"Creio na tolerância zero do Papa Francisco. Mas outros o boicotam". Marie Collins deixa a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores

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02 Março 2017

Ela era a única sobrevivente de abusos clericais que ainda estava na Comissão Antipederastia vaticana. A irlandesa Marie Collins, uma das figuras centrais da reforma e endurecimento das sanções contra os sacerdotes abusadores de menores, anunciou sua saída da comissão. A forte oposição a tais reformas por parte de um grupo minoritário da cúria romana acelerou sua decisão.

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada por Religión Digital, 01-03-2017. A tradução é de André Langer.

Não obstante, Collins aceitou o convite do cardeal O’Malley para continuar trabalhando na comissão com um papel educativo em reconhecimento à sua excepcional capacidade para o ensino e seu testemunho como sobrevivente.

“Foram três anos difíceis, mas alimentei a esperança de que podíamos trazer mudanças. Todos os membros da comissão são pessoas muito boas, especialmente o cardeal Sean O’Malley, e o Papa Francisco apoiou todas as nossas recomendações”, apontou Collins, que acrescentou que “nos deparamos com a atitude resistente de um pequeno grupo da cúria do Vaticano”, que “não cooperou em nada”.

Sua decisão de renunciar chegou ao ponto máximo após uma série de frustrações por parte de funcionários vaticanos. A gota d’água foi a recusa de um departamento vaticano para responder a todas as cartas de sobreviventes e vítimas de abusos.

“Parecia um simples pedido, mas depois percebi que este dicastério (não disse qual) não mudaria seus procedimentos, e que não colocaria em prática o sistema para responder a essas cartas. Para mim, essa foi a gota d’água”, confessou Marie Collins.

Assim que tomou conhecimento da renúncia, apresentada no dia 13 de fevereiro e que é efetiva a partir deste início de março, o cardeal O’Malley emitiu uma declaração na qual, “em nome dos membros da Comissão, expressei a Marie Collins o nosso mais sincero agradecimento pelas contribuições extraordinárias que deu como membro fundador da Comissão”.

“Certamente, vamos ouvir com atenção tudo o que Marie quer compartilhar conosco sobre suas preocupações e vamos perder em grande medida suas importantes contribuições como membro da comissão”, assinala o cardeal, que acrescenta que Collins “continuará trabalhando conosco na educação dos líderes da Igreja, incluindo os próximos programas para os novos bispos e dos dicastérios da Santa Sé. As nossas orações permanecerão com Marie e com todas as vítimas e sobreviventes dos abusos sexuais”.

A renúncia de Collins se dá um ano depois que o inglês Peter Saunders, também vítima de abusos e fundador da Associação Nacional de Pessoas Abusadas na Infância (NAPAC, na sigla em inglês), decidira deixar a comissão.

Na época, a Pontifícia Comissão não especificou as razões da saída de Saunders, mas este tinha manifestado anteriormente seu mal-estar em relação ao tratamento concedido a alguns destes casos de pederastia.

Saunders também manifestou sua oposição a algumas decisões do cardeal George Pell, que preside a Secretaria de Economia do Vaticano, como sua posição em relação às denúncias de pederastia na Igreja católica da Austrália, ou sua rejeição de declarar em alguns processos alegando problemas de saúde.

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