Greta Thunberg conquista a cúpula do clima de Madri quase sem dizer uma palavra

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11 Dezembro 2019

“Somos mais populares que Jesus”, disse o beatle John Lennon em 1966, sobre terem “mais influência sobre a juventude do que qualquer outra coisa”. Exceto as distâncias, o mesmo conceito poderia se aplicar a ativista sueca Greta Thunberg em relação a todos os líderes políticos que passam nestes dias pela Cúpula do Clima de Madri. Falou apenas em poucas aparições na conferência oficial e, no entanto, sua mensagem ressoa e se espalha toda vez que aparece. Greta Thunberg devora a COP25 de Madri, antes mesmo de que cheguem os responsáveis pelo fechamento das duas semanas de negociações desta cúpula mundial.

A reportagem é de Raúl Rejón, publicada por El Diario, 09-12-2019. A tradução é do Cepat.

Essa adolescente de 16 anos não precisa falar muito para chamar a atenção e ampliar a mensagem daqueles que aparecem ao seu lado, seja um jovem violinista russo ou um adolescente dos povos indígenas dos Estados Unidos. Um bom número de políticos tem tentado voltar o seu olhar para quem queira atendê-los, mas a figura única da ativista sueca mobiliza a conferência sem a necessidade de mais autofalantes. Nesta segunda-feira, bastou Thunberg anunciar sua presença em um evento com jovens do sul do mundo para pôr de pernas para ar o centro de convenções. Sua presença foi suficiente para encher a sala.

Dentro do salão onde estava previsto o ato, uma hora antes do compromisso, aconteciam duas apresentações iniciais sobre pesca sustentável e o impacto da mudança climática em áreas vulneráveis. Os oradores não podiam esperar que a aglomeração para suas intervenções ia ser de nível estrela ambiental. Grande parte da plateia estava esperando a chegada da adolescente sueca. Mas, lá estavam.

Foco sem trégua

Então, um desses palestrantes aproveitou a oportunidade para lançar sua ideia resumida: “A transição verde está repleta de atividades nada verdes”, explicou sobre a extração de lítio no triângulo do Chile, Bolívia e Argentina que expulsa os habitantes dessas regiões. “Ainda temos três minutos antes da próxima conferência”, continuou seu companheiro, aproveitando os últimos momentos em frente ao microfone. “A melhor fórmula para proteger a Amazônia são as reservas indígenas”. Mas, a polícia da ONU já estava tomando posições na sala para ordenar: “Todo mundo fora!”. Chegava a vez de Greta e seus companheiros.

O foco que se coloca sobre Thunberg toda vez que aparece na COP não diminuiu desde a última sexta-feira, onde apareceu de surpresa na Ifema (feira de Madrid), assim que chegou à Espanha, vindo de Lisboa. As correrias atrás dela pelos pavilhões fizeram com que se refugiasse em locais fechados. Tinha ido participar de uma sessão do seu grupo, Fridays for Future. Mais tarde, na manifestação em massa convocada pela cúpula alternativa, a polícia protegeu Thunberg porque a aglomeração ao seu redor a impediu de avançar.

E, no entanto, Thunberg parece escolher corretamente como se movimentar e quais mensagens pode ampliar. Pelo menos nesta segunda-feira, deu grande ressonância a um grupo de meninos e meninas especialmente afetados pela crise climática. De países e regiões geralmente pouco ouvidas.

Jovens de Uganda, Ilhas Marshall, Filipinas, Chile ... cujos representantes vêm às cúpulas climáticas, ano após ano, com uma mensagem semelhante, mas com um impacto muito menor. Ela disse que é a história deles que deve ser contada. Diante de um fórum repleto de câmeras e veículos de comunicação de todo o mundo, essa história foi contada. E, desta vez, amplamente escutada.

Há um ano, na COP24, em Katowice (Polônia), o presidente das Ilhas Marshall fez um apelo quase desesperado ao perceber que a ciência havia estabelecido a necessidade de “medidas urgentes e sem precedentes” para conter o aquecimento da Terra em 1,5 grau. Seu país tem uma altura máxima de 10 metros, portanto, o aumento contínuo do nível do mar se traduz em simplesmente o desaparecimento. Seu discurso teve um impacto limitado. A frase de Thunberg, em setembro, em Nova York: How dare you! (como você se atrevem) foi colocada em um banner , sexta-feira passada, enquanto centenas de milhares marchavam pelo clima no centro de Madri.

Efeito multiplicador

Nesta segunda-feira, foi o Dia da Infância e da Juventude na cúpula. A jornada em que foi realizada a assinatura da Declaração sobre Infância, Juventude e Ação Climática promovida pelo Unicef. Um cenário ideal para Greta Thunberg. De fato, havia sido anunciado sua participação neste fórum, dias antes. Depois do vai e vem vivido pela COP em sua primeira intervenção do dia, alguém (não foi dito quem, nem como, ou se foi ela mesmo) decidiu que não voltaria a sair em público. Mas foi uma modificação de última hora, então a sala estava lotada novamente. Ainda havia uma fila nas portas para assistir, quando o evento estava a ponto de ser concluído.

As reprovações de um grupo de jovens à inação dos políticos, sua reclamação de que “os adultos atuam como crianças”, ressoaram com dezenas de câmeras e microfones reproduzindo-as. Um derivado do efeito Thunberg, que serviu para que a encarregada especial da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, admitisse que em Madri é preciso encontrar uma maneira de que as “reinvindicações da rua sejam refletidas nos corredores do poder. Muitos jovens estão enfurecidos com a forma como governos, empresas e adultos tem falhado na luta contra a mudança climática”, admitiu.

Doutrina Thunberg na veia, sem sequer ter que comparecer.

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