''Estou confiante: a reforma do celibato será feita, caso contrário as vocações entrarão em colapso.'' Entrevista com Adriana Valerio

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07 Junho 2019

Padres celibatários: nem sempre foi assim. Pedro, o primeiro papa da história, era casado; Paulo, solteiro apaixonado por Deus, considerava-se uma exceção entre os discípulos de Cristo.

A teóloga Adriana Valerio, professora de história do cristianismo na Universidade Federico II, de Nápoles, reconstrói as razões que levaram definitivamente a Igreja, com o Concílio Lateranense II (século XII), a excluir do matrimônio os presbíteros do rito latino (é diferente o caso das comunidades católicas orientais). Seu ponto de vista é particular, de uma estudiosa, além de esposa de padre.

A reportagem é de Giovanni Panettiere, publicada por Quotidiano.net, 03-06-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Professora, como é que, no século XII, a Igreja escolheu o caminho do celibato obrigatório no Ocidente?

A concepção negativa da mulher e da sexualidade, unida à necessidade de não desperdiçar o patrimônio eclesiástico através dos laços familiares, levaram a pedir o serviço sacerdotal especialmente aos monges e, depois, a exigir dos padres o celibato como condição essencial para o exercício presbiteral.

Atualmente, o clero está se reduzindo cada vez mais, mas a Santa Sé não pretende revisar aquela que continua sendo uma disciplina de direito humano, não divino. Como você explica essa relutância?

Por um lado, há o orgulho de se sentir como “super-humanos” que, ao contrário dos outros, conseguem resistir ao apelo da chamada “carne”. Por outro, registra-se a necessidade de ter em mãos uma categoria humana manobrável, porque não está sujeita às necessidades da cotidianidade de uma vida familiar normal. Essa superioridade, sentida em relação aos leigos, envolve uma espécie de separação de castas com privilégios respectivos.

Questões hereditárias, que no passado induziram a negar as bodas aos padres, hoje também desaconselham a modificar o direito canônico?

Sim, esse aspecto não deve ser esquecido.

Você está confiante com uma reforma no futuro?

Estou, pelo menos por causa da necessidade de não ver o número de sacerdotes reduzido a tal ponto que não possam mais responder às necessidades cada vez maiores da evangelização e de serviço litúrgico aos fiéis. Acredito que uma consideração positiva e paritária da mulher também ajudará nesse sentido.

 

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