"A solidão de Francisco. Um papa profético. Uma Igreja em meio à tempestade"

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15 Maio 2019

Este é o novo livro de Marco Politi, talvez o melhor dos jornalistas vaticanistas, que escreveu uma lúcida e implacável biografia de João Paulo II.

O comentário é de Luiz Alberto Gomez de Souza, sociólogo.

Ele descreve todas as aberturas de um papa que prega uma "Igreja em saída". Para ele, estamos no segundo tempo de um pontificado dramático. Ao lado, conta, há toda uma reação crescente de setores conservadores. Outros não atacam, mas se calam. É indispensável então uma mobilização e um grande apoio a Francisco. Pela importância do Brasil na Igreja Católica, uma firme posição da CNBB é indispensável. Todos deveríamos nos dirigir nesse sentido ao episcopado de nosso país, a partir das dioceses locais, pastorais e movimentos leigos.

Organismos de pastorais populares, por carta de 8 de maio de 2019, manifestaram sua alegria e confiança na eleição da nova presidência da CNBB e reafirmaram sua disposição de trabalhar ao seu lado no Anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo, especialmente na defesa da vida onde ela estiver sendo ferida e ameaçada.

É interessante ver como, por exemplo, figuras importantes do episcopado alemão tem estado ao lado de Francisco. O bispo Franz-Josef Bode, vice-presidente da conferência episcopal alemã, aguarda muito do sínodo na Amazônia de outubro e espera que ali apareçam, entra outras, uma proposta de padres casados e indica que é que hora de repensar a ligação entre celibato e sacerdócio.

Francisco não quer avançar só, com atos de autoridade. Ele crê firmemente na colegialidade. Espera muito de propostas renovadoras que surjam da base eclesial. Nesse sentido, o sínodo amazônico é crucial. Ele nomeou seu particular amigo, o cardeal Claudio Hummes, como o relator geral do sínodo. Dom Claudio é o presidente da REPAM (Rede Eclesial para a Amazônia). E tem junto dele o bispo de Puerto Maldonado e um sacerdote que trabalha com a promoção do desenvolvimento humano. O documento de trabalho da reunião está sendo preparado pelo bispo Erwin Kräutler, que foi prelado do Xingu, sempre à frente da luta dos povos amazônicos. Tudo isso traz uma esperança muito positiva. Através desse sínodo devem surgir propostas que poderão ser acolhidas por Francisco.

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