Trump e López Obrador, o par estranho

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04 Julho 2020

A visita de Donald Trump à Cidade do México em plena campanha para as eleições presidenciais estadunidenses de 2016 foi um momento crítico para a ascensão de Trump e a queda do seu anfitrião, o então presidente do México Enrique Peña Nieto. Trump anunciou, imediatamente após a reunião, que tinha forçado Peña a pagar pela construção do muro da fronteira. Peña negou, mas a reunião foi vista no México como uma humilhação nacional.

A reportagem é de Andy Robinson, publicada por La Vanguardia, 03-07-2020. A tradução é do Cepat.

Trump superou Hillary Clinton em novembro e nas eleições presidenciais mexicanas, dois anos mais tarde, o partido de Peña Nieto - o Partido Revolucionário Institucional (PRI) - foi apagado do mapa, após uma vitória espetacular de Andrés Manuel López Obrador.

Agora, a quatro meses das eleições presidenciais estadunidenses, tudo pode estar prestes a se repetir. Desta vez, a armadilha é montada em Washington. Sob óbvias pressões de Trump, López Obrador (conhecido no seu país pela sigla AMLO) visitará a Casa Branca, em 8 de julho, sua primeira viagem ao estrangeiro, desde a sua tomada de posse em 2018.

O motivo oficial do encontro é a assinatura definitiva do acordo de livre comércio entre os Estados Unidos, México e o Canadá, o T-MEC. Mas a comunidade mexicano-estadunidense - 30 milhões nascidos no México e outros 20 milhões de segunda geração - teme que Trump instrumentalize novamente o presidente mexicano para fins eleitorais.

Peña Nieto cometeu um grave erro, uma humilhação para os mexicanos, e agora AMLO nos humilhará outra vez”, disse numa entrevista telefônica Paco Moreno, líder da comunidade mexicana em Los Angeles. “Trump é um ‘bully’ (valentão) e AMLO comparece como um cãozinho”, acrescenta.

Os dois presidentes - ideologicamente opostos, mas condenados, especialmente o mexicano, a se entenderem - são um par estranho. Conhecidos pela dureza de suas invectivas, tratam-se mutuamente com luvas de seda. “Gosto mais deste tipo do que do anterior”, disse Trump.

López Obrador - que publicou um livro chamado “¡Oye Trump!”, na campanha eleitoral de 2018 - já não se mostra tão desafiador. “AMLO admira Benito Juárez, que sempre insistiu que é essencial se relacionar bem com os gringos”, disse um advogado de Monterrey.

Mas o estranho par não tem muitos fãs mexicanos, quer residam no México ou nos Estados Unidos. Jorge Castañeda, ex-secretário do Exterior mexicano e escritor, acredita que Trump aproveitará o encontro para anunciar a construção da parte definitiva do muro, um “símbolo de ódio e agressividade” ao México.

Será o resultado de uma política pusilânime com Trump desde o início do mandato de López Obrador, sustenta Castañeda. Após ser ameaçado com medidas tarifárias, o mexicano resolveu uma dor de cabeça para Trump ao permitir que os refugiados centro-americanos permanecessem no seu país, enquanto solicitam asilo nos Estados Unidos.

Mas há diferenças entre a humilhação de Peña Nieto, em 2016, e a decisão de López Obrador em participar da reunião deste mês. Graças às suas concessões em áreas da migração, AMLO abriu espaço para outras políticas que, certamente, teriam sido alvo dos duros ataques de Trump.

López Obrador parou a reforma energética de Peña Nieto que dava acesso aos campos do golfo do México às grandes companhias petrolíferas do Texas. Trump fez vista grossa e não puniu o mexicano por se opor à política estadunidense na Venezuela, nem pela possível venda de gasolina mexicana a Maduro. Para frustração da Bolívia, Trump não se opôs publicamente à decisão do México de conceder asilo a Evo Morales.

AMLO se opôs ao candidato estadunidense a presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o neoconservador de Miami, Mauricio Claver Carone. Trump não protestou. Não houve sequer uma censura quando o presidente mexicano libertou o filho do narcotraficante Chapo Guzmán para evitar mortes, no ano passado, em Culiacán.

AMLO tem administrado sua relação com Trump de uma forma pragmática. Sabe que Trump tem melhores cartas e precisa se acomodar às suas exigências e ameaças”, diz Peter Hakim, analista do grupo de análises Interamerican Dialogue, em Washington.

Com o encontro com Trump, Marcelo Ebrard, experiente secretário do Exterior mexicano e artífice da estratégia geopolítica de López Obrador, pode ter conseguido ressuscitar a astuta “política de equilíbrios” dos governos do PRI, dos anos 1970, que mantiveram excelentes relações com Cuba, ao mesmo tempo em que apoiavam Washington na ONU.

AMLO insiste em que a visita a Washington será apenas para ratificar um grande acordo comercial, de suma importância no momento em que a pandemia deixa a indústria mexicana em uma posição delicada. “Não vou por questões políticas, eleitorais, é uma visita de Estado”, insistiu.

A verdade é que se Trump conta com a reunião para melhorar sua péssima classificação entre o eleitorado latino - principalmente de origem mexicana -, certamente erra. “Os mexicanos já decidiram. (Joe) Biden fará um melhor resultado do que Hillary Clinton”, afirma Paco Moreno.

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