Renovar toda a Igreja no Evangelho. Desafios e perspectivas para a conversão pastoral na Igreja

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25 Julho 2020

"O longo passado da Igreja nos ensina que as renovações eclesiais sempre foram tempos agitados por atingirem mentalidades e comportamentos. A renovação é incômoda, traz inseguranças, questiona hábitos passados, compreensões tradicionais, formulações familiares, concepções estáticas de Igreja. Traz por isso resistências. Mas, contudo, entretanto, todavia, sem embargo as renovações sempre acompanharam a Igreja no curso dos séculos", escreve Eliseu Wisniewski, mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, Brasil, sobre o livro "Renovar toda a Igreja no Evangelho. Desafios e perspectivas para a conversão pastoral na Igreja" do Prof. Pe. Francisco de Aquino Junior.

 

Eis o artigo.

Renovar toda a Igreja no Evangelho. 
Desafios e perspectivas para a conversão 
pastoral na Igreja. São Paulo: Editora 
Santuário 2019, 128 p., 210 x 135mm – 
ISBN 9788536906010
(Imagem: Capa/Reprodução)

Vivemos numa cultura marcada por transformações aceleradas. Renovar é um sempre um desafio. É um chamado à conversão de mentalidade e de estruturas. Sem essas conversões qualquer renovação se torna inviável...

O longo passado da Igreja nos ensina que as renovações eclesiais sempre foram tempos agitados por atingirem mentalidades e comportamentos. A renovação é incômoda, traz inseguranças, questiona hábitos passados, compreensões tradicionais, formulações familiares, concepções estáticas de Igreja. Traz por isso resistências. Mas, contudo, entretanto, todavia, sem embargo as renovações sempre acompanharam a Igreja no curso dos séculos.

Revistando o peregrinar na Igreja identificamos diferentes modelos eclesiológicos com seus respectivos modelos de ação: na Igreja entendida como mistério de comunhão encontramos a pastoral profética, na Igreja entendida como corpo de Cristo encontramos a pastoral sacramental, na Igreja entendida como sociedade perfeita encontramos a pastoral coletiva, na Igreja entendida como Povo de Deus encontramos a pastoral de conjunto. É no modelo normativo neotestamentário, ou seja, a Igreja é apostólica, é una, é a Igreja da Palavra e dos sinais sacramentais, é regida por uma ordem de carismas e ministérios, é a comunidade dos convertidos e dos que nasceram para a fé, está no mundo, mas não é deste mundo, é uma realidade escatológica - que encontramos os elementos essenciais que devem estar presentes em qualquer modelo eclesiológico e modelo de ação.

Papa Francisco corajosamente assumiu a renovação eclesial iniciada pelo Concílio Vaticano II. Uma Igreja que se renova constantemente através de uma verdadeira volta às fontes bíblicas e patrísticas. A renovação da Igreja a partir do Evangelho é tema do livro: Renovar toda a Igreja no Evangelho. Desafios e perspectivas para a conversão pastoral na Igreja (Editora Santuário, 2019) de autoria do Prof. Francisco de Aquino Júnior.

Francisco de Aquino Junior é presbítero da Diocese de Limoeiro do Norte/CE, doutor em Teologia pela Westfälischen Wilhelms-Universität, Münster, Alemanha, e professor de Teologia na Faculdade Católica de Fortaleza e na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).

O livro Renovar toda a Igreja no Evangelho. Desafios e perspectivas para a conversão pastoral na Igreja, com prefácio do Prof. Dr. Agenor Brighenti, reúne um conjunto de textos que tratam da renovação eclesial ou da conversão pastoral e missionária (cf. p. 9-16). Foram originalmente escritos e publicados como artigos independentes, mas estão sintonizados com as preocupações e orientações pastorais do Papa Francisco: buscam acolher seu convite de renovação, segundo a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (2013).

O autor abre o texto com algumas considerações gerais sobre o atual panorama da Igreja católica. Destaca a novidade do Papa Francisco, indica alguns apelos (a missão e a organização da Igreja) e alguns desafios evangélicos que emergem do atual panorama eclesial (p. 21-43).

Em seguida, indica alguns sinais de desvio de rota da Igreja (cf. p 45-55). Estes desvios produzem o que o autor chama de “depressão eclesial” (p. 45). Por outro lado, em sintonia com o Papa Francisco, insiste na necessidade de conversão eclesial, ou seja, na retomada do caminho de Jesus ou o retorno ao Evangelho do reinado de Deus (p. 51-55).

Os dois primeiros capítulos apresentam o atual contexto eclesial e assinalam os principais desafios pastorais com os quais a Igreja se defronta hoje (p. 21-55).

O terceiro capítulo, escrito no contexto da celebração dos cinquenta anos da Conferência de Medellín (1968) e dos cinco anos do pontificado de Francisco (2018), destaca a importância de Medellín e de Francisco para a Igreja e para a sociedade (p. 57-79). Explicita a perspectiva teológico-pastoral fundamental do Papa e indica, a partir dessa perspectiva, alguns desafios com os quais a Igreja se depara hoje, em sua missão evangelizadora: auto-compreensão e configuração em vista da missão (eclesiologia) e apelos e exigências que brotam da situação histórica atual (sinais dos tempos).

O capítulo seguinte aborda a centralidade dos pobres na Igreja (p. 81-105). Destaca seus atuais clamores e resistências. Evidencia que a celebração dos cinquenta anos da Conferência de Medellín foi uma ocasião privilegiada para revisitar seus textos, explicitar sua importância histórica e, sobretudo, para reafirmar e atualizar, crítica e criativamente, seu legado teológico-pastoral. A novidade e o impacto de Medellín na América Latina, e mesmo, no conjunto da Igreja, está radicalmente vinculado ao que, sobretudo a partir de Puebla, se convencionou chamar de “opção preferencial pelos pobres”, caracterizado na Conferência de Aparecida (2007) como “uma das peculiaridades que marcam a fisionomia da Igreja latino-americana e caribenha”. Assinala que a opção pelos pobres e marginalizados e suas lutas por libertação são o ponto fundamental e determinante de Medellín. Afirma sua atualidade e descreve como ela se configura, hoje, a partir de seus clamores e resistências. Enfim, conclui afirmando que Medellín aparece não como um evento passado, mas atual, e que nos interpela e obriga a um criativo processo de atualização histórica.

O último capítulo contempla as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Elas marcaram decisivamente o processo de recepção do Concílio na América Latina e, por um tempo, se impuseram como fato eclesial e social mais importante de nossa Igreja. Destaca o caráter institucional que elas adquiriram nas Conferências de Medellín (1968) e Puebla (1979), aspecto decisivo, tenso e ambíguo. Elas aparecem nos documentos finais destas Conferências não como uma experiência isolada, mas como projeto pastoral para o conjunto da Igreja latino-americana (p. 107-123). Ao concluir, o autor indica os desafios e as perspectivas atuais da Igreja na América Latina em relação às CEBs: repensar seu lugar (cada vez mais marginal) e sua atuação (cada vez mais profética) no conjunto da Igreja ( p. 125-127).

Livro interessante sobre renovação da Igreja. A contribuição do autor é a seguinte: sintoniza o leitor com desafios eclesiais da atualidade, com perspectivas pastorais do Papa Francisco, com o Vaticano II e a tradição libertadora da Igreja na América Latina. É didático, claro e poderá ser usado por agentes de pastoral como referência para entenderem/aprofundarem como se tornar sujeitos da renovação eclesial, assim expressa no título: “renovar toda a Igreja no Evangelho”. Além disso, o livro é um valioso subsídio para ajudar as paróquias e comunidades a pôr em marcha de modo humilde, mas responsável, um processo de renovação caminhando para uma nova fase de comunidade cristã deixando para as futuras gerações paróquias melhores orientadas para a mensagem do Evangelho, centradas na pessoa de Jesus e abertas aos caminhos do Reino de Deus. Daí a necessidade de uma Ecclesia semper reformanda (Igreja em contínua reforma)...

 

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