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01 Outubro 2018

O celibato sacerdotal obrigatório contribui para os abusos sexuais? Essa é a pergunta que o bispo de Mainz (Alemanha) quer que a Igreja debata abertamente. Peter Kohlgraf acaba de fazer um giro de 180 graus em sua abordagem sobre esta questão. Tão prontamente como no ano passado Kohlgraf defendia a disciplina da castidade clerical como parte inegociável do "carisma" do catolicismo, agora, depois do cataclismo de abusos na Igreja germânica, quer que se discuta livremente e sem nenhum tipo de veto.

A reportagem é de C. Doody, publicada por Religión Digital, 29-09-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

"Em minha opinião, não deveria ser um tabu falar disso", declarou o religioso em uma entrevista à rede pública de televisão SWR. O prelado falou reagindo aos numerosos casos de abuso sexual que foram revelados recentemente por um relatório publicado na Alemanha, segundo o qual se contabilizaram no país, entre 1946 e 2014, pelo menos os casos de 3.677 menores de idade vítimas de abusos por parte de 1.670 religiosos.

No caso do bispado de Mainz, 53 clérigos foram acusados de ter abusado sexualmente de 122 meninos e de 47 meninas. "O sistema foi posto em cheque, o sistema fracassou", enfatizou Kohlgraf.

Além dos comentários que fez na entrevista, o pastor da capital do Estado de Renânia-Palatinado também escreveu uma carta às paróquias de sua diocese lamentando que o sacerdócio, tal como se apresenta atualmente, pode atrair pessoas "que se convertem em perpetradores [de abusos] devido à estrutura de sua personalidade". "Certos pontos de vista sobre a doutrina eclesiástica moral" impedem uma abordagem aberta das experiências e perguntas sobre a sexualidade humana, advertiu também o bispo em sua carta.

O bispo Kohlgraf alertou, no entanto, que durante este debate sobre o celibato possam ser dadas respostas muito simples.

"O que o estudo [de abusos] põe em evidência também é que as respostas atraentes também são respostas fáceis. É muito simples dizer: vamos acabar com o celibato e assim não teremos mais nenhum problema. Não sei se isso responde à perspectiva das vítimas", sentenciou.

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