Com o papa e com Greta para salvar a Terra. Entrevista com Carlo Petrini

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15 Outubro 2019

O Papa Francisco o convidou pessoalmente para o Sínodo para a Amazônia. Entre bispos e cardeais provenientes de todo o mundo para refletir sobre questões e problemas do ambiente, o pontífice quis que ele também estivesse lá. Carlo Petrini é fundador e presidente do Slow Food e da Universidade de Ciências Gastronômicas de Pollenzo. “Carlin” está presente como auditor, sem direito a voto, mas com a possibilidade de intervir. E falou nesta segunda-feira, 14.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada em La Stampa, 13-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Como está indo o Sínodo?

Antes disso, deixe-me lhe dizer que nunca na minha vida eu pensaria em participar de uma assembleia de bispos. É uma experiência enriquecedora, com uma organização excelente. A impressão é de participar de um acontecimento importante para toda a humanidade, não só para a Igreja.

O que mais lhe impressionou?

Existem bispos da fronteira, que estão “in loco”: nas suas terras eles têm diante de si uma fatia de mundo problemático, com milhares de disfunções de todos os tipos. Administram dioceses com milhares de quilômetros quadrados, extensões incríveis, centenas de aldeias, migrações contínuas . E, depois, com todas as enormes questões dos povos indígenas.

Pode nos explicar?

Há muitos anos, essas populações foram forçadas a violências terríveis, formas de prevaricação de um capitalismo extrativista que só pensa em tomar, depredar as riquezas, humilhando as pessoas.

Como esses fenômenos são abordados pelos prelados?

Além do ponto de vista religioso, para fortalecer o diálogo pastoral dentro da Igreja, a discussão também está se desenvolvendo com uma perspectiva ambientalista, social e política. A Igreja do Papa Francisco está dando uma forte demonstração de abertura aos problemas reais, concretos e cotidianos do mundo.

Mas isso diz respeito apenas à região pan-amazônica?

Não. A Amazônia é espelho da humanidade. O contexto do debate e das reflexões é sul-americano, mas o escopo vai além da contingência geográfica. Tem valor universal.

O que mais lhe surpreendeu até agora?

Ouvir falar em diálogo inter-religioso. No nosso imaginário, é ecumênico – por exemplo entre católicos e protestantes – o com o Islã. Em vez disso, na Amazônia, significa que se dá valor à religião indígena. Isso é uma novidade absoluta. Antes do Concílio Vaticano II, os indígenas nem eram considerados como portadores de uma religiosidade. Estamos assistindo a uma mutação de uma organização milenar como a Igreja, que se impõe problemáticas extremamente modernas e sensíveis. Sinto-me como uma testemunha ocular de um momento histórico.

Crentes ou não, que mensagem de Francisco deveria ser escutada, acima de tudo?

A da encíclica Laudato si’, que ele está tentando aplicar em escala planetária. O escopo desse documento ainda não foi bem entendido e metabolizado.

Pode nos ajudar a compreender?

É um texto revolucionário e de grande atualidade sobre o qual é preciso trabalhar e agir juntos, crentes e não crentes, em favor da salvaguarda da saúde humana, do ambiente, do trabalho agrícola, especialmente das populações dos continentes mais pobres, do sustento da casa comum em nível global. É um documento de ecologia integral que diz respeito à sociedade e ao ser humano como um todo.

O que é a ecologia integral?

A conexão fundamental entre o ambiente e a saúde.

Quais são as urgências ambientais?

Crise climática, perda de biodiversidade, biossistemas em colapso. Estamos indo rapidamente para o abismo. Os movimentos ecológicos dos jovens, como o de Greta Thunberg, fazem muito bem em solicitar com força de políticos e instituições de todos os países: não podemos mais fingir que não está acontecendo nada.

Existe também uma questão feminina?

Sim, e grande. É um limite que ainda não foi resolvido, também e especialmente na Igreja. As mulheres ainda não receberam definitivamente o papel social e público que merecem.

A Igreja está no caminho certo?

Pelo menos, é encorajante o fato de ouvir que, no debate dos Padres sinodais – todos rigorosamente homens – essas faltas são reconhecidas.

O que o senhor dirá na sua intervenção no Sínodo?

Vou falar do alimento como um poderoso elemento de relação, evidenciando o conceito da soberania alimentar, decisiva para o nosso futuro e garantida hoje em grande parte pelas pessoas mais humildes: mulheres e indígenas.

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