Cardeal Marx pede 'mudança fundamental e sistêmica' para enfrentar crise de abuso

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06 Outubro 2018

O cardeal alemão pediu que a Igreja Católica adote "mudanças fundamentais e sistêmicas" a fim de enfrentar a persistente crise de abuso sexual por parte do clero.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 05-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

O cardeal Reinhard Marx, um dos nove membros do Conselho dos Cardeais (C9), sugeriu que as discussões sobre essa mudança poderiam se concentrar em três áreas: adoção de práticas de "boa governança", cumprimento das normas de salvaguarda e foco na criação de um "maior grau de responsabilidade" para os líderes da Igreja.

"Não pode haver restauração da credibilidade da Igreja sem uma mudança fundamental e sistêmica", disse Marx aos participantes de um evento no dia 5 de outubro, na Pontifícia Universidade Gregoriana para a inauguração da nova pós-graduação em salvaguarda.

O cardeal também elogiou as vítimas de abuso do clero por terem se exposto.

"Devemos ser gratos à pressão pública, às críticas e à voz dos sobreviventes, pois estes nos ajudam a melhorar como seres humanos", disse Marx.

Marx, arcebispo de Munique e de Freising, também é presidente da conferência dos bispos alemães, que recentemente divulgou um relatório indicando que havia cerca de 3.700 casos de abuso sexual no país nas últimas sete décadas.

Na conferência de imprensa do dia 25 de setembro, na qual foi publicado o relatório, o cardeal pediu desculpas pelos abusos, dizendo que foram "encobertos por muito tempo".

Durante seu discurso na inauguração do novo programa de pós-graduação na Universidade Gregoriana, oferecido pelo Centro de Proteção à Criança, Marx disse que os escândalos de abuso "mergulharam a Igreja em uma de suas crises mais graves em todo o mundo, levantando muitas questões e desafios para o futuro".

"Isso é desafiador e exaustivo, mas é a única alternativa. Devemos juntos promover uma variedade de iniciativas construtivas e criar sinergias", disse o cardeal.

Descrevendo as três áreas que sugeriu para a mudança na Igreja, Marx disse que as boas práticas de governança devem reconhecer que os padres e bispos não recebem habilidades de liderança "automaticamente, simplesmente por ordenação".

"A liderança deve ser aprendida e praticada", disse o cardeal, acrescentando que é "absolutamente inaceitável dizer que alguém se torna líder simplesmente por ser ordenado".

Na área de responsabilização dos bispos que destratam os padres abusadores de crianças, Marx disse que a compreensão da Igreja sobre a necessidade de prestação de contas era "apenas rudimentar" por causa da natureza de sua estrutura hierárquica.

"Isso levanta a questão de como um maior grau de responsabilidade por parte dos líderes pode ser alcançado. É hora de examinar a lei canônica para progredir", ressaltou.

O cardeal também observou que as mudanças sistêmicas "não acontecem sozinhas".

"São necessários agentes dessa mudança", disse Marx, descrevendo tais agentes como "atores e iniciadores que também, no pior dos casos, estão dispostos a provocar controvérsias".

Recordando discussões que aconteceram entre os cardeais em Roma antes do conclave de 2013 que elegeu Francisco, Marx disse que um sentimento compartilhado na época era a necessidade de "discussão aberta" na Igreja, sem medo do que algum superior está esperando ou querendo ouvir.

"Essa não é a maneira de levar as coisas adiante", disse o cardeal.

Finalizando sua palestra, Marx disse aos participantes do evento que Jesus "apoia os fracos".

"Queremos pensar como ele. É um momento desafiador para a Igreja. Não devemos ter medo", concluiu Marx.

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