O mercado de trabalho antes e pós-pandemia na América Latina

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27 Mai 2020

O novo coronavírus encontrou a economia da América Latina totalmente estagnada desde 2011. As principais causas foram uma queda importante nos preços do petróleo e uma desaceleração da economia global. Existem uma série de outros fatores, por exemplo, muitas instabilidades políticas. Entretanto, para 2020, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) previa uma melhoria do crescimento econômico, embora fosse um “pibinho” regional de 1,3%. O que já dava para considerar o período de 2014-2020 o de menor crescimento para as economias da América Latina nas últimas sete décadas.

A reportagem é publicada por Observatório da América Latina.

Inicialmente, numa perspectiva mais otimista do impacto do novo coronavírus sobre a economia da região, a CEPAL estimou uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8%. No entanto, as projeções foram revisadas e caiu significativamente com o avanço da Covid-19. De acordo com o último dado, a queda será de 5,3%, levando à maior contração da atividade econômica da história da América Latina. Os anos em que houve uma contração nessa magnitude foi em 1930 (-5%), na Grande Depressão, ou até um pouco mais longe, em 1914 (-4,3%), no início da Primeira Guerra Mundial.

Com essa retração histórica, a taxa de desemprego deve saltar de 8,1 para 11,5%, o que equivale a 12 milhões de novos desempregados. Passando dos atuais 25 milhões de desempregados para 37 milhões. Se a contração econômica se aprofundar, a taxa de desemprego será maior, alerta a CEPAL. De acordo com os cálculos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a crise causou só no segundo trimestre deste ano, uma perda de cerca de 10,3% das horas de trabalho, equivalente a 31 milhões de empregos em período integral.

As estimativas sobre o impacto da pandemia de Covid-19 revelam que um dos grupos de risco da economia é os trabalhadores informais. Antes da pandemia do novo coronavírus, 158 milhões de trabalhadores estavam na informalidade, de um total de 292 milhões de pessoas empregadas na América Latina. O número equivale a uma taxa média regional de 54%, sendo que esse percentual entre os jovens de 15 a 24 anos chegou em 62,4%. Os trabalhadores informais estavam distribuídos da seguinte maneira: 59% trabalhavam por conta própria; e 31% estavam empregadas em micro e pequenas empresas com entre dois e nove funcionários.

O percentual de trabalhadores informais afetados pela crise chega a 89% na América Latina, enquanto nos Estados Árabes a 83%; na África, 73%; na Ásia e no Pacífico; e 64% na Europa e Ásia Central. O percentual elevado em relação à outras regiões do mundo deve-se por que mais de 50% de todos os trabalhadores estão empregados nos setores mais expostos à crise, como comércio e serviços na América Latina. A OIT estima que o novo coronavírus pode ter causado uma perda de 80% na renda dos trabalhadores informais na região, sendo que a média no mundo é estimada em 60%.

A perda de renda e de horas de trabalho entre as pessoas com emprego informal causará um aumento nas taxas de pobreza. O número de pessoas na situação de pobreza poderá passar dos atuais 186 milhões para 214 milhões, o que significaria um aumento de mais de 28 milhões de pessoas em relação ao ano de 2019. Isso configuraria um percentual de 34,7% latinos-americanos na situação de pobreza. Das 215 milhões de pessoas na pobreza, 83 milhões poderão estar na extrema pobreza, um aumento de 15,6 milhões de pessoas de 2019 para 2020, caracterizando 13,5% da população.

Os dados da CEPAL ainda indicam que 48% dos trabalhadores não estão filiados à um sistema de saúde. Outro dado de desproteção é que 58,4% da População Economicamente Ativa (PEA) estava fora de um sistema de previdência social antes da pandemia. Percentual que chega à 76,2% entre os trabalhadores mais pobres. Atualmente, os governos têm destinado apenas 0,7% do PIB às populações mais vulneráveis. O investimento necessário para garantir o mínimo de sobrevivência durante a pandemia aos 214 milhões de pessoas que entrarão na pobreza é de 3,4% do PIB.

Argentina, Brasil, Equador, México e Nicarágua serão os países que terão mais sua pobreza e extrema pobreza aumentada. O aumento projetado para 2020 implicará um declínio de 13 anos em redução do número de pessoas na pobreza. A CEPAL afirma que o aumento da pobreza nessa dimensão compromete “gravemente” a possibilidade de erradicar a pobreza em todas as dimensões dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030. A desigualdade de renda também deve aumentar em todos os países da América Latina, com aumentos no índice de Gini entre 0,5% e 6%.

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