Cardeal húngaro Péter Erdö: uma força motriz no Sínodo dos Bispos

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07 Outubro 2014

Teoricamente, num Sínodo dos Bispos todos os mais de 200 prelados do mundo todo que nele participam são iguais. Politicamente, no entanto, alguns são claramente mais iguais do que os outros, e desta vez poucos são mais iguais do que o cardeal Péter Erdö, da Hungria.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 06-10-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Erdö está trabalhando como relator para o Sínodo dos Bispos sobre a família, o que lhe confere a função de orientar os debates no início e, depois, resumi-los no final. Ter sido o escolhido para esta função pode ser uma pista para coisas maiores por vir, visto que cada um dos últimos três papas, no começo de suas carreiras, atuaram como relatores em algum sínodo.

A chamada “relatio ante disceptationem”, ou “discurso antes do debate”, da manhã de hoje juntou-se aos esforços de Erdö em definir os termos da discussão, onde destacou os assuntos que o sínodo não irá tratar ao mesmo tempo apontando os assuntos que o evento irá abordar. Erdö tirou da pauta as “questões doutrinárias”, mas abriu portas para mudanças práticas, como um sistema simplificado para a concessão de anulações (isto é, o processo para declarar que um casamento fora inválido).

Na verdade, nos sínodos anteriores os discursos de abertura não tiveram um grande impacto sobre as discussões que se seguiram. No entanto, seguramente podem ser considerados um sinal do que está pensando uma das forças motrizes do evento.

O prelado húngaro de 62 anos é conhecido como um forte defensor do ensino (ou doutrina) da Igreja. No começo de 2013 Erdö foi considerado um candidato ao papado, levando à especulação de que o sucessor de Bento XVI pudesse ser o primeiro “Papa Gulash” da história também.

Erdö é um canonista por formação. Em 2001, enquanto era ainda bispo auxiliar e antes mesmo de completar 50 anos, foi eleito para o seu primeiro mandato como presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa. Foi reeleito praa um segundo mandato de 5 anos em 2006, o que é um sinal do amplo respeito que desfruta entre os companheiros prelados europeus.

Em 2002, foi nomeado arcebispo da principal sé da Hungria aos 50 anos, tornando-se cardeal um ano mais tarde. Aos 52, foi o cardeal mais jovem a participar do conclave que elegeu Bento XVI em 2005.

Erdö representa uma Igreja perseguida durante o período soviético, simbolizado na figura do cardeal József Mindszenty, o qual foi torturado e condenado à prisão perpétua por um tribunal comunista, refugiando-se na embaixada americana em Budapeste por 15 anos. Morreu exilado em Viena no ano de 1975. No começo deste ano, Erdö convenceu o governo húngaro a formalmente desativar o caso contra o seu predecessor, originalmente iniciado em 1949.

Dado a sua localização na Hungria, onde o Oriente se encontra com o Ocidente, não é surpresa que Erdö seja o líder das relações católicas com as igrejas ortodoxas, vistas por muitos cardeais como uma grande prioridade ecumênica. Ele também mantém contato com líderes da comunidade judaica; o religioso foi recentemente criticado por forças da extrema direita na Hungria por ter almoçado num restaurante judeu em Budapeste.

Com certeza, Erdö é uma pessoa de confiança nos círculos vaticanos.

Em 2001, foi nomeado membro do conselho dos cardeais e bispos que supervisionam a Segunda Seção da Secretaria de Estado, responsável pelas relações diplomáticas do Vaticano. No mesmo ano, foi encarregado de realizar uma investigação na Pontifícia Universidade do Peru, acusada de desafiar o ensino e a disciplina da Igreja.

Na maioria das questões, Erdö é visto como um sólido conservador, mas também como uma figura pastoral com visão prática. Durante o Sínodo dos Bispos sobre a nova evangelização em 2012, por exemplo, muitos prelados ficaram intrigados pela descrição de Erdö sobre as “missões municipais” que ele incentivou em Budapeste, nas quais os leigos visitaram todos os lares católicos numa certa paróquia para convidá-los a voltarem à Igreja.

Erdö pode muito bem estar escalado para forjar consensos no Sínodo, em parte por causa de suas fortes relações com o mundo em desenvolvimento.

Como presidente dos bispos europeus, estabeleceu fortes laços com os bispos africanos, realizando encontros bianuais que se alternam entre a Europa e a África. Como presidente dos bispos europeus, Erdö também coordena o apoio à Igreja aos países em desenvolvimento, o que lhe rendeu um reconhecimento por parte de muitos cardeais em destas regiões.

Os americanos podem ficar intrigados ao saber que Erdö tem, também, experiência algo a ver com os EUA, pois recebeu bolsas de pesquisa em 1995 e em 1996 para estudar na Universidade da Califórnia em Berkeley.

Resta saber se os limites que Erdö tentou estabelecer em sua fala inicial vão, de fato, se impor nas próximas duas semanas. Não há, porém, dúvida alguma de que ele terá aquilo que os italianos chamam de “una voce in capitolo”, ou seja, uma voz forte, durante os próximos dias.

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