Homens e Deuses mostra a prática da fé

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20 Mai 2011

A fé pode até não remover montanhas, mas ajuda a manter firme o espírito dos homens. É em torno dessa fortaleza espiritual, disposta ao sacrifício em nome de seu ideal, que se constrói esse belo Homens e Deuses, do diretor francês Xavier Beauvois, com destaque para o ótimo elenco, com Lambert Wilson e Michael Lonsdale, entre outros.

O comentário é de Luiz Zanin Oricchio e publicado no jornal Zero Hora, 21-05-2011.

Em pré-estreia na semana passada, a partir de ontem está em cartaz nos cinemas Guion Center, Unibanco Arteplex e GNC Moinhos.

O filme é inspirado na vida dos monges cistercienses que viviam numa remota localidade argelina no início dos anos 1990. Vemos o grupo de religiosos cristãos em seu monastério, vivendo em harmonia com os muçulmanos da região, até que o lugar começa a ser afetado por uma guerrilha. Como costuma acontecer nesses casos, a população civil vê-se espremida entre os guerrilheiros e as forças do exército oficial destacadas para combatê-los. Aconteceu o mesmo no Peru, com os civis vítimas tanto do Sendero Luminoso quanto do Exército peruano. No caso argelino, os monges franceses, que já prestavam assistência à população pobre, passam a defendê-la ostensivamente dos abusos de que são vítimas. Colocam-se em rota de colisão tanto com radicais como com o governo, que tenta repatriá-los para evitar problemas diplomáticos.

De certa forma, Homens e Deuses é um filme de espera. Os monges estão ameaçados, recusam-se a abandonar o país e também não querem proteção do Exército, o que os afastaria da população. Beauvois trabalha em sintonia com esse clima místico, que também contempla algumas divisões no interior do mosteiro. Alguns deles resolvem partir; a maioria quer ficar. Quer ou deve? Porque é o sentido do dever que se impõe entre eles. Um dever que nada tem de abstrato, mas sustentado por uma crença e ética definidas.

O filme deverá ser particularmente tocante para aqueles que partilham uma crença religiosa. Num mundo em que a religião parece tão fragilizada por escândalos internos (casos de pedofilia na Igreja católica, por exemplo) ou por acusações, justas ou não, de estímulo a condutas fanáticas, sobra a ela esse substrato de mistério e fé inatingíveis. Esse núcleo duro fortalece os homens em sua disposição de se dedicar aos mais fracos de forma inquebrantável, mesmo que isso implique sacrifício pessoal. A fé no transcendente é poderosa aliada, ao apontar a transitoriedade de toda a vida terrena, insignificante diante da eternidade.

Não há por que não comover também agnósticos, que nada têm a ver com qualquer religião, mas são capazes de admirar homens que se comportam com determinação até o fim, em nome daquilo em que acreditam. Mesmo porque, Beauvois não esconde as dissensões internas do grupo, os momentos de hesitação e fragilidade. Humano é preservar a vida a qualquer custo, e por isso as perguntas surgem no interior do grupo: não deveríamos nos guardar para que possamos ser úteis no futuro ao nosso semelhante e à nossa fé? Mas divino é ir além das justas dúvidas e prosseguir seu caminho.

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