Chile. Seria um gesto de grande sabedoria e amor à Igreja que o bispo de Osorno renunciasse...

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05 Janeiro 2018

O sítio chileno Reflexión y Liberación, publica no dia 02-01-2018, a carta de Antonio Bentué, teólogo, professor da Pontifícia Universidade Católica do Chile, endereçada a D. Juan Barros Madrid, bispo de Osorno, Chile. A publicação da carta é feita poucos dias antes do início da viagem do Papa Francisco ao Chile. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Eis a carta.

Santiago do Chile, 12 de outubro de 2017.

Dom Juan Barros Madrid

Bispo de Osorno

Caro Bispo Juan:

É a segunda vez que me atrevo a dirigir-te uma carta. A primeira foi em março de 2015, quando você havia sido recentemente nomeado como Bispo de Osorno e ainda não tinha assumido a posição. Já fazia um tempo que a situação ligada à Fernando Karadima havia sido descoberta e suas consequências tinham respingado no clero vinculado ao padre. Especialmente nos últimos três bispos que saíram do Bosque (Dom Valenzuela, Koljatic e Barros), deixando de lado Dom Andrés Arteaga, que já havia sido obrigado a renunciar ao cargo de Grande Chanceler da Universidade Católica e, em seguida, de maneira infeliz, adoeceu gravemente. Diversas conversas e experiências compartilhadas em comunidades católicas, que incluíam muitos sacerdotes e amigos religiosos, a respeito dessa situação, fizeram-me sentir que não poderia "fugir" da responsabilidade em informar aos três senhores o que me parecia muito claro. É o que lhes transmiti na carta de 17 de março de 2015, aconselhando-lhes, para o bem da Igreja, sua renúncia ao caráter de bispos titulares em suas respectivas dioceses. E a ti, especialmente, para que renunciasse a assumir como bispo de Osorno, antes que fosse tarde demais. Não fui o único que lhe aconselhou. Ao mesmo tempo, enviei cópia dessa carta tanto o Sr. Núncio, quanto ao Cardeal Ezzati, que me respondeu com uma carta muito amável dizendo-me que o que eu havia feito era uma atitude evangélica.

Mas a situação não mudou em nada e acabou sendo agravada, particularmente em Osorno, com uma diocese dividida e em tensão. Agora te escrevo novamente, pois há esta nova situação, que torna a necessidade desse pedido muito mais urgente. Em janeiro, o Papa vem ao Chile.

É um Papa especialmente querido pelo povo, apesar de que há em muitas pessoas, não somente os osorninos, mas em todo o Chile, um pesar por conta de que este mesmo Papa tenha te nomeado como bispo titular de Osorno e tenha uma ideia da distorção desta situação. Sem dúvida que em Osorno houveram gestos infelizes, por desespero, por parte de um grupo de fiéis na catedral. Mas não se pode permanecer com esta postura, para deslegitimar a demanda, como que para, desta forma, "tapar o buraco".

O problema é que agora, com a vinda do Papa, temo que a ferida que estava curada seja reaberta e fique sem solução. Sei que amas o Papa, como demonstrou tantas vezes, e que amas a Igreja de Jesus. E vejo claramente que seria um ato evidente de amor ao Papa e à Igreja que renunciasse à titularidade episcopal, antes que ele venha ao Chile. O senhor estaria fazendo um enorme favor de comunhão a ele e a nossa tão maltratada Igreja do Chile. Caso contrário, causara-lhes um dano muito doloroso por ofuscar esta vinda apostólica, especialmente deste Papa tão querido por todo o nosso povo, que não entende como podes continuar assim, obstinadamente, sem renunciar, amparando-se na obediência ao Papa a quem colocas em uma situação desconfortável, impossível de ser resolvida, mas que está em suas mãos solucionar.

Seria um gesto de grande sabedoria e amor à Igreja que o senhor renunciasse, não por reconhecer-te culpado de haver protegido Karadima. Isso permanece apenas em sua consciência diante de Deus. E não vejo que agora isso seja decisivo. O que importa é o seu vínculo estreito com Karadima e as suspeitas de que isso tenha objetivamente provocado e continua provocando muitas pessoas na Igreja. É isso o que, queira ou não, constitui a ferida no coração de nossa Igreja, que não cicatrizará nem mesmo quando Karadima tenha morrido, se não forem tomadas atitudes, que agora são mais necessárias do que nunca: que o senhor renuncie e, junto a isto, apele ao Pe. Karadima para que peça publicamente perdão ao Papa e à Igreja chilena por conta do enorme mal feito, incluindo nisto a sua renúncia, para colaborar na cura dessa ferida.

Tais gestos seriam, sem dúvida, o melhor serviço pastoral que poderia oferecer à Igreja e ao Papa, transformando o escândalo em que está envolvido, queira ou não, em um "testemunho evangélico crível".

Com toda a humildade e estimulado pela esperança, te aconselha encarecidamente o teu antigo professor,

Antonio Bentué

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