Padres casados? Papa Francisco nunca mudou de ideia

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12 Fevereiro 2020

Não os chame de viri probati. Ou seja, de homens idosos casados, estimados pela comunidade, que são ordenados padres para suprir a falta de clérigos. Essa era uma hipótese da véspera do Sínodo dos bispos sobre a Amazônia, depois abortada ainda no debate na assembleia.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada em Il Fatto Quotidiano, 11-02-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ao término dos trabalhos, a proposta votada por uma grande maioria foi bem diferente: ordenar padres os diáconos permanentes, isto é, homens casados que já receberam o primeiro dos três graus do sacerdócio sacramental. Mas, no fim, o sinal de “pare” veio do Papa Francisco em pessoa.

Há quem fale de um pontífice conservador, progressista fingido, retrógrado, medroso, que, depois de ter jogado a bola para a frente, agora recua. Nada disso.

Bergoglio nunca mudou de ideia. Ontem em Buenos Aires e hoje em Roma. Ele sempre foi o principal inimigo da clericalização dos leigos, tanto na Argentina quanto na cátedra de Pedro. E ele explicou isso várias vezes, contando sobre padres que, de vez em quando, iam ao seu encontro, quando ele era cardeal arcebispo de Buenos Aires, e lhe propunham que ele ordenasse como diácono permanente um leigo devoto e muito engajado na paróquia.

Francisco, como autêntico intérprete da eclesiologia do Concílio Ecumênico Vaticano II, sempre defendeu a importância dos leigos católicos engajados na sociedade. E não a sua clericalização.

As pressões desses meses de espera pela exortação apostólica pós-sinodal sobre a Amazônia demonstram como aqueles que tentaram puxar o papa pela batina não conhecem profundamente o seu magistério. Bergoglio é um jesuíta de 83 anos que sempre se manteve firmemente coerente com a sua formação religiosa e sacerdotal.

Quem começou tais pressões foram o cardeal Camillo Ruini, vigário emérito de Roma e ex-presidente da Conferência Episcopal Italiana, seguido pelo coirmão Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

O purpurado africano chegou a trazer à tona o Papa Emérito Bento XVI, fazendo com que ele aparecesse como o principal opositor do magistério “aberturista” de Francisco. Nada mais falso, embora quem pagou toda a conta foi Dom Georg Gänswein, prefeito da Casa Pontifícia, pelo menos no papel, e secretário de Ratzinger.

No discurso de encerramento do Sínodo sobre a Amazônia, Bergoglio havia sido muito claro, pedindo um “favor” da mídia. Ou seja, “que, na divulgação que vocês farão do documento final, detenham-se sobretudo nos diagnósticos, que é a parte mais consistente, que é a parte em que realmente o Sínodo se expressou melhor: o diagnóstico cultural, o diagnóstico social, o diagnóstico pastoral e o diagnóstico ecológico. Porque a sociedade deve se encarregar disso. O perigo pode ser que, às vezes, vocês se detenham, talvez – é um perigo, não estou dizendo que vocês vão fazer isso, mas a sociedade pede isso –, em ver o que decidiram naquela questão disciplinar, o que decidiram naquela outra, qual partido venceu e qual perdeu. Ou seja, em pequenas coisas disciplinares que têm a sua importância, mas que não fariam o bem que esse Sínodo deve fazer. Que a sociedade se encarregue do diagnóstico que nós fizemos nas quatro dimensões. Eu pediria que a mídia fizesse tudo isso. Sempre há um grupo de cristãos de ‘elite’ que gosta de se intrometer, como se fosse universal, nesse tipo de diagnóstico. Nas coisas menores, ou naquele tipo de resolução mais disciplinar intraeclesiástica, não digo intereclesial, intraeclesiástica, para dizer que venceu esta ou aquela outra seção. Não, todos vencemos com os diagnósticos que fizemos e até onde chegamos nas questões pastorais e intraeclesiásticas. Mas não nos fechemos nisso”.

Leia a íntegra da Exortação aqui.

Assista ao vídeo, em italiano, da apresentação da Exortação Querida Amazônia

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