''A Eleição do Papa Francisco'': um relato dia a dia, voto a voto

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30 Abril 2019

Em algum lugar aí fora, existe um cardeal que se excomungou latae sententiae! Essa é a conclusão que se tira da leitura do livro recém-publicado de Gerard O’Connell, "The Election of Pope Francis: An Inside Account of the Conclave that Changed History" [A eleição do Papa Francisco: um relato interno do conclave que mudou a história]. Todos nós temos teorias sobre o que aconteceu dentro da Capela Sistina durante o conclave que elegeu o cardeal Jorge Mario Bergoglio como papa. O’Connell fornece uma contagem voto a voto da eleição. É algo sem precedentes.

O comentário é de Michael Sean Winters, publicada por National Catholic Reporter, 29-04-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O’Connell começa seu relato, como se deve, com a chocante e heroica decisão do Papa Bento XVI de renunciar ao papado, que ele anunciou na segunda-feira, 11 de fevereiro. Lembro-me de falar com um cardeal naquela manhã que, quando soube da notícia enquanto se dirigia para a missa matinal, presumiu que fosse um trote, apenas para sair de suas orações para encontrar seu iPhone repleto de textos e e-mails confirmando as notícias.

(Imagem: Divulgação)

Pouquíssimas pessoas previram isso, embora agora saibamos que Bento estava se encaminhando para a sua decisão histórica desde, pelo menos, o verão anterior, quando ordenou que as freiras visitandinas de clausura esvaziassem o Mosteiro Mater Ecclesiae atrás de São Pedro para “reformas”. Esse local, decidira ele, serviria como sua casa na aposentadoria.

Bento disse ter ficado comovido por deixar seu ofício, porque, “para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado”. É estranho que, seis anos depois, nas últimas semanas, os opositores conservadores tenham esquecido que o ex-papa telegrafou sua incapacidade de um modo tão claro quanto eles se apressaram a abraçar o seu desajeitado comentário sobre a grave crise dos abusos.

A especulação sobre um sucessor começou imediatamente e tendeu a se concentrar em alguns cardeais bem conhecidos: Angelo Scola de Milão, Marc Ouellet da Congregação para os Bispos, Odilo Scherer de São Paulo, Peter Erdo de Budapeste, Hungria, Peter Turkson do Pontifício Conselho Justiça e Paz.

O correspondente vaticano do NCR na época, John Allen, lançou a candidatura do cardeal Timothy Dolan: Allen havia publicado um livro-entrevista com o gregário arcebispo de Nova York dois anos antes. Mas eleger um estadunidense, especialmente alguém tão fortemente estadunidense quanto Dolan, nunca aconteceria. O único estadunidense que gerou muito frisson e, de acordo com O’Connell, obteve o quarto maior número de votos na primeira votação do conclave foi Sean O’Malley, de Boston, um frei capuchinho cuja simplicidade de estilo de vida e senso de humor chamou a atenção de muitos.

O’Connell faz um relato dia a dia do tempo entre a renúncia de Bento e o dia em que ela entrou em vigor: 28 de fevereiro. Naquela noite, ele e sua esposa, Elisabetta Piqué, correspondente vaticana para o jornal argentino La Nación, convidaram um velho amigo para jantar em sua casa: o cardeal Bergoglio. Ele havia batizado os seus filhos, que o chamavam de “Padre Jorge” e desfrutaram da sua companhia naquela noite também.

Era comum saber que Bergoglio havia sido o segundo colocado no conclave de 2005, mas o seu nome não estava entre os principais candidatos desta vez. A maioria dos observadores externos, inclusive eu mesmo, consideravam que, aos 76 anos, ele poderia estar muito velho, especialmente porque Bento havia renunciando devido aos efeitos da velhice.

Os cardeais eleitores tirariam uma conclusão diferente: se a aposentadoria era agora uma opção viável, ser um pouco mais velho não era uma barreira insuperável para a eleição. Também ficou claro que nenhum dos cardeais queria um pontificado longo como o de João Paulo II, que tinha apenas 58 anos quando foi eleito em 1978 e serviu durante 27 anos.

No dia 1º de março, foi anunciado que o decano do Colégio dos Cardeais, o cardeal Angelo Sodano, enviou uma carta a todos os cardeais, convidando-os a irem a Roma para as congregações gerais pré-conclave, abertas aos cardeais eleitores e também aos que tinham mais do que a idade eleitoral, 80 anos. As reuniões começariam no dia 4 de março, mas a maioria dos cardeais já estava em Roma.

Os anos de O’Connell nas trincheiras tornam-se óbvios quando ele conta que jantou uma noite com um cardeal a quem conhecia há 20 anos e fala de uma entrevista na manhã seguinte com outro cardeal que ele conhecia há uma década. E, enquanto esses homens que ele conhecia lhe falavam sobre as discussões nas congregações gerais, ficava óbvio que a principal divisão entre os cardeais não era entre conservadores e progressistas, nem entre Norte e Sul. A divisão-chave era a Cúria vaticana contra todos.

Essa dinâmica anti-Cúria condenava a candidatura de Scherer, que trabalhava há muito tempo na Cúria e era visto como o seu candidato, mas não apontava necessariamente para Bergoglio. De fato, parece que a sua candidatura só pegou fogo nos últimos dias antes de o conclave começar, quando ele fez sua agora famosa intervenção sobre Jesus que bate à porta, mas bate para sair de uma Igreja esclerótica e autorreferencial. O cardeal Jaime Ortega, de Havana, pediu a Bergoglio uma cópia de suas considerações. O futuro papa não havia escrito um rascunho, apenas tópicos, mas posteriormente escreveu suas observações para seu amigo cubano, que depois as compartilhou com o mundo.

Não vou examinar aqui o relato de O’Connell sobre o que aconteceu dentro da Capela Sistina. Para isso, você precisa comprar o livro (e você terá que esvaziar a sua agenda, porque esse livro, uma vez iniciado, é difícil de deixar de lado). Eu direi que, ao lê-lo, recordei as biografias dos papas João XXIII e Paulo VI escritas por Peter Hebblethwaite. Elas incluíam um capítulo sobre os conclaves que resultaram na eleição deles, e eu me perguntava como ele sabia o que havia acontecido dentro desse evento tão secreto.

Eu tive a mesma dúvida ao ler o relato de O’Connell sobre o conclave de 2013. Quem havia divulgado isso? Quem havia lembrado o total de votos com tamanha precisão? Como podemos verificar esse relato? Eu não sei as respostas para essas perguntas, mas vou lhes dizer o seguinte: quando eu as fiz a um cardeal, ele respondeu: “Acho que Gerry acertou em cheio”.

Gerard O’Connell. The Election of Pope Francis: An Inside Account of the Conclave that Changed History. Nova York: Orbis Books, 336 páginas.

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