Renúncia de Collins: "Uma maneira de sacudir a árvore", afirma cardeal Parolin

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03 Março 2017

Para Marie Collins, “a única maneira de reagir, mesmo que um pouco para ‘sacudir a árvore’, era renunciar”. O cardeal Pietro Parolin suaviza o tom sobre o caso da mulher irlandesa, ex-vítima de abusos, que nessa quarta-feira formalizou a sua renúncia ao papel de membro da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores. A “gota d’água”, como ela dizia, foi “a falta de colaboração por parte de alguns dicastérios da Cúria Romana”.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada no sítio Vatican Insider, 02-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Questionado sobre o assunto pelos jornalistas com os quais se encontrou às margens de um congresso em Florença sobre a Evangelii gaudium, o secretário de Estado explicou que “houve alguns episódios que levaram a senhora Collins a esse passo: pelo que eu a conheço, ela os interpretou assim e sentiu que a única maneira de reagir, mesmo que um pouco para ‘sacudir a árvore’, era renunciar”.

Apesar das “vergonhosas” resistências internas por parte de alguns escritórios curiais denunciadas pela mulher, de acordo com o cardeal, os membros do órgão “estão levando em frente um belo trabalho de sensibilização”.

“Eu sempre vi um grande compromisso do cardeal O’Malley, arcebispo de Boston [e presidente da Comissão] para a proteção das crianças”, disse ele à imprensa. Em todo o caso, especifica, “a Comissão, por si só, não deve se ocupar com os abusos sexuais. É a Congregação para a Doutrina da Fé que faz isso. Mas ela deve se preocupar acima de tudo com a criação de um ambiente na Igreja que defenda crianças e adolescentes, que os proteja e não permita a repetição” de crimes de pedofilia.

Foi mais clara a opinião do secretário de Estado sobre a suposta “solidão” do Papa Francisco no governo da Igreja. “Eu acho que, muitas vezes, tende-se um pouco a exagerar”, afirma. “Eu não acentuaria isso, como fazem certos setores da mídia”, até porque o fato de o papa estar sozinho “é fisiológico”, dado “o ofício que ele detém, na cúpula da Igreja”.

“Um arcebispo ou um pároco também se encontra sozinho. Mas o papa está rodeado por muitos colaboradores que são próximos dele e que tentam ajudá-lo no exercício cotidiano do seu ministério”, assegura o número dois do Vaticano.

Parolin também não deixa de responder às perguntas sobre as delicadas questões do fim da vida e das adoções gays, em referência a casos recentes, como o suicídio assistido do DJ Fabo e a sentença do Tribunal de Trento que reconheceu a genitorialidade de duas crianças a um casal de homens.

“É fundamental estar sempre em uma atitude de grande respeito para com todos e com todas as escolhas, embora, evidentemente, não se possa compartilhar todas as escolhas”, afirma Parolin.

Ele esclarece que as escolhas da Igreja não são “obscurantistas”, embora sejam vistas como tais. “Trata-se de fidelidade ao Evangelho”, afirma, porque a Igreja, “se diz alguns ‘nãos’, é porque tem ‘sins’ maiores. Não é uma resposta exclusivamente negativa, mas é por algo a mais, por uma plenitude maior de vida e de alegria. A Igreja faz isso, porque tem o Evangelho para anunciar, e o Evangelho sempre tem boas notícias para todos.”

Na verdade, de acordo com o cardeal, “se não houvesse a voz da Igreja, que, talvez, é incômoda, a sociedade estaria muito mais empobrecida” sobre “problemas extremamente novos e complexos, diante dos quais nem mesmo a sociedade me parece tão preparada: ela se interroga e dá respostas diferenciadas”.

“Nós também fazemos parte dessa realidade, nós também temos as nossas dificuldades, mas todo o esforço que a Igreja faz, vai neste sentido: entender o mundo, interpretá-lo e dar respostas”, acrescenta.

É “difícil” dizer se são respostas adequadas, justamente por causa da complexidade dos problemas. No entanto, para Parolin, “como atitude de fundo, há a vontade de entender e de responder de modo evangélico, o que não significa nem se fechar nem aceitar tudo. A Igreja – observa – tem uma proposta própria para fazer diante dos novos problemas do matrimônio, da vida, da família”, e existem todos os pressupostos para garantir uma formação adequada para os sacerdotes, para que “estejam preparados para dar respostas adequadas”.

Uma última crítica é reservada pelo secretário de Estado aos populismos, dos quais se assiste “um retorno maciço, especialmente por parte da política”. Segundo o cardeal, “é uma instrumentalização daqueles que, talvez, sejam até sentimentos compreensíveis, o desejo de defender da própria cultura, do próprio passado, mas, quando se excede, sabemos aonde levam”.

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