Escândalo dos abusos está ligado ao status das mulheres na Igreja, afirma cardeal Marx

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19 Junho 2020

É uma “questão de urgência” ter mais mulheres em posições de liderança. O cardeal alemão Reinhard Marx reitera como é urgente nomear mais mulheres líderes na Igreja.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por The Tablet, 16-06-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“As mudanças nesse campo são realmente urgentes e devem ser seguidas”, alertou. “Falamos muito sobre a nova forma social da Igreja, e em nenhum outro ponto isso se reflete mais claramente”, disse Marx na semana passada.

Ele estava comentando a publicação para um público mais amplo de um discurso que ele fez no Conselho de Cardeais em Roma em dezembro de 2019. O Secretariado da Conferência dos Bispos da Alemanha publicou-o como parte de uma série que está produzindo sobre os presidentes da Conferência.

Em seu discurso de 2019 em Roma, Marx lembrou que, no estudo de 2018 sobre os abusos sexuais clericais encomendado pela Conferência dos Bispos da Alemanha, que mostrou que 3.677 crianças e adolescentes haviam sido abusadas por 1.670 padres entre 1946 e 2014, e que estruturas clericais e uma administração clerical haviam sido apontadas como um fator no abuso massivo da Igreja e no seu encobrimento.

“As mulheres em posições de liderança na Igreja – e isso não é precisamente uma questão de ordenação de mulheres – contribuem para romper os círculos fechados e as associações clericais masculinas na Igreja. Em prol da nossa credibilidade como Igreja e da nossa credibilidade como bispos, devemos fazer todo o possível para que as mulheres assumam posições de liderança na Igreja”, escreveu Marx.

“Os desdobramentos e as experiências dos últimos anos na Igreja na Alemanha – e provavelmente em todo o mundo – nos mostram que, para os jovens, homens e mulheres, servir à Igreja se tornou cada vez menos atraente. Eles simplesmente não acreditam que a Igreja trata as mulheres como iguais ou realmente permita que elas participem”.

As posições que foram abertas a leigos homens na Igreja também devem ser abertas a leigas, disse o cardeal. A fim de aumentar o percentual de mulheres nos cargos de liderança na Igreja, são necessários determinação e claro comprometimento dos bispos e de outras lideranças religiosas, para que mulheres correspondentemente qualificadas possam ser colocadas em posições de liderança, mesmo que isso signifique desapontar os candidatos masculinos – sejam eles padres ou leigos, explicou Marx.

No desenvolvimento de pessoal, o termo “unconscious bias” [viés inconsciente] (Marx usa as palavras em inglês entre aspas) é usado para descrever a preferência inconsciente por candidatos com quem alguém está mais familiarizado do que com outros, porque, por exemplo, eles são os do próprio gênero sexual, lembrou ele.

O segundo ponto importante é que as mulheres em posições de liderança na Igreja precisam de modelos para atraí-las ao serviço da Igreja. “Particularmente no que diz respeito às relações públicas e ao trabalho de imprensa, ainda não conseguimos tornar as mulheres mais visíveis. Devemos nomear porta-vozes, por exemplo, para deixar claro que as mulheres também são um rosto da Igreja e podem falar em nome dela.”

O presidente da Conferência, Dom George Bätzing, sublinhou recentemente em várias ocasiões que, para ele, dar às mulheres um papel maior é a questão mais importante que a Igreja enfrenta atualmente.

Dom Hans-Josef Becker, bispo de Paderborn, já está anunciando cargos para as mulheres. A sua diocese oferece empregos de tempo parcial, possibilidades de trabalhar em casa e a oportunidade de compartilhar uma posição de liderança com dupla autoridade – “em conjunto”, como ele diz. Ele pretende aumentar os atuais 30% de mulheres em cargos importantes na Conferência Episcopal.

 

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