O padre Hans Zollner diante da complexidade dos abusos sexuais

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21 Março 2018

Presidente do Centro para a Proteção de Menores da Universidade Gregoriana, o jesuíta Hans Zollner falou na terça-feira, 20 de março, aos bispos franceses reunidos em Lourdes.

A reportagem é de Nicolas Senèze, publicada por La Croix, 20-03-2018. A tradução é de André Langer.

Para este especialista em abusos sexuais, se é verdade que a Igreja evoluiu sobre esses temas, também é verdade que ainda há muito a ser feito.

“Eu não sou mágico: mudanças em um piscar de olhos não existem!” Há muito tempo comprometido com a luta contra os abusos sexuais na Igreja, o padre Hans Zollner, 51, conhece todas as impaciências que cercam esse assunto sobre o qual falaria nesta terça-feira, 20 de março, aos bispos franceses reunidos em Lourdes para a sua assembleia da primavera.

Embora reconhecendo que a questão impõe uma “mudança cultural” que requer tempo, ele também ressalta como em alguns anos as coisas já mudaram. “Hoje, sou chamado para ir aos quatro cantos do mundo, mesmo para lugares onde o problema ainda não é notícia, e toda vez encontro pessoas que estão realmente empenhadas em prevenir os abusos”, conta, retornando da Índia.

“Em Kerala (sul da Índia), o cardeal George Alencherry, primaz da Igreja Católica Siro-Malabar, disse publicamente que a Igreja deveria falar sobre o assunto, uma vez que falar sobre a sexualidade é culturalmente muito mal visto. Teria sido impossível ouvir este discurso há apenas cinco anos”, disse o jesuíta, que também vê o resultado do impulso dado nos últimos anos pelos mais altos responsáveis da Igreja.

Formar especialistas capazes de divulgar uma cultura de prevenção

Psicólogo e psicoterapeuta, o próprio padre Zollner foi sensibilizado para a questão desde a sua formação na década de 1990. Ela raramente é mencionada nos cursos universitários, e por isso não foi pego de surpresa quando os primeiros escândalos eclodiram no início dos anos 2000. Assim que foi nomeado professor de Psicologia na Universidade Gregoriana, começou a trabalhar com os melhores especialistas. “Na Alemanha, pensávamos que isso não nos afetaria, mas eu me lembro que o meu provincial dizia que era apenas uma questão de tempo”. Em 2010, surge o caso do Colégio Canisius de Berlim, pertencente aos jesuítas,.

Como poucos religiosos alemães conheciam bem a questão, ele passou imediatamente a integrar o grupo de trabalho criado pelo Estado para avaliar a extensão dos escândalos de abusos na Igreja e na sociedade. Consciente da “necessidade de aprofundamento”, ele fundou o Centro para a Proteção de Menores (CCP), financiado pela diocese de Munique, com o apoio da Universidade Gregoriana e de uma clínica de Ulm especializada no tratamento dos abusadores.

Objetivo: formar especialistas capazes de disseminar na Igreja uma cultura de prevenção de abusos. No próximo semestre, o centro oferecerá um mestrado de dois anos, “a única formação no mundo com duração de dois anos completos sobre a prevenção dos abusos sexuais”, diz o padre Zollner.

Não existe “um” tipo de vítima, nem “um” tipo de agressor

Há três anos, o CCP está sediado em Roma, no coração da Igreja universal. “Isso permitiu intensificar os contatos com o mundo”, explica o padre Zollner, cuja equipe está trabalhando com mais de 50 países. “Muitos bispos sabem estar próximos das vítimas”, assegura, mas a nomeação de novos bispos o obriga a recomeçar seu trabalho de capacitação: “Devemos reconhecer que ainda há alguns outros que, embora saibam o que precisam fazer, não têm a atenção necessária”.

Uma atenção de que Bento XVI e Francisco deram o exemplo. “Não é fácil”, admite aquele que acompanhou várias vítimas no Vaticano. “Alguns estavam tranquilos, serenos; outros, pelo contrário, estavam acabados. O Papa Francisco sempre trata de acolhê-los como são”.

Muito atento às vítimas que encontra, o padre Zollner percebeu que não era possível considerá-las como um todo monolítico. “Alguns se consideram sobreviventes, outros não. Para alguns, permanece apenas a cicatriz; para outros, a ferida continua aberta”.

O jesuíta alerta para situações que podem ser desestabilizadoras para as próprias vítimas. “Eu vi, sentado no seu lugar, uma pessoa que me disse que o simples colarinho romano que eu usava era uma referência insuportável ao seu agressor... Imagine-a diante de cinquenta bispos!”

Sobre um assunto tão apaixonante e sobre o qual não faltam os julgamento mais mordazes, ele lembra cautelosamente que não existe “um” tipo de vítima, nem “um” tipo de agressor: “Nós nos confrontamos com a complexidade do ser humano e aí reside toda a dificuldade do nosso trabalho”.

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