O recuo do Papa Francisco: não haverá espaço para padres casados na exortação apostólica

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12 Fevereiro 2020

A notícia era esperada para esta quarta-feira, 12 de fevereiro, mas a agência de imprensa dos bispos dos EUA, Catholic News Service, antecipou que não haverá no texto as aberturas solicitadas em grande maioria pelos prelados da Amazônia. Nada de fato, portanto, depois de que o Sínodo, em outubro de 2019, com 128 placets contra 41 non placets, havia pedido a ordenação de homens casados.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada em Il Fatto Quotidiano, 11-02-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nenhuma abertura aos padres casados. Quem anunciou isso foi o próprio Papa Francisco, falando a um grupo de bispos estadunidenses em visita ao Vaticano. A 24 horas da publicação da esperadíssima exortação apostólica pós-sinodal sobre a Amazônia, Bergoglio, de acordo com a agência de imprensa dos bispos dos EUA, Catholic News Service, antecipou que não haverá no texto as aberturas pedidas em grande maioria pelos prelados daquela região.

Para o bispo de Salt Lake City, Dom Oscar Azarcon Solis, o papa deu aos prelados a impressão de que o tema de remediar a carência de sacerdotes em algumas partes remotas da Amazônia com a ordenação sacerdotal de diáconos casados será objeto de um discernimento futuro, mas não atual.

O arcebispo de Santa Fe, Dom John Charles Wester, explicou que, em essência, o papa disse que, sobre o tema da ordenação dos padres casados, ele não sentiu que o Espírito Santo estivesse atuando neste momento.

Portas fechadas também para as mulheres diáconas e para o rito amazônico, duas propostas que surgiram durante o debate dos padres sinodais.

Nada de fato, portanto, depois que o Sínodo, em outubro de 2019, com 128 placets contra 41 non placets, havia pedido a ordenação de homens casados. Para os padres sinodais, “Considerando que a legítima diversidade não prejudica a comunhão e a unidade da Igreja, mas a manifesta e serve (LG 13; OE 6) o que atesta a pluralidade dos ritos e disciplinas existentes, propomos estabelecer critérios e disposições por parte da autoridade competente, no âmbito da Lumen gentium 26, para ordenar sacerdotes a homens idôneos e reconhecidos pela comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam uma formação adequada para o presbiterado, podendo ter uma família legitimamente constituída e estável, para sustentar a vida da comunidade cristã mediante a pregação da Palavra e a celebração dos Sacramentos nas áreas mais remotas da região amazônica. A este respeito, alguns manifestaram-se a favor de uma abordagem universal da questão”.

É um esclarecimento não insignificante que acolhe a proposta que surgiu durante o debate de convocar no futuro um Sínodo dos Bispos sobre o celibato sacerdotal. E é muito provável que o papa tenha feito referência justamente a esse pedido para adiar a sua decisão sobre a questão dos padres casados.

Nesses meses de espera, a pressão para que Bergoglio não aceitasse essa proposta dos padres sinodais foram muito fortes. Começando pelo cardeal Camillo Ruini, ex-presidente da Conferência Episcopal Italiana. “Na Amazônia, e também em outras partes do mundo – explicou o purpurado –, há uma grave carência de sacerdotes, e as comunidades cristãs geralmente permanecem desprovidas da missa. É compreensível que haja um impulso para ordenar sacerdotes diáconos casados, e foi nesse sentido que o Sínodo se orientou majoritariamente. Na minha opinião, porém, trata-se de uma escolha equivocada. E espero e rezo para que o papa, na próxima exortação apostólica pós-sinodal, não a confirme”.

Ainda mais premente foi o pedido feito por Bento XVI e pelo cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em um controverso livro a quatro mãos, do qual o papa emérito retirou a assinatura depois das polêmicas. Tanto Ratzinger quanto o purpurado defendem o celibato sacerdotal, apelando a Francisco que não se abra aos padres casados.

Mas o próprio Bergoglio, sobre esse ponto, bem antes do Sínodo sobre a Amazônia, tinha sido muito claro. “Lembro-me – disse o papa – daquela frase de São Paulo VI: ‘Prefiro dar a vida antes de mudar a lei do celibato’. Lembrei-me dela e quero dizê-la, porque é uma frase corajosa, em um momento mais difícil do que este, 1968, 1970... Pessoalmente, acho que o celibato é um dom para a Igreja... Não concordo em permitir o celibato opcional, não”. Palavras claras que agora retornam na sua exortação apostólica.

Leia a íntegra da Exortação aqui.

Assista ao vídeo, em italiano, da apresentação da Exortação Querida Amazônia

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