Mais de 80 milionários pedem impostos sobre a riqueza para ajudar na recuperação global pós-pandemia

Foto: Pixabay

17 Julho 2020

Um grupo de 83 milionários de sete países, os “Milionários pela Humanidade”, divulgou uma carta aberta aos governos, pedindo um aumento permanente de impostos sobre os mais ricos para ajudar a pagar pela recuperação global da crise da Covid-19.

 

A reportagem é publicada por Oxfam, 13-07-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

A carta elogia os trabalhadores essenciais que estiveram na linha de frente da crise e destaca o papel que as pessoas mais ricas da sociedade podem desempenhar para ajudar a reequilibrar a economia mundial.

 

O grupo pede aos governos que aumentem os impostos sobre milionários e bilionários “imediata, substancial e permanentemente”.

 

O grupo divulgou seu apelo antes da reunião de ministros da Economia e dos governadores centrais do G20 e da reunião do Conselho Europeu Especial em Bruxelas, neste fim de semana, que devem discutir o esforço global para reconstruir as economias em um mundo pós-Covid-19.

 

Eles esperam que os políticos abordem a desigualdade global e reconheçam que os aumentos de impostos sobre a riqueza e uma maior transparência tributária internacional são essenciais para uma solução viável em longo prazo.

 

Entre os principais signatários estão o fundador do Warehouse Group, o neozelandês Sir Stephen Tindall, o roteirista e diretor britânico Richard Curtis, a produtora e herdeira estadunidense Abigail Disney, o empresário dinamarquês-iraniano Djaffar Shalchi, o cofundador estadunidense da Ben e Jerry’s, Jerry Greenfield, a investidora em startups e filantropa alemã Dra. Mariana Bozesan e o ex-diretor administrativo estadunidense da Blackrock, Morris Pearl.

 

Morris Pearl, investidor e presidente do Patriotic Millionaires, disse: “A crise da Covid-19 revelou a fragilidade do nosso sistema e mostrou que ninguém – ricos ou pobres – está em uma melhor situação em uma sociedade com desigualdade massiva e uma rede de segurança social deficiente. Devemos redefinir a nossa estrutura tributária, em prol de uma que valorize tanto a contribuição do trabalho quanto a contribuição do capital”.

 

Djaffar Shalchi, empresário, filantropo e fundador da Human Act, disse: “Juntos, questionamos a concentração da riqueza e exigimos soluções práticas para criar sociedades economicamente mais viáveis. Pessoalmente, acredito que precisamos de um imposto sobre a riqueza global de 1% sobre as pessoas mais ricas do mundo. Pessoas como eu podem pagá-lo. Isso não fará mal a ninguém e terá um impacto enorme”.

 

Mariana Bozesan, investidora europeia do ano de 2019 e filantropa disse: “Assim como a crise financeira de 2008, a pandemia da Covid-19 nos mostra que os sistemas atuais, incluindo o econômico, o financeiro e o político, não estão bem equipados para enfrentar os grandes desafios atuais. Eles estão apenas os exacerbando. Como eu cresci extremamente pobre na Romênia comunista, eu sinto um chamado profundo a fazer o possível para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e estou especialmente focada na desigualdade, na pobreza e na criação de empregos que possam restaurar a dignidade e o bem-estar em todos os níveis da sociedade”.

 

A carta foi divulgada por Patriotic Millionaires, Oxfam, Human Act, Tax Justice UK, Club of Rome, Resource Justice e Bridging Ventures, e alerta que as consequências econômicas da pandemia do coronavírus poderiam levar mais meio bilhão de pessoas à pobreza

 

Eis a carta. 

 

“Milionários pela Humanidade” 

 

Enquanto a Covid-19 atinge o mundo, milionários como nós têm um papel crucial a desempenhar na cura do nosso mundo. Não, não somos nós que cuidamos dos doentes nas unidades de terapia intensiva. Não estamos dirigindo as ambulâncias que levarão os doentes aos hospitais. Não estamos reabastecendo as prateleiras dos supermercados ou entregando comida de porta em porta.

 

Mas nós temos dinheiro, muito dinheiro. Um dinheiro que é desesperadamente necessário agora e que continuará sendo necessário nos anos pela frente, enquanto o nosso mundo se recupera dessa crise.

 

Hoje, nós, milionários abaixo-assinados, pedimos que nossos governos aumentem os impostos sobre pessoas como nós. Imediatamente. Substancialmente. Permanentemente.

 

O impacto dessa crise vai durar décadas. Isso poderia levar meio bilhão de pessoas a mais para a pobreza. Centenas de milhões de pessoas perderão seus empregos à medida que as empresas fecharem, algumas permanentemente. Já existem quase um bilhão de crianças fora da escola, muitas sem acesso aos recursos necessários para continuar seu aprendizado. E, é claro, a ausência de leitos hospitalares, de máscaras protetoras e de respiradores é um lembrete doloroso e diário do investimento inadequado feito nos sistemas de saúde pública em todo o mundo.

 

Os problemas causados e revelados pela Covid-19 não podem ser resolvidos com caridade, por mais generosa que seja. Os líderes governamentais devem assumir a responsabilidade de levantar os fundos de que precisamos e gastá-los de maneira justa. Podemos garantir que financiaremos adequadamente os nossos sistemas de saúde, de educação e de segurança por meio de um aumento permanente de impostos sobre as pessoas mais saudáveis do planeta, pessoas como nós.

 

Temos uma dívida enorme para com as pessoas que trabalham nas linhas de frente desta batalha global. A maioria dos trabalhadores essenciais é grosseiramente mal paga pelo fardo que carregam. Na vanguarda dessa luta estão os nossos profissionais de saúde, 70% dos quais são mulheres. Eles enfrentam o vírus mortal todos os dias no trabalho, enquanto carregam a maior parte da responsabilidade pelo trabalho não remunerado em casa. Os riscos que essas corajosas pessoas assumem de bom grado todos os dias para cuidar de todos nós exigem que estabeleçamos um compromisso novo e real uns com os outros e com aquilo que realmente importa.

 

Nossa interconexão nunca foi tão clara. Devemos reequilibrar o nosso mundo antes que seja tarde demais. Não haverá outra chance de fazer isso direito.

 

Ao contrário de dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo, não precisamos nos preocupar em perder nossos empregos, nossas casas ou nossa capacidade de sustentar as nossas famílias. Não estamos lutando nas linhas de frente desta emergência e temos muito menos chances de ser suas vítimas.

 

Então, por favor. Cobrem-nos impostos. Cobrem-nos impostos. Cobrem-nos impostos. É a escolha certa. É a única escolha.

 

A humanidade é mais importante do que o nosso dinheiro.

 

Eis os nomes dos signatários da carta.



Frank Arthur (US)

Richard Boberg (US)

Dr. Mariana Bozesan (Germany)

Rainier Brunet-Guilly (France)

Bob Burnett (US)

Ronald Carter (US)

Duncan Clark (UK)

Barbara Clayton (Canada)

Xandra Coe (US)

James Colen (US)

Cynda Collins Arsenault (US)

Richard Curtis (UK)

Barb Dank (US)

Alan S. Davis (US)

Pierce Delahunt (US)

Abigail Disney (US)

Tim Disney (US)

John Driscoll (US)

Karen Edwards (US)

Stephen R. English (US)

Andrew M. Faulk, M.D. (US)

Rick Feldman (US)

Thomas Ferguson (UK)

Mary Ford (US)

Patricia G. Foschi (US)

Blaine Garst (US)

Molly Gochman (US)

Jerry Greenfield (US)

Karen Grove (US)

Ron Guillot (US)

Catherine Gund (US)

Christina Hansen (Germany)

Chris Harding (UK)

James Harford (US)

John Michael Hemmer (US)

Graham Hobson (UK)

Wei-Hwa Huang (US)

Diane Isenberg (US)

Ross Jackson (Denmark)

William H. Janeway (US)

Frank H. Jernigan (US)

Kristina Johansson (UK)

Richard (Ted) LaRoche (US)

David Lee (US)

Babs Lima II (US)

Kristin Luck (US)

Amy Mandel (US)

Ané Maro (Denmark)

Patricia Martone (US)

Thomas McDougal (US)

Gemma McGough (UK)

Marie T. McKellar (US)

Judy L. Meath (US)

Terence Meehan (US)

Frans Meijer (Netherlands)

Peter Nordin (Sweden)

Magnus Persson (Sweden)

Ian Simmons (US)

Barbara Simons (US)

Diane Meyer Simon (US)

Peter Torr Smith (NZ)

John O'Farrell (US)

Gary Passon (US)

Morris Pearl (US)

Geoff Phillips (UK)

Judy Pigott (US)

Stephen Prince (US)

Liesel Pritzker Simmons (US)

Sophie Robinson Saltonstall (US)

Michael Rothman (US)

Bonnie Rothman (US)

Guy Saperstein (US)

Cédric Schmidtke (Germany)

Eric Schoenberg (US)

Robert Schram (Netherlands)

Antonis Schwarz (Germany)

Stephen Segal (US)

Djaffar Shalchi (Denmark)

Charlie Simmons (US)

Ian Simmons (US)

Gary Stevenson (UK)

Karen Stewart, PhD (US)

Julia Stone (US)

Sandor Straus (US)

Arthur Strauss, MD (US)

Ralph Suikat (Germany)

Alexandra Theriault, MD (US)

Sir. Stephen Tindall (New Zealand)

Sidney Topol (US)

Claire Trottier (Canada)

Sylvie Trottier (Canada)

Dale Walker (US)

Scott Wallace (US)

Diana Wege (US)

Terry Winograd (US)

Carol Winograd (US)

Bennet Yee (US)

Amy Ziering (US)

 

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