São Paulo VI, após 40 anos da sua morte. Entrevista com Luigi Bettazzi

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15 Outubro 2018

“Neste dia de um sol que inexoravelmente se põe.” No dia 13 de maio de 1978, em São João de Latrão, rezando por Aldo Moro, “homem bom, manso, sábio, inocente e amigo”, Paulo VI vaticinava o seu futuro adeus, no dia 6 de agosto. Quarenta anos depois, ele é santo. O pontificado de Montini havia durado 15 anos. Suprema prova, levar a termo o Vaticano II. Dom Luigi Bettazzi, 95 anos em novembro, ex-presidente da Pax Christi, ex-bispo de Ivrea, é a última testemunha italiana do Concílio, o último prelado vivo entre aqueles que dele participaram.

A reportagem é de Bruno Quaranta, publicada por La Stampa, 14-10-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Foi Montini quem o nomeou bispo...

Pois Roncalli não tivera tempo para isso. Os malvados dirão: “Ele preferiu morrer ao invés de fazer Bettazzi bispo”.

Montini, santo após 40 anos da sua morte. Roncalli teve que esperar 51 anos. E isso que o senhor propôs a sua canonização conciliar.

Mas Montini não concordou. Ele também teria que elevar Pio XII aos altares. O que não o convencia.

Os papas santos já são um costume...

O protestante frère Roger, prior de Taizé, lamentava isso. Em vão, suplicou: “Não façam João XXIII santo. Ele se tornaria de vocês. Enquanto, agora, ele é de todos”.

Montini e o Concílio. Ele não pecou por excessiva prudência?

Ele visava conter as minorias, para não frustrar a revolução conciliar. Sobre o ecumenismo, por exemplo. Ele corrigiu o texto dos Padres: “Os irmãos separados podem se encontrar com Cristo” tornou-se “Os irmãos separados podem buscar a Cristo”. Quem busca não necessariamente encontra...

Outros exemplos de prudência?

Montini advogou para si três questões: o celibato, a pílula, a Igreja dos pobres. O celibato permaneceu, apesar de Montini, em 1949, ter declarado a Montanelli: “Também há, transigíveis, certos problemas de regulamentação do clero: o celibato... Não excluo a superação do celibato”. Distinguindo: de um lado, os viri probati, sacerdotes com esposa, que governam as paróquias; de outro, celibatários, os evangelizadores, que fundam comunidades, que ruminam e transmitem a Palavra.

A pílula e a contestada encíclica Humanae vitae.

Superada. Não se pode conceber a sexualidade apenas em função da procriação. A pastoral deve estar de acordo com a doutrina. O Papa João XXIII afirmava: “A verdade não muda, somos nós que, pouco a pouco, chegamos a compreendê-la melhor”.

A Igreja dos pobres...

Uma meta a que Francisco nos levou. Montini receava, ao formular claramente a escolha privilegiada dos pobres, expor a Igreja politicamente, correndo o risco de um paralelo com o comunismo.

Montini e a guerra. Na Gaudium et spes, não se ousa formular uma condenação total...

A pedido também de Dossetti, a condenação une como guerra total a guerra atômica, a guerra biológica, a guerra química. Manifestando o compromisso para que se possa proibir, um dia, “totalmente, qualquer recurso à guerra”. Lembro-me da intervenção sincera de Spellman: “Os nossos jovens morrem no Vietnã para defender a civilização cristã”.

Dossetti, o perito “conciliar” de Lercaro. Lercaro o queria como sucessor...

Montini tinha uma opinião diferente. Deixou de lado as vestes do diplomata com Lercaro: “Fizemos até demais enviando Pellegrino a Turim”.

Lercaro, do qual o senhor foi bispo auxiliar, caiu em desgraça após a homilia de 1º de janeiro de 1968 contra os bombardeios no Vietnã. A tal ponto que foi removido da cátedra de São Petrônio.

Uma operação da Cúria Romana. Lercaro pediu explicações. Montini não escondeu o desconforto: “Eu não saberia o que dizer...”. Tentando atenuar o sofrimento do cardeal, artífice da reforma litúrgica, ele o nomeou seu delegado no Congresso Eucarístico de Bogotá.

Wojtyla lhe repreendeu pela carta a Berlinguer (Nota de IHU On-Line: Enrico Berlinguer, secretário-geral do Partido Comunista Italiano - PCI). E Montini?

Fui interpelado por ele. Eu havia lhe contado a minha discordância acerca de alguns bispos de fora que contradiziam a linha de Pellegrino. Ele me fulminou: “Quem os indicou foi o mesmo bispo que me persuadiu a escolher Pellegrino. De todos os modos, da próxima vez, teremos o cuidado para não mandar ao Piemonte um bispo auxiliar de Bolonha”.

Montini, no funeral de Moro, depois de afirmar que “a nossa carne ressurgirá”, desejou: “Oh! Que a nossa fé se iguale desde agora a essa realidade prometida”. A Igreja, sobre a ressurreição, não sofre de amnésia?

Não agora. Francisco é o papa da alegria. E, portanto, do terceiro dia.

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