"Não se entrevista um papa": os temores de Montanelli em relação a João XXIII

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27 Novembro 2015

Chega nesta sexta-feira às livrarias italianas, pela editora Marsilio, o livro Jorge Mario Bergoglio. Risponde papa Francesco. Tutte le interviste e le conferenze stampa, editado por Giovanni Maria Vian, diretor do jornal L'Osservatore Romano.

Alguns trechos do prefácio do autor foram publicados no jornal Corriere della Sera, 25-11-2015, com um percurso histórico sobre as entrevistas concedidas pelos papas. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

"De fato, era o domingo, 31 de julho de 1892 quando uma emocionadíssima Caroline Rémy entrou no Palácio Apostólico e foi admitida na presença de Leão XIII, que lhe concedeu uma entrevista para o jornal Le Figaro, a primeira na história do papado. A entrevista se centrou em um tema de incandescente atualidade, como o antissemitismo, já crescente na Europa e principalmente na França, onde, dois anos depois, explodiria o caso Dreyfus. Na conversa, o papa foi muito prudente, limitando-se à condenação das violências contra os judeus..."

* * *

"No fim dos anos 1950, foi Indro Montanelli que se defendeu. Eis como começava o relato do seu encontro com João XXIII, ocorrido às 8h do dia 22 de março de 1959, Domingo de Ramos, em um artigo publicado uma semana depois, na terceira página, em seis colunas, do Corriere della Sera do dia 29: 'O que se segue não é uma entrevista com o Santo Padre: quem, obviamente, não pode conceder entrevistas..."

Muitos anos depois, Montanelli contou à revista 30 Giorni que a entrevista havia sido solicitada pelo secretário do pontífice, Dom Loris Capovilla, com a indicação explícita do seu nome como entrevistador, embora o jornal de Milão dispusesse do "maior vaticanista de todos os tempos, Silvio Negro. Assustado como eu", continuava Montanelli, "ficou o diretor Missiroli, que, acima de tudo, não gostou nada de que um papa concedesse uma entrevista, muito menos ao Corriere. Para ele, o papa devia falar em latim... Portanto, não entendeu a importância da coisa..."

* * *

"Bastaram seis anos, e foi completamente diferente o encontro de Paulo VI – no dia 24 de setembro de 1965, quase à noite, enquanto o Concílio entrava na sua última fase – com Alberto Cavallari, que publicou a entrevista com o pontífice no Corriere della Sera do dia 3 de outubro... De grande interesse pela figura de Montini, a entrevista de Cavallari mostra igualmente bem um mundo, o vaticano, que muda ao longo dos anos conciliares. 'Hoje – diz o papa ao jornalista – não é mais como antigamente. Hoje, milhões de pessoas não têm mais fé religiosa. Daí nasce a necessidade de a Igreja se abrir'..."

* * *

"Nas pegadas de Paulo VI moveu-se João Paulo II, graças especialmente a dois jornalistas e escritores convertidos e a dois filósofos poloneses. Assim, foram publicados N’ayez pas peur! (1982), de André Frossard, que tinha entrevistado Wojtyla poucas semanas depois do atentado do dia 13 de maio de 1981, e Cruzando o limiar da esperança (1994), onde Vittorio Messori reuniu os textos que o papa tinha pessoalmente escrito em polonês para responder a uma longa série de perguntas. Estas haviam sido concebidas para uma entrevista de televisão de uma hora para o 15º aniversário do pontificado (16 de outubro de 1993), confiada à direção de Pupi Avati, mas que não pôde ser realizada. Mas quem conseguiu entrevistar o papa para aquela ocasião, em vez disso, foi Jas Gawronski, que publicou o diálogo no jornal La Stampa do dia 2 de novembro."

* * *

"O gênero literário da entrevista se deve a Ratzinger, intelectual acostumado a debate no ambiente universitário e teólogo que quer falar com todos, utilizando 'uma linguagem límpida e clara, e, portanto, compreensível para os não adeptos aos trabalhos, que são arrastados à leitura porque descobrem respostas para perguntas em aberto desde sempre ou que sentiam de modo confuso, sem encontrar a lucidez para fazê-las', escreveu Lucetta Scaraffia. Com mais razão nas entrevistas. Assim, depois da entrevista com Messori publicada 20 anos depois da conclusão do Concílio Vaticano II, vieram as três entrevistas ao jornalista alemão Peter Seewald, reunidas em verdadeiros best-sellers: a primeira sobre o cristianismo e a Igreja Católica no século XXI (Salz der Erde, Sal da terra, em 1996, traduzida para 19 línguas); a segundo sobre fé e vida no mundo de hoje (Gott und die Welt, Deus e o mundo, 2000, traduzida para 13 línguas); a terceira, já como papa (Licht der Welt, Luz do mundo, 2010, traduzida para 28 línguas), sobre o pontificado, a Igreja e os sinais dos tempos."

* * *

"Com Bergoglio, também no que diz respeito à relação com os jornalistas, tudo mudou. E o fato de que a mudança foi imediata e radical já ficou claro no dia 28 de julho, quando, no voo de volta da viagem ao Brasil – a primeira viagem internacional do pontificado e, pelos seus conteúdos, de fato, programática –, o Papa Francisco fez uma longa coletiva de imprensa, respondendo a todas as perguntas feitas no momento pelos jornalistas sem hesitação e por quase uma hora e meia, um tempo muito longo: nesse sentido, um primeiro absoluto."

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