As raízes da Igreja pobre segundo o Papa Francisco

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09 Maio 2014

"Como gostaria de uma Igreja pobre para os pobres". O texto inspirador do pontífice é, junto com um memorável discurso do cardeal Giacomo Lercaro na Aula conciliar, um livro de Yves Congar, Per una chiesa serva e povera, agora republicado, depois de muitos anos, pela editora Qiqajon, do mosteiro de Bose.

A nota é do teólogo leigo italiano Christian Albini, em artigo publicado no blog Sperare per Tutti, 05-05-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Publicado no meio do Concílio Vaticano II, esse livro nunca perdeu a sua importância e hoje volta a ser, no rastro das palavras do papa, de extrema atualidade.

O Papa Francisco nos lembrou que o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico, nos remete ao "estilo de Deus", aquele Deus que não se revelou com os meios do poder e da riqueza, mas com os da fraqueza e da pobreza.

Yves Congar, dominicano francês que participou como teólogo do Concílio Vaticano II, nesse texto, se interroga sobre como a própria Igreja pode aplicar a si mesma aquelas exigências evangélicas que se tem a tendência de reservar aos cristãos individuais.

Todos os símbolos de prestígio – bens materiais ou posições de poder – que a Igreja desenvolveu nos séculos passados hoje não são mais compreendidos, mas continuam conservando o "valor geral de um sinal que expressa outra coisa em relação ao serviço evangélico ao qual são dedicados, aqueles que portam tantas insígnias e títulos de outro mundo! É preciso realmente se interrogar, à luz do Evangelho, sobre as consequências de todos esses sinais de prestígio".

Em um mundo profundamente marcado pela crise (não só econômica), eles não correm o risco de ser um contratestemunho?

As relações de superioridade e de subordinação que existem na Igreja, de fato, podem ser transformadas se vividas dentro de uma relação evangélica fundamental, em uma amorosa obediência de Cristo, "vivida por cada um com todos e por todos, com base na posição que o Senhor lhe deu no corpo".

O autor conclui assim o seu prefácio: "Por mais incompletos, por mais imperfeitos que sejam os estudos aqui reunidos, esperamos que, neste momento em que a Igreja inteira se olha no espelho do Evangelho e se interroga sobre a sua adequação às exigências do mundo, eles contribuam com aquela intenção de verdade evangélica de que o Concílio Vaticano II fez a sua razão profunda".

Depois de 50 anos, onde estamos?

O livro de Congar e o retorno da Igreja à pobreza evangélica serão debatidos pelo prior Enzo Bianchi (Comunidade de Bose) e pelo professor Alberto Melloni (Fundação para as Ciências Religiosas, Bolonha), no Salão Internacional do Livro de Turim, no próximo sábado, 10 de maio, às 18h30min, na Sala Bianca.

Escrevia Enzo Bianchi a propósito desse livro na revista Jesus de julho de 2013:

Na época do Concílio, entre os cristãos, estavam vivas uma atenção e uma exigência: uma atenção aos pobres e uma exigência de pobreza na Igreja. Desde sempre, a Igreja sentiu que, na mensagem do Evangelho, os pobres ocupam um lugar privilegiado, que são os primeiros clientes de direito da boa notícia, que na atitude com relação a eles, necessitados e últimos, se decide a participação no reino de Deus ou a via mortífera que não conhece a verdadeira vida.

Mas naquela época se compreendia de modo mais aprofundado que a Igreja devia ser pobre. "Por uma Igreja serva e pobre" era o título de um livro de Yves Congar, um dos grandes inspiradores do Concílio, e a recepção dessa mensagem foi tal que até foi constituído um grupo de bispos comprometidos com uma pobreza pessoal e com um estilo pobre da pastoral a eles confiada.

Era a época da emergência dos pobres no Sul do mundo, a época da descoberta das jovens Igrejas saídas do colonialismo e às quais devia ser dada uma atenção não apenas missionária, mas também às suas condições de vida e ao seu possível desenvolvimento. Uma Igreja pobre e composta por cristãos pobres, à imagem de "Jesus", que "sendo rico se fez pobre" (2Cor 8, 9), para ser solidária em tudo conosco, seres humanos necessitados de salvação e de libertação.

Quantas vezes, então, ouvimos ressoar o texto das bem-aventuranças nas comunidades cristãs, quantas vezes eram citados os Padres da Igreja – Basílio de Cesareia, João Crisóstomo, Ambrósio de Milão, Gregório Magno – pelas suas palavras sobre os pobres, sobre a necessidade de compartilhar os bens e os recursos!

Havia um acalorado debate sobre a questão da pobreza e dos pobres em inúmeras comunidades. E não podemos esquecer que alguns pastores deram às suas comunidades cristãs textos de alta qualidade teológica, textos proféticos que receberam a atenção e a aprovação de Paulo VI, ele também muito sensível à questão da pobreza no mundo. Em Roma, o abade de São Paulo Fora dos Muros, Giovanni Battista Franzoni, com La terra è Dio; em Turim, o cardeal Michele Pellegrino, com Camminare insieme; só para citar dois textos que, para os cristãos na Itália, foram inspiradores de muitas escolhas pessoais e comunitárias.

Assim, na Igreja, elaborou-se a doutrina da "opção preferencial pelos pobres", em que a opção era um dever moral, e isso pareceu se tornar, na Igreja universal, um princípio fundamental da doutrina social da Igreja.

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