A propriedade é útil, não sagrada. Piketty contra as desigualdades

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12 Junho 2020

“Por muito tempo, após a queda do comunismo, paramos de pensar em como transformar o capitalismo. E hoje a crise nos chama a uma mobilização coletiva e ao compromisso de todos os cidadãos de construir um modelo econômico mais justo e sustentável". O estudioso francês Thomas Piketty fala de "socialismo participativo e compartilhamento de poder", em diálogo com Ferruccio de Bortoli no primeiro dos encontros digitais para abordar a edição 2020 da Milanesiana, programada para julho, organizada com a Fundação Feltrinelli e transmitida em streaming em corriere.it.

A reportagem é de Paola Pica, publicada por Corriere della Sera, 11-06-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

O tema escolhido para este ano pela criadora e diretora do evento Elisabetta Sgarbi é "Cores", símbolo da vida e caleidoscópio das paixões, como ela lembra antes de iniciar a primeira conversa da minissérie "Aguardando a Milanesiana", apresentada pelo diretor do Corriere Luciano Fontana, que destaca a importância da própria Milanesiana como momento de retornada para a cidade.

"As cores da economia. Capitalismo, ideologia e desigualdades" é, portanto, o título do encontro com Piketty, a quem Sgarbi e de Bortoli reconhecem, de antemão, o mérito de “ter nos despertado” da ideia de que as desigualdades são um destino inevitável, “uma resignação na qual acreditávamos ter precipitado”. Piketty responde que existe uma saída “sob condição de mobilização em todos os níveis que permita aos cidadãos se apropriarem dos temas da economia”. Em seu último volumoso livro, Capital e ideologia, a ser publicado no Brasil pela Intrinseca, o autor do Capital no século XXI (Instríseca, 2014; 2,5 milhões de cópias vendidas em todo o mundo) reflete sobre a superação das ideologias que levaram “a sacralizar o mercado e a propriedade privada”. Piketty não teoriza a renúncia às liberdades pessoais, “aliás, ele afirma, o socialismo participativo aumenta a liberdade e corrige desigualdades e injustiças”. Segundo o economista, é hora de os trabalhadores da França e da Itália participarem do poder e da propriedade “pelo direito de votar nos conselhos de administração, como acontece em quase todas as economias do norte da Europa”.

Também estimulado pelos pesquisadores da Fundação Feltrinelli Andrea Califano e Luca Cigna, Piketty defende a ideia de “uma doação mínima para todos”. Um patrimônio mínimo do qual indica o ponto inicial: 100-120 mil euros. Isso não significa, explica ele, negar as capacidades individuais: “Bill Gates - argumenta - não criou o computador sozinho. Havia todo um sistema em torno a ele que lhe permitiu a iniciativa empreendedora”, que o levou ao topo do ranking mundial da riqueza.

Mas, no conceito de propriedade privada, de Bortoli pergunta, qual é o limite? “Acredito na propriedade privada - responde Piketty - desde que não seja sacralizada e permaneça dentro de limites razoáveis, responsáveis e sustentáveis”. O passo necessário é “justiça fiscal. Os mais abastados devem ser chamados a um esforço. Nos Estados Unidos, a proposta de um imposto patrimonial para os mais ricos também encontra grande consenso no eleitorado republicano”.

A própria Europa, acrescenta, sofre de uma questão de justiça fiscal e “os países que se comportam corretamente não deveriam mais aceitar o livre comércio com aqueles que escolheram ser paraísos fiscais”. E se Bruxelas pretende combater as pressões que correm o risco de levar “mais desconfiança e novos Brexit”, pense em superar o vínculo da “falsa unanimidade”. Mesmo que, ele ironiza, “eu entenda que seja estranho votar por unanimidade contra a regra da unanimidade”. A crise da pandemia poderá acelerar as mudanças? “Já estamos colocando em discussão muitas coisas - diz Piketty -, mas devemos nos esforçar para transformar as ideologias dominantes. Não vamos subestimá-las”.

 

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