Amazônia. “Todo mundo vê as queimadas, mas há décadas se derrubam árvores em silêncio”, denuncia bispo de Parintins

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28 Agosto 2019

A palavra do bispo da diocese de Parintins, no coração da Amazônia brasileira.

“Outro dia, um barco de várias dezenas de metros, transbordando de toras cortadas e empilhadas, passou sob meus olhos. Aqueles que deveriam fiscalizar, quando a carga passa, viraram-se para o outro lado". Giuliano Frigeni, nascido em Bergamo, vive no Brasil há 40 anos e é bispo da diocese de Parintins há 20 anos, no coração da Amazônia brasileira. O missionário PIME, envolvido com os mais necessitados e também com os índios que povoam sua diocese, quase ri porque agora o mundo, de repente, parece ter descoberto o ovo de Colombo.

A entrevista é de Andrea Guerra, publicada por La Repubblica, 26-08-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Estamos realmente diante de uma emergência?

Isso vem acontecendo há décadas. Na realidade, os incêndios podem ser vistos, os incêndios lançam fumaça e os satélites tiram fotos. Mas ninguém vê quando se entra na floresta e se depara com enormes caminhões e tratores para derrubar e destruir: porque antes das chamas sempre há alguém que aniquila, silenciosamente.

 E por que todo mundo agora fala sobre isso?

Eu me perguntei isso também. Talvez a única diferença seja que agora o nosso presidente Bolsonaro deixou desguarnecido seu flanco, permitiu ser atacado, justamente. Mas não é verdade que antes isso não acontecia.

A culpa é dele?

É culpa de todos. Os políticos não controlam. Mas eu aponto o dedo principalmente contra quem queima: quem faz isso não pensa no desastre ecológico que está criando, não pensa em seus filhos, não pensa em seus netos, não pensa no bem desta terra maravilhosa e, inclusive, delicada.

Quem são eles?

Eles vêm de muito longe, do sul do país ou do exterior: têm milhões e milhões de dólares à disposição e querem terras para plantar a soja. Hoje tudo gira em torno da soja. Isso já aconteceu em outros estados brasileiros. Tomemos, por exemplo, o Paraná: Londrina já foi considerada a capital cafeeira do mundo, hoje você vê apenas campos de soja. Esse drama está no palco há anos. Mas você sabe o que é bom? Que a floresta sempre tenta renascer, sempre se esforça ao máximo para ocupar o espaço.

A Igreja se expressou com dureza, o senhor confirma?

A Igreja local sim. Mas em outubro, em Roma, haverá o Sínodo na Amazônia convocado pelo Papa Francisco. É uma ocasião importante para reafirmar o valor da criação. O Papa Francisco já fez isso com a sua Laudato Si’. Mas espero que se fale também de outras coisas: aqui não apenas se queima a floresta, mas principalmente os jovens, perdidos em álcool e drogas. Estamos alcançando recordes negativos de suicídios entre os jovens. É preciso ir além, dar esperança, à floresta e ao seu povo.

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