Sínodo sobre a Amazônia: "Novos caminhos para a Igreja e para a ecologia integral"

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17 Julho 2019

A segunda parte do Instrumentum laboris para o Sínodo "Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para a ecologia integral" é precedido por esta citação de Laudato Si':

"Proponho - escreve o Papa Francisco - fazer uma pausa agora para refletir sobre diferentes elementos de uma ecologia integral-ambiental, econômica e social" (LS 137-138).

Esta parte do documento é composta de nove capítulos sob o título "Ecologia integral: o grito da terra e dos povos".

O comentário é do Monsenhor Ettore Malnati, Vigário episcopal para o laicato e a cultura da Diocese de Trieste, publicado por La Stampa, 10-07-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

A intenção do Instrumentum laboris, documento que os Padres Sinodais terão como plataforma para a sua reflexão e para uma adequada perspectiva de uma concreta evangelização e tutela promocional dos territórios e povos da Amazônia, é a de realizar "com urgência uma conversão ecológica integral". (n.44).

O que o Papa Francisco entende por "ecologia integral"?

Na encíclica Laudato si', o Papa Francisco dedica o quarto capítulo a apresentar seu pensamento sobre os diversos elementos de uma ecologia integral, que obviamente inclui uma economia ambiental, social e cultural da vida cotidiana e o princípio do bem comum (LS n. 137-162).

Poderíamos dizer que o Papa Francisco por ecologia integral entende aquele percurso ambiental e antropológico que se torna uma abordagem social. "Deve-se integrar a justiça nas discussões sobre o meio ambiente, para ouvir o grito da terra como o grito dos pobres" (n. 46). Pois bem, para promover uma ecologia integral na vida de todos os dias da Amazônia, é preciso compreender também a noção de justiça e comunicação intergeracional, que inclui a transmissão da experiência ancestral, cosmologias, espiritualidades e teologias dos povos indígenas, em volta do cuidado da Casa Comum” (n. 49). Esta passagem do Instrumentum laboris deve ser seriamente considerada, não somente pelo Sínodo, principalmente para conhecer o patrimônio ambiental, cultural, social, espiritual e teológico dos povos do território amazônico. Não parar para avaliar corretamente isso significaria dificultar ou impossibilitar a recepção adequada de qualquer projeto de ecologia humana ou ambiental. Trata-se principalmente, por parte da comunidade internacional e das comunidades cristãs, de "denunciar a violação dos direitos humanos e a destruição extrativista" (n.56c) e para a Igreja elaborar "programas de formação formais e informais sobre a Casa Comum para o agentes pastorais e para os fiéis, abertos a toda a comunidade, em um esforço de formação das consciências" (n.56b).

O Instrumentum laboris oferece argumentos concretos de credibilidade para uma mudança de curso ou conversão na continuidade do espírito evangélico das preocupações do Magistério da Igreja com os últimos, as periferias e a promoção dos direitos humanos para cada pessoa. Essas preocupações e atenções não podem ser estigmatizadas como estranhas à missão específica dos discípulos de Cristo, que é a evangelização, e que não pode prescindir da proteção da terra que o Criador confiou à humanidade (Gn 1:28), como é indicado pela teologia católica da criação e pela antropologia da cura, presente na vida pública de Jesus e em todo o Magistério social da Igreja e do Concílio Vaticano II. Na constituição pastoral Gaudium et Spes, o magistério conciliar indica claramente que "para satisfazer às exigências da justiça e da equidade, é necessário esforçar-se energicamente para que, respeitando os direitos das pessoas e a índole própria de cada povo, se eliminem o mais depressa possível as grandes e por vezes crescentes desigualdades econômicas atualmente existentes, acompanhadas da discriminação individual e social.”(GS n. 65).

Assumir a sério o drama das populações e do território da Amazônia é uma consequente tomada de consciência também dessa precisa indicação do Concílio Vaticano II. Dar voz àqueles que não têm voz não responde a essa ou aquela ideologia, mas à sensibilidade evangélica que sempre esteve presente, ao lado da fragilidade humana, na missão da igreja.

Cuidar dessas populações vulneráveis e, portanto, denunciar os "senhores do narcotráfico", da violência contra as mulheres e as atividades ilegais vinculadas ao modelo de desenvolvimento extrativista (cf. n. 59) é uma das atitudes pastorais que a Igreja não pode ignorar ao encarnar sua mensagem de fé e caridade para ser um sinal concreto de esperança entre os últimos. Algumas das sugestões indicadas pelo Instrumentum laboris podem remover os povos indígenas da exploração e do isolamento no estilo de justiça, da socialidade e da espiritualidade. Menciono apenas alguns dos indicados pelo Instrumentum que a voz e a ação da Igreja poderiam realizar:

  • Exigir dos respetivos governos que garantam os recursos necessários para a proteção efetiva dos povos indígenas isolados. (n.62a);
  • Reivindicar a proteção das áreas/reservas naturais onde esses povos se encontram, (n.62b);
  • Informar os povos indígenas sobre seus direitos e a cidadania a propósito de sua situação. (nº 62 e);
  • Formar equipes específicas nas dioceses e nas paróquias e planejar uma pastoral de conjunto nas regiões fronteiriças, porque existirem povos que se movem (n. 62 d);
  • Promover, estigmatizar e planejar propostas para a emancipação pessoal e social dessas populações é ser evangelicamente "bons samaritanos". E esta é a tarefa precisa da caridade que brota da fé. De fato, Cristo Jesus nos revelou que o julgamento final será sobre a caridade.

O Instrumentum laboris apresenta aos Padres sinodais uma situação objetiva das famílias amazônicas que foram vítimas do "colonialismo do passado e - afirma - de um neocolonialismo no presente" (n. 76). O documento concentra-se no fato de que a imposição do modelo familiar ocidental, bem como uma não adequada inculturação "ad quem", traz "o desprezo pelo povo e pelos costumes do território amazônico, chegando a qualifica-los de selvagens ou primitivos" (n.76). Essa atitude provocou muitas vezes a desconsideração do valor natural da família amazônica, mesmo que ligada à experiência cósmica de "valores culturais como o amor à terra, a reciprocidade, a solidariedade, a vivência do presente, o sentido da família, a simplicidade, o trabalho comunitário, a organização própria, a medicina e a educação ancestral, a cultura oral (histórias, crenças e cânticos), com suas cores, trajes, alimentação, línguas e ritos"(n.75).

A evangelização que obviamente não pode prescindir do kerygma e da implantatio ecclesiae, deve inculturar a fé neste contexto antropo-ambiental, purificando-o, mas não o distorcendo. O que em sua época fez o jesuíta Matteo Ricci pela evangelização do povo chinês e o santo missionário verbita padre Freinademetz, que testemunha Cristo na perseguição aos Boxers. Já Tertuliano afirmava que aquilo que é humano é naturalmente cristão. O próprio Irineu de Lyon, consultado se os costumes dos povos germânicos deveriam ser levados em consideração, aconselhou a inculturação evangélica. Infelizmente a exportação da mentalidade ocidental sobre o modo de viver as relações familiares tem afetado também as famílias amazônicas com o aumento da violência doméstica, a submissão da mulher, as uniões consensuais, as famílias montadas, o aumento da gravidez na adolescência e os abortos (cf. n. 77).

É claro que os Pastores e as comunidades cristãs não podem ignorar este empobrecimento e, portanto, é obrigatório e necessário oferecer propostas humanas e cristãs concretas para uma adequada atenção pastoral à proteção e promoção da dignidade da mulher e da família, sem excluir o multiculturalidade, tão rica, da Pan-amazônia (n. 79) Para realizar esse acompanhamento respeitoso e urgente, a Igreja local deveria pensar e realizar “processos que partam da família/clã/comunidade ... ajudando assim a superar as estruturas que alienam” (n. 79 a). Este tipo de compromisso poderia ajudar a eliminar as causas do fenômeno migratório de muitas famílias e pessoas que abandonam as áreas rurais para ir à cidade e as migrações internacionais com problemas muito graves de desestabilização dos núcleos familiares, tanto para pais quanto para os filhos (n.67).

O movimento migratório na Amazônia, negligenciado politicamente e pastoralmente, contribuiu para a desestabilização social (n.66) das Comunidades daquele território. A Igreja não pode ser ausente ou desatenta, não por um fator ideológico, mas pela leitura bíblica e teológica, que requer profética e paciente presença para que a dignidade da pessoa humana viva, que, como diz Santo Irineu de Lyon, é a glória de Deus, possa ser aceita, integrada e, assim, cooperar para o bem comum. A Igreja, ao se colocar e ao estar ao lado dos povos e do território amazônico, tem consciência de que a corrupção constitui uma grave calamidade "que envolve os setores público e privado. Em muitas ocasiões a corrupção está ligada ao flagelo do narcotráfico e do narconegócio ... que está destruindo o tecido social e econômico em regiões inteiras" (n. 81) que dão origem a "uma cultura que também envenena o Estado e suas instituições. ... Essa situação constitui um verdadeiro flagelo moral que causa a perda de confiança nas instituições e nos seus representantes, que desacredita totalmente a política e as organizações sociais" (n.82).

O Instrumentum laboris pede aos Padres Sinodais para se confrontarem para uma preparação dos Pastores para enfrentar com urgência a gravidade desses problemas no estilo da atenção crística, para conter e estigmatizar as estruturas de pecado e oferecer aquela libertação integral da pessoa humana e da própria criação (cf. n.100). Na luta contra esse empobrecimento antropológico e ecológico, a Igreja obviamente deve excluir todo apoio à violência e comprometer-se a promover e "acompanhar os povos em suas lutas pelo cuidado de seus territórios e o respeito por seus direitos" (n. 83d). Um modelo para isso é dedicar-se como Igreja em saída e fermento de evangelização e promoção humana, além dos exemplos do passado como o de Bartolomeu de Las Casas e o santo Bispo de Lima, Mons. Toribio de Mogrovejo, há dois santos pastores: Paulo VI e mons. Romero, vozes evangelicamente proféticas em favor da proteção dos povos da miséria e da sua dignidade a serem promovidas e indicadas como atenção exigente de toda a comunidade internacional e especialmente da Igreja.

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