“Este pulmão de florestas é vital para o nosso planeta”. A preocupação do Papa Francisco com incêndios na Amazônia

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26 Agosto 2019

O Papa manifestou hoje no Vaticano a sua preocupação com os incêndios que atingem a Amazônia, sublinhando que os problemas na região têm um impacto global.

“Estamos todos preocupados pelos vastos incêndios que deflagraram na Amazônia. Rezemos para que, com o compromisso de todos, sejam dominados o mais rapidamente possível. Este pulmão de florestas é vital para o nosso planeta”, referiu Francisco, numa intervenção sublinhada pelos presentes na Praça de São Pedro com uma salva de palmas, após a recitação dominical da oração do ângelus.

A informação foi publicada por Agência Ecclesia, 25-08-2019.

O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazônia a região mais afetada; esta é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta, incluindo territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, autorizou esta sexta-feira o recurso às Forças Armadas para combater os incêndios na Amazônia, no período entre 24 de agosto e 24 de setembro, com “ações preventivas e repressivas contra delitos ambientais”, bem como para “levantamento e combate a focos de incêndio”.

A 17 de junho, o Vaticano denunciou num novo documento sobre a Amazônia a exploração levada a cabo por interesses econômicos que ameaçam o “pulmão do planeta” e os direitos dos povos indígenas.

A vida na Amazônia está ameaçada pela destruição e exploração ambiental, pela violação sistemática dos direitos humanos elementares da população amazônica. De modo especial a violação dos direitos dos povos originários, como o direito ao território, à autodeterminação, à demarcação dos territórios e à consulta e ao consentimento prévios”, assinala o documento de trabalho da assembleia especial do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, que o Papa convocou para outubro.

O texto conta com o contributo das comunidades locais, que apontam o dedo a “interesses econômicos e políticos dos setores dominantes”, em particular “empresas extrativistas, muitas vezes em conivência, ou com a permissividade dos governos locais, nacionais e das autoridades tradicionais”.

Entre as ameaças elencadas estão “os grandes interesses econômicos, ávidos de petróleo, gás, madeira, ouro, monoculturas agroindustriais”, bem como “megaprojetos de infraestruturas, como as hidroelétricas e estradas internacionais, e atividades ilegais vinculadas ao modelo de desenvolvimento extrativista” de minérios.

Já em agosto, o Papa disse que o próximo Sínodo especial sobre a Amazônia é uma resposta da Igreja Católica a preocupações religiosas e ambientais, numa região decisiva para a sobrevivência da humanidade.

“Não é uma reunião de cientistas ou de políticos. Não é um parlamento: é outra coisa. Nasce da Igreja e terá missão e dimensão evangelizadora. Será um trabalho de comunhão conduzido pelo Espírito Santo”, explicou, em entrevista publicada pelo jornal italiano ‘La Stampa’.

A reunião de bispos foi anunciada pelo Papa a 15 de outubro de 2017 e vai refletir sobre o tema ‘Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral’, de 6 a 27 de outubro deste ano.

“A ameaça à vida das populações e do território deriva dos interesses econômicos e políticos dos setores dominantes da sociedade”, sustenta Francisco, sublinhando que a desflorestação significa “matar a humanidade”.

O tema voltou a ser referido no encontro de oração com peregrinos, esta manhã, num momento em que vários líderes internacionais e religiosos se têm manifestado sobre a vaga de incêndios na Amazônia.

Perante milhares de pessoas reunidas no Vaticano, o Papa falou também das exigências da fé, segundo os ensinamentos de Jesus Cristo, na oração e na caridade.

“Com a graça de Deus, podemos e devemos gastar a nossa vida pelo bem dos irmãos, lutar contra qualquer forma de mal e de injustiça”, disse Francisco, que se despediu com os tradicionais votos de “bom domingo” e “bom almoço”.

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