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14 Março 2019

No encontro sobre a proteção dos menores na Igreja, após a apresentação articulada e rica de sugestões dadas por Linda Ghisoni, o Papa Francisco reagiu imediatamente com uma reflexão que essencialmente repropõe figuras já conhecidas e recorrentes em suas expressões. Ele enfatizou a importância de ter sido uma mulher a falar, reconhecendo nisso o fato de que, quando fala uma mulher, a própria Igreja fala. Portanto, não é uma questão de falar sobre a Igreja, na Igreja, mas é o falar da Igreja que se expressa através das palavras da mulher.

O comentário é de Antonio Autiero, teólogo e filósofo italiano, publicado por Il Regno dele Donne, 25-02-2019. A tradução é Luisa Rabolini.

O risco de uma hierarquia invertida

Afirmações semelhantes certamente devem ser reconduzidas a uma reconhecida importância da presença da mulher na Igreja, aliás, elas exaltam mais ainda o papel da mulher, tornando-a sujeito eclesial de maneira muito particular. As implicações eclesiológicas desse pensamento são importantes, frutíferas e transformadoras. No entanto, abrem um horizonte que requer uma séria reflexão sobre o conjunto do sujeito eclesial. Não há como saber como receberam essas afirmações todos os outros participantes da cúpula, em sua esmagadora maioria homens, clérigos de diferentes ordens e graus. É possível repensar o sujeito eclesial de acordo com uma linha de distinção entre masculino e feminino? Qual seria o risco de inverter a escala de importância, sem reavaliar a dinâmica de pertencimento em um contexto de comunhão entre sujeitos?

Mulher-Igreja: os limites de uma analogia e uma exclusão

Mas há mais: quando se vai em busca da raiz pela qual quando a mulher fala, a Igreja fala, a referência à figura da Igreja e da mulher sob a tripla conotação de mulher, esposa e mãe ainda pode se sustentar? Certamente sobre o peso dessa representação simbólica e analogia de funções matrimoniais-maternas entre a Igreja e a mulher não se podem criar ilusões. Elas têm o seu sentido, mas apenas se colocadas no quadro de referência correto. O ponto focal é passar a seiva da analogia através da figura das conotações e das funções corporais da mulher. Isso tem seu preço e não é isento de riscos, basta pensar em toda a longa tradição que, no contexto religioso em geral, e naquele cristão-católico em particular, significou a negação da esfera corpórea. Ora, se as palavras do papa nesse sentido podem e devem constituir um ponto de avanço, isso é medido tanto nas intenções - que nele só podem ser reconhecidas como sinceras e positivas - como nas escolhas concretas. E aqui aperta-se o cerco por uma conscientização rigorosa e portadora de consequências. Além do já mencionado problema do sujeito eclesial no contexto da comunhão, abre-se uma nova vertente do tema da plena participação da mulher em todas as expressões da vida eclesial, incluindo o ministério ordenado. De fato, se a mulher é sujeito substancial-substanciador da Igreja, como se justificar sua exclusão da ministerialidade que substancialmente caracteriza a Igreja? Ou se reconhece a essa ministerialidade a característica de ser uma "função"? E então, como fica o discurso da compreensão "substancial" do ministério ordenado? Aqui se entende a complexidade das questões que estão se abrindo e que as palavras improvisadas, certamente ditadas pelo espírito positivo do Papa Francisco, colocam diante dos olhos de todos.

O machismo de saia

Entre as expressões certamente mais incisivas do papa, há aquela em que ele diz: “Todo feminismo é um ‘machismo de saia". Esta é uma maneira de falar não nova do Papa Francisco, uma espécie de refrão que volta e meia reaparece. Cabe seriamente pensar que o tema seja presente para ele de maneira parcial, talvez devido a condicionamentos culturais de outra latitude e molde. Nisso, a esperança é que haja vozes competentes, honestas e construtivas em torno dele, para mostrar-lhe em toda a sua amplitude a questão da relação entre a esfera masculina e a esfera feminina como expressões antropológicas. Os feminismos – caso se queira usar esse termo problemático - são muitos e devem ser enquadrados, diferenciados e elaborados. Os juízos sumários não ajudam, e fazem perder credibilidade àquela intenção tão fecunda e profunda de reforma mencionada acima. As aproximações desempenham um péssimo papel; só servem para alimentar superestruturas ideológicas. As expressões do papa encontraram espaço dentro de uma cúpula que já por si só tem muita importância e esperamos, também, poder de resolução contra o flagelo da pedofilia na Igreja. Agora seria uma pena que a atenção fosse desviada dessa problemática originária que viu corajosamente convocar expoentes qualificados do corpo eclesial. Outros também estão tentando, como aqueles tutores da ordem doutrinal que não desistem da vontade de afirmar o nexo causal entre pedofilia e homossexualidade. Toda a carga sobre a segunda, talvez para abaixar o nível de guarda sobre a primeira? Quem pode saber?

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