Igrejas combatem a fome enquanto a América Latina se torna o centro da pandemia

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03 Junho 2020

A situação na saúde agravou a crise econômica da região, onde milhões de pessoas trabalham empregos informais.

A reportagem é publicada por La Croix International, 02-06-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

As igrejas na América Latina estão lutando para combater a fome, agravada pelas dificuldades econômicas já existentes e enquanto a região se torna o epicentro da pandemia de Covid-19.

Com o Brasil liderando no número de casos e mortes, seguido pelo Peru, a região registra quase 1 milhão de casos e cerca de 50 mil mortes, embora as autoridades digam que os números reais sejam provavelmente mais altos.

A situação na saúde agravou a crise econômica da região, onde milhões de pessoas trabalham em empregos informais – como vendedores ambulantes, taxistas ou trabalhadores domésticos –, dependendo da renda de cada dia para satisfazer as necessidades.

Com países inteiros em confinamento, buscando evitar a sobrecarga dos hospitais com pacientes de Covid-19, esses trabalhadores viram suas fontes de renda desaparecerem.

O confinamento na Argentina, um dos mais severas da região, já dura mais de 70 dias e só será suspenso em 8 de junho.

A pandemia tem se espalhado nos bairros populares da periferia de Buenos Aires, onde as paróquias têm ajudado na alimentação dos famintos e onde os padres transformaram suas igrejas em locais onde os idosos podem ficar isolados.

“O maior problema que temos é a falta de trabalho e a fome”, disse Dom Eduardo Horacio Garcia, da Diocese de San Justo, na região de Buenos Aires. Segundo ele, o sopão comunitário diocesano tem servido 11 mil refeições por dia, onze vezes mais em relação aos níveis pré-pandêmicos. A Argentina deve também renegociar sua dívida externa.

O México planejava reabrir sua economia em 1º de junho, mas os casos e mortes de Covid-19 continuam aumentando.

A pandemia de Covid-19 tem causado miséria no país, onde a economia está em crise e o número de mortos só aumenta. A Secretaria de Saúde registrou 90,664 casos de Covid-19 e 9,930 mortes até em 31 de maio.

Padres questionaram a política de saúde do México, observando que o país tem respondido com lentidão e que nunca impôs uma quarentena rigorosa.

“Se tivéssemos tido, de verdade, uma quarentena de três semanas (...) esta crise estaria controlada”, disse o Pe. Rogelio Narvaez, diretor nacional da Caritas, entidade organiza os programas de alimentação à população e de atendimento psicológico.

“Estamos enfrentando o problema de fome. Tem também um segundo problema (...) os sistemas de saúde mexicanos entraram em colapso”, disse ele.

A Colômbia, com 28 mil casos de Covid-19, até agora tem sido poupada de alguns dos problemas enfrentados pelos vizinhos Brasil e Peru.

Mas o distanciamento social e o confinamento cobraram o seu preço, com o desemprego chegando a 20% em abril, segundo dados do governo.

Em El Salvador, os idosos estão com medo do vírus, mas também temem ser um fardo econômico para os filhos que perderam o emprego nestes meses de confinamento iniciado em março, disse Yessenia Alfaro, 43 anos, coordenadora da Unbound, organização sem fins lucrativos que trabalha com famílias em todo o mundo.

Os peruanos estão autorizados a sair de casa somente para comprar alimentos ou remédios. Como apenas cerca de metade das famílias do país possui geladeiras, os moradores dos bairros mais pobres precisam comprar alimentos com mais frequência, e os mercados lotados acabaram se tornando pontos de difusão do vírus.

Na Venezuela, a desnutrição tem aumentado, já que o confinamento deixou milhares de pessoas sem trabalho. Em abril, 18% das crianças pesadas pelo programa de saúde da Caritas estavam gravemente desnutridas, segundo informou Janeth Marquez, diretora da Caritas Venezuela.

A Venezuela tem registrado relativamente poucos casos de coronavírus, porque poucos voos internacionais chegam ao país e porque a escassez de gasolina limitou a capacidade das pessoas de viajar. Mas Márquez alertou que o contágio poderá aumentar à medida que as pessoas voltem ao trabalho.

Isso seria devastador para o país, onde os hospitais há anos sofrem com a falta de dinheiro, carecem de recursos humanos e frequentemente contam com a falta de energia elétrica e água.

 

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