Cardeais do próximo conclave são investigados por agentes dos Estados Unidos

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03 Dezembro 2018

Um ex-agente do FBI lidera as investigações dos 124 prelados do conclave. O motivo? Impedir acobertamentos.

A reportagem é de Angelo Allegri, publicada por Il Giornale, 30-11-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Por quase 30 anos, Philip Scala foi um agente especial do FBI. Na divisão criminal de Nova York, ele liderou as investigações sobre as mais poderosas famílias mafiosas, desmantelou o clã dos Gambino, contribuiu decisivamente para a condenação de John Gotti. Seus homens conseguiram se infiltrar em alguns dos mais impenetráveis clãs de origem italiana, mas também nos emergentes de origem russa. Brilhantes operações que lhe renderam inúmeras honrarias e reconhecimentos, mas que pertencem ao passado. Porque, há alguns meses, o ex-policial mudou de campo de ação e hoje se encontra lidando com sujeitos de outro tipo bem diferente: os 124 cardeais que participarão do próximo conclave.

Com mais de 60 anos, Scala decidiu começar seu próprio negócio, fundou uma empresa de investigação privada, Pathfinder Consultants International, e foi encarregado por um grupo de católicos tradicionalistas de passar pelo raio-X hábitos e comportamentos dos príncipes da Igreja.

Objetivo: tornar “transparente” o próximo conclave, varrendo os escândalos sexuais e financeiros, e as tentativas mais ou menos conscientes de acobertamento.

Inicialmente, o encargo recebido se limitava a investigar os cardeais estadunidenses, depois se ampliou para o nível internacional. “Da Itália, recebemos muitas indicações interessantes. A atividade de pesquisa já começou também entre vocês [italianos]”, explica Scala ao Il Giornale, antes de se fechar no silêncio e invocar o sigilo profissional.

Quem contratou o ex-agente do FBI foi uma fundação católica recém-nascida, o Better Church Governance Group. A associação, com sede em Washington, está completando o recrutamento de pessoal e a arrecadação de fundos para apoiar aquele que foi chamado de Red Hat Report, o relatório “barrete vermelho”, em homenagem ao tradicional chapéu dos cardeais.

A confidencialidade é absoluta sobre a identidade dos financiadores, mas a imprensa estadunidense deu o nome de um rico advogado de negócios, Timothy (Tim) Busch. Não se trata de uma presença neutra, já que ele foi uma das primeiras pessoas a quem o arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio nos Estados Unidos, submeteu o documento com que acusava o Papa Francisco de ter encoberto os supostos abusos do ex-cardeal Theodore E. McCarrick.

Busch é um dos apoiadores mais incisivos de Viganò, e a sua intervenção basta para inserir o projeto Red Hat na luta sem tréguas entre o “partido” dos bispos tradicionalistas e o dos bergoglianos fiéis ao Papa Francisco.

“Não comentamos nem sobre Dom Viganò, nem sobre os financiadores”, diz Jacob Imam, responsável operacional do Better Governance Group, mas que, diante de uma pergunta específica, admite: “Um pouco de dinheiro veio da Itália também, embora eu não possa dizer nem a quantidade nem o nome dos doadores”.

O que confirmou a abordagem antibergogliana da fundação foi a apresentação no dia 30 de setembro passado, uma noite para convidados na Universidade Católica de Washington. Quem tomou a palavra naquela ocasião foi o próprio Imam, junto com o diretor executivo, o número um da associação, Philip Nielsen.

Os dois comentaram alguns slides que foram apresentados aos participantes. O texto de um deles dizia: “Se, em 2013, tivesse existido o Red Hat Report, Francisco talvez não seria o papa”.

Durante a noite, também houve inúmeras declarações contra o outro grande inimigo da associação, o secretário de Estado, Pietro Parolin, que um documento da associação divulgada entre os potenciais financiadores e que foi publicado pelo National Catholic Reporter definia como “totalmente corrupto”.

Em algumas declarações públicas, os tons foram atenuados, mas ainda hoje, no site da associação (www.betterchurchgovernance.org), uma página permite enviar denúncias anônimas sobre sete cardeais estadunidenses e sobre um único estrangeiro: o cardeal Parolin, justamente.

“Já temos uma equipe de 60 pesquisadores trabalhando. Cerca de 20 deles são investigadores propriamente ditos”, explica Jacob Imam. “Mas também queremos estar abertos ao exterior, e é por isso que o nosso site tem uma estrutura com o modelo Wikipédia. As indicações que vêm de fora são verificadas de acordo com as regras da mais rigorosa pesquisa acadêmica. Uma vez verificadas, serão incluídas no relatório que apresentaremos.”

O método de trabalho prevê que a vida de cada cardeal seja examinada por uma equipe de seis pessoas encarregadas de perscrutar os aspectos pastorais e pessoais do seu trabalho. As investigações já se estenderam para a Itália: “Na Itália, já temos uma meia dúzia de jornalistas e especialistas. E, também entre vocês [italianos], os números estão crescendo”, diz Imam.

A história dele é interessante: o nome completo é Jacob Fareed Imam, formado em filosofia e teologia islâmica em Oxford, tendo crescido como muçulmano e se convertido ao catolicismo em 2015.

Hoje, Imam junta-se ao já citado Nielsen, especialista em teologia e arte sacra, diretor de pesquisa do Centro para o Catolicismo Evangélico, outro think-tank tradicionalista baseado na Carolina do Sul, cargo que ele está deixando para se dedicar em tempo integral ao projeto Red Hat.

“Queremos que a hierarquia seja responsabilizada por eventuais abusos e casos de corrupção e contribuir para desenvolver e fazer crescer a honestidade e a fidelidade no governo da Igreja”, explicam os dois líderes do projeto.

O detetive Scala e seus homens, todos católicos, já colocaram os seus informantes no trabalho.

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