Encontro sobre abuso sexual é o começo de uma ‘reforma mundial’, afirma Cardeal Cupich

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07 Janeiro 2019

Para o cardeal  Blase Cupich, arcebispo de Chicago, o encontro de fevereiro no Vaticano sobre abusos sexuais deveria ser visto como o início de um processo que exigirá a participação da Igreja mundial, não só iniciativas centradas em Roma. “Esta reunião é o começo de uma reforma mundial que deverá ser contínua e incluirá um processo de iniciativas a nível regional, nacional e diocesano”.

A reportagem é de Christopher White, publicada por Nuestra Voz, 04-01-2019. A tradução é de Graziela Wolfart.

O cardeal Blase Cupich, arcebispo de Chicago, escolhido pelo Papa Francisco para integrar o comitê de planejamento para a reunião do Vaticano sobre abusos sexuais em fevereiro, disse que o Papa está buscando a “participação plena da Igreja mundial para garantir a proteção das crianças de abuso sexual clerical em todo o mundo”.

Em uma entrevista exclusiva ao The Tablet, Cupich garantiu que o comitê está “comprometido em alcançar resultados específicos nesta reunião que reflitam o pensamento do Papa Francisco”.

Além do cardeal Cupich, a equipe nomeada pelo Papa inclui o arcebispo Charles Scicluna de Malta, principal fiscal do Vaticano em matéria de abuso infantil; o padre jesuíta alemão Hans Zollner, membro da Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores e chefe do Centro para a Proteção da Infância na Pontifícia Universidade Gregoriana; e o cardeal Oswald Gracias de Mumbai, que também faz parte do conselho de assessores “C-9” do Papa.

Em outubro, o cardeal Gracias expressou sua preocupação em uma entrevista ao The Tablet sobre o encontro de fevereiro.

“Não pode ser um evento cosmético”, advertiu o cardeal Gracias. “Terá êxito ou será um desastre para a Igreja. [O Papa] não convocará outra reunião seis meses depois, ou dois anos depois. Ninguém virá e o levará a sério. Isto é muito importante”.

Ao ser perguntado se as pessoas deveriam estar preocupadas com a reunião de fevereiro, o cardeal Gracias disse: “Deveríamos, deveríamos”.

Considerando que alguns observadores se surpreenderam que o Cardeal Sean O’Malley, arcebispo de Boston, que também coordena a Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, não foi nomeado para o grupo de planejamento, o cardeal Cupich explicou que o cardeal O’Malley e a comissão participarão e serão consultados, junto com “clérigos e leigos, mulheres e homens, que demonstraram experiência e conhecimentos nestas áreas”.

O cardeal Cupich recordou a visita do Papa Francisco aos Estados Unidos em setembro de 2015, quando falou com as vítimas de abuso sexual e lhes disse que “as palavras não podem expressar plenamente meu pesar pelo abuso que sofreram. Vocês são preciosos filhos de Deus que sempre devem esperar nossa proteção, nosso cuidado e nosso amor. Lamento profundamente que sua inocência tenha sido violada por aqueles em quem confiavam”.

O cardeal disse que “o Santo Padre entende bem nosso sofrimento” nos Estados Unidos, mas também enfatizou que o encontro de fevereiro buscará abordar o tema para a Igreja global.

“É importante ter em conta que ao convocar para uma reunião global, ele está indicando que entende que é um problema que afeta toda a Igreja, e quer reforçar nosso compromisso compartilhado para estabelecer a capacidade de resposta, a responsabilidade e a transparência necessárias”, acrescentou o cardeal Cupich.

“Uma e outra vez, demonstrou que para ele a proteção das crianças e o acompanhamento daqueles que foram prejudicados é uma prioridade de todo o povo de Deus e uma de nossas missões fundamentais”, disse.

Cupich também revelou ao The Tablet que, ao convocar todos os presidentes das conferências episcopais do mundo todo a Roma, o Papa está buscando uma compreensão integral dos erros passados, assim como falar de soluções globais que nos permitam avançar.

“Isso significa, em primeiro lugar, assegurar-se de que todos os líderes da Igreja tenham um entendimento completo e de primeira mão do impacto do abuso sexual clerical nas vítimas quando não se cumpre com essa norma. Também significa nomear e assumir a responsabilidade por nossas faltas para nos assegurar de que não se repitam. Evidentemente, para nos assegurar de que não se repitam será preciso que todos os níveis da Igreja, seja local, regional, nacional até universal, assumam sua responsabilidade”, afirmou.

“Com esse fim, devemos definir estas responsabilidades particulares com maior clareza e estabelecer a capacidade de resposta, a transparência e a responsabilidade, em particular para os bispos”, acrescentou.

O cardeal Cupich sabe que os católicos de todo o mundo esperam resultados concretos desta reunião, mas também ressaltou que para enfrentar o problema do abuso sexual é necessária uma transformação mais profunda.

“O Papa Francisco está pedindo uma mudança de cultura, ou seja, uma reforma na forma como nos aproximamos ao ministério, já que além de ser um crime, o abuso sexual de menores por parte de clérigos tem a ver com a corrupção de nosso ministério. É por isso que esta reunião deve ser entendida como parte de um compromisso a longo prazo com a reforma, já que uma simples reunião não resolverá todos nossos problemas”, disse.

Para o cardeal, o encontro de fevereiro deveria ser visto como o início de um processo que exigirá a participação da Igreja mundial, não só iniciativas centradas em Roma.

“Esta reunião é o começo de uma reforma mundial que deverá ser contínua e incluirá um processo de iniciativas a nível regional, nacional e diocesano”, concluiu.

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