Hierarquia Católica deve ser confrontada a respeito de desigualdade de gênero

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07 Março 2018

"Poderosos interesses particulares" dentro da Igreja Católica estão sendo desafiados numa conferência em Roma pelo Dia Internacional da Mulher à medida que crescem os pedidos para que as mulheres tenham posições de autoridade e influência na Igreja.

Como sinal do surgimento de um novo clima de assertividade em torno dos direitos da mulher no Vaticano, o encontro do grupo Voices of Faith na quinta-feira ouvirá demandas para passos ousados rumo à igualdade de gênero dentro da Igreja, dominada pelo masculino.

A reportagem é de Harriet Sherwood, publicada por The Guardian, 05-03-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Enquanto isso, um manifesto de mulheres para a Igreja reivindicando papéis femininos "coerentes com nossas competências e capacidades" está circulando nas redes sociais, dizendo: "Na condição de mulheres adultas, vivemos diariamente o papel subalterno da mulher na Igreja."

O grito de guerra vem dias depois que o artigo de uma revista expôs a exploração das freiras no Vaticano. Intitulado "The (nearly) free work of nuns” (O trabalho [quase] livre das freiras), o artigo revelou condições econômicas terríveis vividas por muitas freiras, bem como o ressentimento sobre os baixos valores dados a suas vocações em comparação às dos homens.

As mulheres nas ordens religiosas trabalham muito cozinhando, limpando e servindo os cardeais, bispos e funcionários que lideram a Igreja, alegou o artigo. Mal remuneradas ou sem qualquer remuneração, nem contrato de emprego, as freiras mal são reconhecidas pelos homens a quem elas servem.

Várias freiras falaram anonimamente à revista. "Aos olhos de Jesus, somos todos filhos de Deus, mas na vida concreta algumas freiras não vivem isso, mas sim grande confusão e desconforto", disse uma delas. As freiras "raramente [são] convidadas a sentar à mesa que servem", acrescentou.

Apenas algumas mulheres ocupam posições importantes na hierarquia do Vaticano, como Barbara Jatta, que, em 2016, tornou-se a primeira mulher a administrar seus museus.

A exploração das freiras pode ser levantada na conferência de Roma esta semana, cujo tema é a importância das mulheres.

Num comunicado, a equipe organizadora declarou: "Vivemos em tempos marcados pela mudança, mas há lugares nos quais a igualdade de gênero está sendo sistematicamente negligenciada. A Igreja Católica é um deles”.

"As crises que temos de enfrentar em nosso mundo hoje exigem líderes, homens e mulheres, preparados para pensar o impensável e que arrisquem perturbar interesses particulares poderosos e dar passos ousados rumo ao bem maior."

Em anos anteriores, a conferência anual foi realizada no Vaticano, mas a organização trocou de local no mês passado, depois de a Santa Sé não ter aprovado a participação de Mary McAleese, ex-presidente da Irlanda, e outras duas palestrantes.

Não foram ditos os motivos, mas McAleese já se declarou a favor da ordenação de mulheres, que foi descartada pelo Papa, e dos direitos LGBT. McAleese recusou-se a comentar, apenas disse que tinha escrito para ela sobre a recusa.

Chantal Götz, fundadora do grupo Voices of Faith, disse ao National Catholic Reporter: "É fundamental para nós trazer vozes que representem perspectivas que muitas vezes não são ouvidas no Vaticano".

E, na qualidade de entidade que não pertence ao Vaticano, acrescentou: "Em última análise, não vimos uma razão por que essas mulheres precisem passar por um processo de 'aprovação' por qualquer pessoa".

Sobre a decisão de realocar a conferência, ela disse: "Nós sentimos que as vozes autênticas de todas as mulheres que trazemos este ano são mais importantes do que se o nosso evento vai ocorrer na Casina Pio IV ou na Cúria Generalícia da Companhia de Jesus — o que importa é que todos em Roma e no Vaticano possam facilmente vir para ouvir".

O Papa foi convidado para a conferência, assim como vários cardeais.

Durante uma audiência dois anos atrás, perguntaram a ele diretamente se a Igreja poderia ser "mais aberta para receber a genialidade feminina”.

Ele respondeu: "É verdade que as mulheres estão excluídas do processo decisório da Igreja: não excluídas, mas a presença das mulheres é muito fraca nos processos de decisão. Temos de avançar."

Ele também alertou as mulheres de ordens religiosas em relação à escravidão: "O seu trabalho, o meu trabalho e o trabalho de todos nós é servir. Muitas vezes eu consagrei mulheres que realizaram trabalho de servidão, não de servir."

Quando pediram que as freiras fizessem trabalho que era "mais servidão mais do que serviço, tenham a coragem de dizer não", acrescentou.

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