A América Latina responde por mais de 40% das mortes da covid-19 há mais de 2 meses

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Francisco desafia Trump com primeiro cardeal afro-americano

    LER MAIS
  • Sem reformas, não somos mais Igreja. Entrevista com Martin Werlen

    LER MAIS
  • Surgem provas de que o Vaticano censurou o Papa Francisco em 2019

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


25 Agosto 2020

"Tanto o mundo quanto a ALC ainda possuem um longo caminho para controlar a pandemia. Provavelmente, não haverá muito alívio no ano de 2020. Mas, talvez se possa controlar o número de casos e de mortes em 2021", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e pesquisador titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 24-08-2020.

Eis o artigo.

O novo coronavírus, denominado SARS-CoV-2, começou a circular na China no final de 2019 e provocou uma reviravolta no mundo nos primeiros 8 meses de 2020. O dia 23 de agosto terminou com 23,6 milhões de casos e 812 mil mortes. No começou do ano o epicentro da covid-19 estava no leste asiático, passou para a Europa, depois os Estados Unidos (EUA) e há mais de 2 meses a América Latina e Caribe (ALC), que tem 8,4% da população mundial, responde por mais de 40% das mortes pela covid-19.

Assim, no dia 29 de fevereiro de 2020 o mundo registrou 86,6 mil casos e 3 mil mortes, sendo que a China concentrava 80 mil casos (92% do total) e 2,9 mil mortes (96% do total). Do país asiático, o coronavírus se espalhou para o mundo. Entre março e abril a Europa e os Estados Unidos (EUA) passaram a concentrar a maior parte das mortes diárias provocadas pela covid-19, mas a partir do mês de maio o destaque coube à ALC, conforme mostra a figura do jornal Financial Times, que apresenta a média móvel de 7 dias do número diário de mortes no mundo.

A forma da figura reflete o fato de que o número médio de mortes diárias no mundo era de 393 óbitos entre 15 e 21 de março, passou para 6,8 mil mortes diárias em meados de abril, caiu para 3,8 mil no final de maio e voltou a subir para 5,6 mil na semana de 13 a 19 de agosto.

A Europa e os EUA respondiam por apenas 6% das mortes diárias em 29 de fevereiro, mas deram um salto para cerca de 80% em meados de março e para 90% na primeira quinzena de abril. Todavia, ambos passaram a ter uma menor participação nos meses seguintes e na semana de 23 a 29 de junho a Europa respondia por 10% e os EUA por 12% das mortes diárias.

O grande destaque nos meses de junho a agosto foi a ALC que chegou a concentrar mais da metade dos óbitos diários no mês de junho. Entre os dias 13 e 19 de agosto a média diária de mortes foi de 5.632 óbitos no mundo e de 2.424 óbitos na ALC (43% do total global). O Peru é o país mais impactado, seguido de Brasil, México, Colômbia, Chile e Argentina.

A tabela abaixo mostra que entre os 12 países com maior número de casos da covid-19, no dia 23 de agosto, 6 são da ALC: Brasil, Peru, México, Colômbia, Chile e Argentina. O Brasil está em segundo lugar global no número acumulado de casos e de mortes. Peru, México e Colômbia estão no 6º, 7º e 8º lugares, o Chile está em 10º lugar e a Argentina em 12º lugar. Em número total de mortes o México está em 3º lugar, atrás apenas dos EUA e do Brasil e à frente da Índia.

Foto: José Eustáqui Diniz Alves/Worldemeters

Levando-se em conta o tamanho da população o Peru é um dos países mais impactados do mundo com um coeficiente de incidência de 18 mil casos por milhão de habitantes e um coeficiente de mortalidade de 837 óbitos por milhão de habitantes (atrás apenas de San Marino com 1.237 óbitos por milhão e Bélgica com 860 óbitos por milhão). O Brasil está em 11º lugar no ranking do coeficiente de mortalidade, mas deve saltar para o 4º lugar até o final do mês de setembro, pois continua com mortes diárias próximas de uma média de 1 mil óbitos em 24 horas.

A Argentina é uma grande surpresa aparecendo em 12º lugar no número de casos, pois adotou medidas bastante restritivas desde o início da pandemia e assim mesmo já tem mais de 4 vezes o número de pessoas infectadas da China. Outra surpresa é o Paraguai que era o país mais bem-sucedido da América do Sul, mas que já apresenta 13 mil casos e 192 mortes. O Uruguai e a Jamaica (com população em torno de 3 milhões de habitantes) possuem os melhores desempenhos da região, o Uruguai com 1,5 mil casos e 42 mortes e a Jamaica com 1,4 mil casos e 16 mortes.

Tanto o mundo quanto a ALC ainda possuem um longo caminho para controlar a pandemia. Provavelmente, não haverá muito alívio no ano de 2020. Mas, talvez se possa controlar o número de casos e de mortes em 2021.

Referências

LVES, JED. A pandemia de Coronavírus e o pandemônio na economia internacional, Ecodebate, 09/03/2020. Disponível aqui.

Financial Times. Coronavirus tracked: the latest figures as countries start to reopen. The FT analyses the scale of outbreaks and the number of deaths around the world. Disponível aqui.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

A América Latina responde por mais de 40% das mortes da covid-19 há mais de 2 meses - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV