Os 11 volumes sobre teologia de Francisco após a tempestade. O que falava o prof. Peter Hünermann um ano após a renúncia de Bento XVI?

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27 Março 2018

A tempestade midiática, e não só midiática, que estourou dias atrás depois que especialistas em Vaticano e alguns jornais descobriram a manipulação da carta de Bento XVI pelo então Prefeito da comunicação, Mons. Dario Viganò, que posteriormente renunciou ao cargo justamente por causa de tal manipulação, fez com que quase passasse em branco - ou talvez mesmo desaparecesse - a iniciativa original da qual se originou essa infeliz confusão, ou seja, os 11 volumes sobre a Teologia do Papa Francisco. "Não é uma pesquisa acadêmica com fim em si, mas uma iniciativa para tornar acessível esse tesouro de sabedoria eclesial que anima e está escondido por trás dos gestos do Papa Francisco", declarou no último dia 12 de março, o frei Giulio Cesareo, chefe da Libreria Editrice Vaticana (Lev). A obra reúne onze volumes assinados por teólogos: Jurgen Werbick, Lucio Casula, Peter Hünermann, Roberto Repole, Carlos Galli, Santiago Madrigal Terrazas, Aristide Fumagalli, Juan Carlos Scannone, Marinella Perroni, Piero Coda, Marko Ivan Rupnik.

A reportagem é de Patrizia Ferrari, publicada por Il Sismografo, 25-03-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Assim frei Cesareo explicou a obra à imprensa de acordo com a agência SIR: "O projeto, idealizado há um ano por monsenhor Dario Edoardo Viganò, Prefeito da Secretaria da Comunicação, quer mostrar o ensinamento do Papa Francisco, suas raízes, as novidades de seu pontificado, a continuidade com o magistério anterior e as perspectivas que abre". Por sua parte, Dom Roberto Repole, presidente da Associação teológica italiana e curador da Série, fez o seguinte comentário: "O Magistério de Francisco é devedor ao desenvolvimento teológico anterior e que se seguiu ao Concílio Vaticano II e representa um forte estímulo para os teólogos de hoje. (...) Existem duas maneiras de tornar vão o serviço teológico: de um lado, uma fixidez que não é tradicional, porque não transmite nada e, pelo outro, uma adaptação que não deixa transparecer a novidade ... Francisco convida a não ceder a ambas as tentações para que a teologia esteja à altura da riqueza do Evangelho".

Aqui segue um breve relato de três volumes propostos pelo Vatican Insider:

-"O sonho de uma igreja evangélica. A eclesiologia do papa Francisco" de Roberto Repole, curador da série, fornece um foco sobre a visão da Igreja evangélica e missionária sonhada pelo Pontífice, quer através do exame eclesiológico dos seus documentos mais importantes, como através de uma profunda reflexão sobre os seus ensinamentos centrados no Evangelho da Misericórdia. Na ótica do ensinamento eclesiológico do Papa Francisco está presente um capítulo sobre a reforma da Igreja que está atualmente em ato e que ele apoia totalmente para que, com o passar do tempo e com a mudança das situações, possa permanecer "evangélica e transparente para o Deus misericordioso que vive nela e a faz existir".

- Uma teologia espiritual que caminha com a sua Igreja. Uma teologia espiritual expressão da renovação da vida eclesial. Este é o fio condutor do magistério do papa Francisco. Dentro do livro "Segundo o espírito. A teologia espiritual em caminho com a Igreja do papa Francisco", Marko Ivan Rupnik, S.I., ilustra as etapas que animam a liderança do Papa direcionada para a renovação da Igreja de acordo com as linhas do Concílio Vaticano II. O autor mostra a ideia de reforma do Papa Francisco, a de uma vida eclesial inspirada pelo próprio mistério da Igreja em Cristo e no Espírito Santo, através de uma apresentação cuidadosa e original da teologia espiritual, a partir da figura de Abrão - pai de fé - e, especialmente, da liturgia como impulso para a evangelização.

- Em "A fraqueza de Deus pelo homem. A visão de Deus do Papa Francisco", Jürgen Werbick oferece uma reflexão sobre a teologia do Papa centrada em Deus e do homem criado à sua imagem através de uma discussão de alguns pontos de seu documento programático Evangelii gaudium, da encíclica Laudato si’ e dos Exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola. O autor graças à carta apostólica Misericordia et misera publicada por ocasião do Jubileu da Misericórdia também aborda algumas questões muito caras ao Papa Francisco como a misericórdia de Deus e da sua Igreja, e a importância do perdão.

O que resta de Ratzinger de Peter Hünermann (Faculdade Católica de Teologia, Tübingen - Alemanha)

Como é bem conhecido entre esses 11 teólogos está o professor alemão Peter Hünermann sobre o qual Bento XVI, em sua famosa carta, tece críticas e recorda como no passado tenha se oposto ao magistério de seu pontificado, assim como ao de Karol Wojtyla, mesmo com iniciativas que pouco tinham a ver com a crítica teológica.

Entrevista com Peter Hünermann um ano após a renúncia de Bento XVI

(Queriniana Editrice, 28 de fevereiro, 2014)

Um ano atrás, terminava o pontificado do Papa Bento XVI. O teólogo Peter Hünermann na entrevista vê em Joseph Ratzinger um mediador entre a tradição e a reforma. Ele fez história especialmente com sua aposentadoria.

 

Eis a entrevista.

Professor Hünermann, já que agora Bento XVI deixou o ministério, pode sua pessoa e sua ação voltar com mais força à cena? O que resta de Joseph Ratzinger?

Joseph Ratzinger desempenha um papel muito importante nos processos de reforma da Igreja Católica do século XX, e na compreensão do Concílio Vaticano II. Na série de papas, ele é o último que participou do Concílio. É significativo que o último ato de seu ministério, antes de se aposentar, consistiu em apresentar mais uma vez ao clero romano o concílio do seu ponto de vista de testemunha daquela época.

O que isso tem de singular?

Uma concepção adicional do concílio, que poderia conciliar dois aspectos: o velho e o novo, tradição e reforma. Tal como os seus antecessores no ministério papal, Joseph Ratzinger compreendeu o concílio como um evento que marcou uma passagem. Isso decorre estritamente de sua biografia: ele cresceu na velha época, com a velha teologia, anterior ao concílio. Ele quis assumir e manter juntas as duas, mesmo na nova época. A mudança de época propriamente dita, porém, que o concílio marca, foi cumprida por ele apenas com muita dificuldade - tanto na sua teologia, realmente inteligente, bem como no exercício do seu ministério.

Então sua grandeza reside em estar em equilíbrio entre as duas realidades?

Sim, mas isso não deve ser entendido apenas como uma exterioridade. Aqui estão em discussão questões totalmente essenciais, questões de fé e de compreensão da igreja. Acredito que Bento XVI viu claramente essa responsabilidade.

Ratzinger / Congar / Rahner- Como conciliar o esforço para essa capacidade da igreja "para manter juntos", como você a chama, com o proverbial rigor de Ratzinger na época em que foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé?

Ali se manifestava precisamente essa consciência de ser responsável pela conservação da tradição. A nova formulação da autocompreensão eclesial, expressa no Concílio, não foi assumida imediatamente como patrimônio de teólogos e das práticas dos bispos. Uma parte se colocava com perplexidade diante desse "evento mundial", como Karl Rahner chamou o concílio, porque a igreja integrava pela primeira vez o mundo na reflexão sobre si mesma. A outra parte continuou a viajar - como de costume - sobre os velhos trilhos. E em Joseph Ratzinger podem ser encontradas ambas as posições.

De que forma isso se manifesta?

Por exemplo, no seu esforço incansável e, por fim, vão de reintegrar a Fraternidade São Pio X na Igreja Católica. Eu tenho a impressão de que ele não tenha simplesmente sido capaz de entender por que essas pessoas absolutamente não quiseram voltar. Precisamente porque ela - ao contrário de Ratzinger – estava situada no antigo binário, e na verdade não queria operar nenhuma troca.

Ele foi, como papa, o homem certo no momento certo?

Sim, eu diria que sim. Apesar de todos os limites pessoais e de caráter, as suas decisões essenciais foram os marcos para a Igreja em seu caminho no presente tempo.

O que se destaca aqui principalmente?

O fato de se aposentar, essencialmente a aposentadoria. Compare esse gesto com a fase final do pontificado de João Paulo II, que compreendeu sua doença até ficar publicamente sem condições para falar no domingo de Páscoa de 2005, como testemunho pessoal de fé para ser dada em seu ministério. A isso Bento XVI opôs uma compreensão do ministério essencialmente diferente, quando ele disse: Eu não estou mais e condições de prestar o serviço que me foi confiado. Esta é uma nova definição, pragmática, no melhor sentido da palavra, do ministério do papa, sem que a teologia do ministério fosse prejudicada.

Isso não estaria em evidente contradição com o estilo marcadamente sagrado, ritual, com o qual Bento XVI se apresentou como Papa?

Sim. É verdade que ele foi apropriadamente caracterizado como um conceito sagrado e monárquico de igreja, de ministério ordenado e de papado. Ainda mais surpreendente pelo fato de que no final se livrou desse lastro, de 1000 anos de duração, de uma forma mais radical do que todos os seus antecessores. Reflita: João XXIII em 1958 e Paulo VI, cinco anos depois, ainda se deixaram coroar com a tiara, a tripla coroa papal. E tanto Paulo VI e depois João Paulo II também, apesar da perda de forças pessoais, ativeram-se estritamente ao próprio ministério - simplesmente porque eles acreditavam que não deveriam deixá-lo por razões teológicas.

A renúncia foi, assim, uma forma de revolução beneditina vinda de cima?

Pelo menos um passo à frente totalmente essencial, que agora também abre novas perspectivas. No pontificado do Papa Francisco isso é claramente visível, mesmo depois de apenas um ano.

Pelo que é visível, por exemplo?

Por exemplo, pela sua convocação desse grupo de conselheiros formado por oito cardeais de todos os continentes. Ou por sua valorização do Sínodo dos Bispos. O sinal é, em ambas as situações, o mesmo: Francisco quer cumprir o seu serviço de governo de forma colaborativa. Ele redefine o primado do Papa do Concílio Vaticano I de forma institucional, e precisamente da forma como o queria o Concílio Vaticano II.

Como seria isso?

O papa é e continua a ser o primeiro, mas ele tem a intenção de ser um primeiro "inter pares", porque alguém sozinho e isolado não pode liderar a igreja.

E também não quer tomar qualquer decisão sozinho?

Exatamente. É preciso lembrar que Paulo VI, que certamente foi verdadeiramente um homem da reforma, ainda retirou do Concílio a questão da contracepção ou mesmo a da obrigação do celibato, alegando que tais questões delicadas não poderiam ser decididas em concílio. Francisco segue exatamente no caminho oposto e garante que o problema certamente mais complicado da igreja após o concílio - que é a moralidade sexual - seja esclarecido sinodalmente. Essa é uma mudança de paradigma profundamente apaixonante, que se tornou possível somente após Bento XVI. Mas Bento XVI, de certa forma, lançou uma ponte sobre a qual agora caminha Francesco.

Como os católicos verão Bento XVI, daqui a cem anos?

Como o último teólogo importante do segundo milênio na cátedra de Pedro, e como o último papa de uma época da história da igreja que está terminando.

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