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16 Outubro 2018

Quando o Papa Pio XII proclamou santo Pio X, rompeu uma tradição milenar, contemporânea da instituição do "processo de canonização", que dá estrutura jurídica ao ato em que o pontífice personifica a infalibilidade do povo de Deus. O que era importante na igreja do segundo milênio era que o "Santo Padre" fosse tal enquanto vivo: para bem poucos, a decantação do tempo teria aberto a via para os altares. Em 1954, no entanto, Pio XII decidiu canonizar um Papa que ele havia conhecido quando jovem e que com a obsessão pelos "modernistas", fornecia um modelo de repressão ao qual Pacelli queria se inspirar.

O comentário é de Alberto Melloni, historiador italiano, em artigo publicado por La Repubblica, 12-10-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Graças a esse precedente Paulo VI poderia atender a proposta de canonizar João XXIII, no concílio, sem processo, e dar à reforma do papado e da igreja o seu santo, mas ele não quis, e abriu uma causa ordinária feita para nunca ter fim.

Ele nunca teria imaginado que um seu sucessor - João Paulo II - teria acabado com todas essas prudências e reescrito a gramática da canonização: não mais casos raros em que a devoção popular é filtrada pelo poder que eterniza uma personalidade, mas expressão de uma devoção abrangente do poder que entrega ao povo personalidades para serem consumidas na hora. De modo que as únicas canonizações importantes se tornam aquelas que Wojtyla não fez: como a de monsenhor Romero, de Dom Diana, ou de Dom Puglisi.

Nessa santidade inflacionada várias causas dos Papas foram resolvidas: Roncalli santo, Pio IX beato. Ratzinger beatificou seu predecessor, depois canonizado e assinou a heroicidade das virtudes de Pio XII. Francisco deu o sinal verde para João Paulo I e agora canoniza Paulo VI.

Bergoglio, como Pio XII em 1954, canoniza o papa de sua juventude e o modelo de seu papado. Em termos de processo, muito, muito mesmo, é devido ao trabalho invisível e inestimável do padre Leonardo Sapienza, que se tornou "o Capovilla de Montini" e com uma série de pequenas obras e edições das fontes desencantou a imagem do Papa incerto, humanizando suas angústias e impulsos. Mas a decisão de Francisco não é técnica, mas de identificação.

Francisco não canoniza o Paulo VI da semana negra do concílio, da remoção de Lercaro, do plano para dividir os jesuítas, da Lex ecclesia fundamentalis. Canoniza o papa dos Evangelii nuntiandi, da viagem para a Índia, do beijo aos pés de Meliton, da exclusão dos octogenários ultraconservadores, da reforma litúrgica, do diálogo. Canoniza o Papa que os Burke dos anos 1960 chamavam de "usurpador", “antipapa" e "anticristo".

No entanto, a canonização tem um valor político. Paulo VI não goza de hostilidade como aquela italiana por Pio IX, o decapitador dos patriotas. Mas para o catolicismo da Europa expressa algo de relevante. "Papa democrata-cristão", de acordo com uma definição irreverente e exata, Montini foi o único Papa com uma consciência política democrática madura. O único a se questionar, da constituinte aos dias de Moro, não como os católicos poderiam usar a democracia onde estavam em maioria, mas como os católicos deviam construir a democracia com uma fidelidade aos princípios de liberdade que o jovem tradutor de Maritain havia aprendido e ensinado quando a igreja formava as consciências e quando, no jantar com La Pira, Dossetti e Fanfani, falava de constituição. Na vigília do grande ataque populista contra o Partido Popular Europeu e a Europa, feito ungindo com "valores" cristãos saudosismos fascistas, fazer santo Montini é um sinal muito claro.

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