Angelo Scola, a relação com o Papa Francisco e o que nunca saberemos sobre o conclave

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24 Agosto 2018

"Uma fake news, construída de tal forma que parece bem plausível." O cardeal Angelo Scola, arcebispo emérito de Milão, assim descreve o seu ter sido papável no conclave que elegeu Jorge Mario Bergoglio. O cardeal refaz o evento de 2013 no livro entrevista autobiográfico Ho scommesso sulla libertà (Apostei na liberdade, Solferino), escrito com o enviado do Avvenire, Luigi Geninazzi.

"Eu nunca acreditei - afirma Scola - na possibilidade de me tornar papa. E, portanto, eu não sofri por esse motivo. Devo admitir, no entanto, que, com base no que os jornais escreveram, sofri certa marginalização. Depois do conclave, fui considerado o adversário que perdeu o desafio com Bergoglio, o cardeal nostálgico dos papas anteriores, o homem do passado. E isso obviamente não me agradou".

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fato Quotidiano, 23-08-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em seu livro o cardeal recorda também que "ao contrário, em 2005, onde logo surgiu um nome, precisamente aquele de Ratzinger, que mais tarde teria sido eleito, o conclave de 2013 começou sem um candidato." Foi por esta razão que, como ele relata, antes de deixar Milão havia dito aos seus colaboradores: "A renúncia de Bento XVI é um fato sem precedentes na história da Igreja nos últimos séculos e preanuncia um novo Papa igualmente sem precedentes. Tenham certeza de que não serei eu".

No entanto, algo francamente não combina. Ninguém sabe com certeza matemática o que aconteceu nos cinco escrutínios da Capela Sistina no final do qual, em apenas 24 horas, Bergoglio foi eleito. O que se sabe, no entanto, é que pelo menos nos dois primeiros Scola estava amplamente à frente do então arcebispo de Buenos Aires. A ultrapassagem, de fato, ocorreu apenas no terceiro escrutínio. Mas tem mais. E vai muito além da frenética campanha da mídia a favor de Scola, que aconteceu em um crescendo impressionante, da renúncia de Bento XVI até a eleição de Francisco, que o cardinal chama hoje de "fake news".

Logo que apareceu a fumaça branca, a Conferência Episcopal Italiana - em um telegrama assinado pelo então secretário geral, monsenhor Mariano Crociata - apressou-se a felicitar o novo 'Papa Scola'. Mesmo nesse caso, pode-se considerar a desagradável gafe, para usar um eufemismo, como simples "fake news"? Assim como parece difícil acreditar que o próprio Scola não tivesse percebido, bem antes que se iniciasse a Sé Vacante de 2013, o grande sinal de estima que Bento XVI (seu amigo por 40 anos) tinha lhe reservado trocando a sede patriarcal de Veneza por aquela do arcebispado de Milão.

Uma passagem que, em retrospecto, muitos observadores consideraram infeliz para a candidatura ao papado de Scola. Assim como certamente é uma "fake news" o boato de que o cardeal tinha pensado até mesmo no nome que assumiria como Papa: o de Paulo VII, em homenagem ao seu antecessor Giovanni Battista Montini que foi eleito bispo de Roma depois de ser Arcebispo de Milão. Se as afirmações de Scola sobre a fracassada eleição para o pontificado são um aspecto que gera curiosidade em muito leitores, o livro autobiográfico é realmente precioso para compreender plenamente a vida e o pensamento de um teólogo e um intelectual refinado de nosso tempo. E para entender a distância com Francisco que ele define, com uma imagem que soa um pouco infeliz, como “um golpe salutar para o estômago que o Espírito Santo desferiu para nos acordar.”

Bergoglio, no entanto, teria gostado que ele ficasse no cargo por pelo menos mais dois anos – até a idade de 75 anos, a idade canônica da aposentadoria – na liderança da maior arquidiocese da Europa. Scola, no entanto, quis sair, preferindo uma vida privada na casa canônica de Imberido, um distrito de Oggiano, e indicando para o Papa como seu sucessor o seu vigário geral, Dom Mario Delpini. Bergoglio ouviu-o, embora tenha preferido não dar imediatamente a púrpura ao novo arcebispo de Milão. Uma púrpura que não se sabe se algum dia será concedida.

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