a todos para além de suas limitações, pecados, infidelidades. As prostitutas, os publicanos, os pecadores, os leprosos, todos aqueles que são colocados à margem pela religião, pela moral, pela política, Deus vai dizer por meio de Jesus que os quer perto, dentro de sua Aliança. Ele os quer participando de sua ceia, de sua comunhão, de sua vida.

Jesus de Nazaré que apresentou esse rosto de Deus que ama mesmo e apesar de todos os “desamores” que o ser humano possa ter lhe apresentado, vai ser perseguido por causa disso e não será aceito por muitas pessoas que cruzam seu caminho. Arma-se um conflito contra ele ao longo de seu ministério público. As leituras de hoje vão mostrar como isso já vinha acontecendo ao longo da história do povo de Israel. A leitura do sacrifício de Abraão (Gn 22,1-18 ou 22,1-2.9ª.10-13.15-18), que é chamado por Deus a sacrificar seu único filho Isaac, mas finalmente não o faz porque Deus não o quer, já aponta na direção da morte e ressurreição de Jesus.

Também a leitura do Êxodo (Ex 14,15-15,1), mostrando os hebreus que eram escravos no Egito e não permanecem na escravidão, mas dela são libertados por Deus. Eles conseguem atravessar o Mar Vermelho a pé enxuto, enquanto o Faraó e seus soldados se afogam no mesmo mar, não conseguindo fazer a travessia.

Tudo isso vai ser resignificado e retomado na morte e ressurreição de Jesus (Mc 16,1-8). Aparentemente o projeto do mestre de Nazaré fracassou. Foi selado com uma morte violenta e ignominiosa. Mas Deus dirá uma palavra nova e definitiva sobre este acontecimento. A morte não é o fim daquela vida. Não foi o fim para Jesus e não é o fim para nós. O amor é mais forte que a morte. A vida de Jesus foi apenas amor, doação, entrega. Essa vida não morre. E na Ressurreição, Deus, o Paia pronuncia sua palavra interpretativa sobre a morte do Filho. Ressuscitou. Por que buscá-lo entre os mortos se está vivo? Ele vive no meio de nós.

Por isso a liturgia da Igreja canta esse hino tão belo, talvez o mais bonito de toda a liturgia da Igreja. Ela o proclama para introduzir o mistério da Ressurreição que será celebrado na alegria e no júbilo da fé e da esperança. Ele é lido antes do início da celebração eucarística e se chama Preconio Pascal. Ele diz em uma das suas estrofes:

Pois esta noite lava todo crime
Liberta o pecador dos seus grilhões
Dissipa o ódio e dobra os poderosos
Enche de luz e paz os corações

Oh noite de alegria verdadeira
Que prostra o Faraó e ergue os Hebreus
Que une de novo ao céu a terra inteira
Pondo na treva humana a luz de Deus

Oh noite de alegria verdadeira
Que une de novo o céu e a terra inteira.

É isso que celebramos hoje. Jesus se encarnou, viveu, sofreu, morreu. Mas a morte não foi a última palavra sobre sua vida. Ele ressuscitou. E com ele todos nós ressuscitaremos também seguindo o seu caminho.

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