C6, para os cardeais são necessárias mais mulheres em cargos de liderança na Igreja

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11 Abril 2019

Terminou a 29ª sessão do Conselho que ajuda o papa no governo da Igreja: iniciadas as consultas para a nova Constituição apostólica. Gisotti: “A publicação será ainda este ano. O trabalho dos cardeais não se encerrará com a publicação do documento"

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 10-04-2019. A tradução é de Luisa Rabolini

Cotas rosas para o C6? Por enquanto, é uma miragem distante. No entanto, a "necessidade de uma maior presença de mulheres em papéis de liderança nos organismos da Santa Sé" foi um dos temas principais sobre os quais o Conselho dos Cardeais - que começou formado por oito, passou a nove e, desde dezembro último, reduziu-se a seis - refletiu em profundidade durante estes três dias da sua vigésima nona reunião (8-10 de abril).

O diretor interino da Sala de Imprensa vaticana, Alessandro Gisotti, foi quem relatou isso em um briefing. Para aqueles que apontaram um certo atraso em abordar a questão dos papéis femininos na Igreja depois de seis anos após da instituição da organização, o porta-voz disse: "Não é a primeira vez que foi falado sobre o tema. O Papa até mencionou a necessidade de uma teologia da mulher. Agora pode-se dizer que se fala com mais intensidade, que o aprofundamento promovido pelo Conselho dos Cardeais é ainda mais forte”.

Enquanto para quem perguntava se, considerando as intenções, poderia ser pensada a possibilidade de uma nomeação feminina dentro do C6, Gisotti resumiu: “Não existe essa perspectiva. O Conselho continua sendo um conselho de cardeais. Certamente, como aconteceu no passado quando especialistas foram convocados, caso houvesse uma reunião específica sobre o papel das mulheres, haveria uma presença feminina, mas a nível consultivo".

Ou seja, na pauta, por enquanto, apenas o tema da liderança das mulheres. "No campo da cultura, isso já está acontecendo hoje com uma excelente diretora dos Museus do Vaticano, que é uma mulher, Barbara Jatta, e também com a indicação de outra mulher, Amalia D'Alascio, diretora da Biblioteca Apostólica Vaticana. E é possível que a cultura possa abrir o caminho para outros âmbitos", destacou o diretor Gisotti, informando que, durante as discussões, não foi minimamente tocado o tema da controversa "demissão" da equipe editorial de "Donne Chiesa Mondo", o suplemento feminino do L'Osservatore Romano.

Ao contrário, foi amplamente abordado, durante os três dias de encontros - todos realizados na presença do Papa Francisco e às vezes estendidos até tarde da noite - o tema dos procedimentos para a consulta sobre a nova Constituição Apostólica, cujo título provisório (que, em todo caso, parece definitivo) é Praedicate evangelium.

A publicação do documento, que substituirá a Pastor Bonus, de João Paulo II, deveria ocorrer "ainda este ano", disse Gisotti. O uso do condicional é obrigatório, porque, por enquanto, "não há prazo definido", levando em conta o fato de que, por vontade do Papa, o texto elaborado pelos cardeais com a ajuda de outros Dicastérios será enviado para consulta aos presidentes das Conferências Episcopais nacionais, aos Sínodos das Igrejas Orientais, aos Dicastérios da Cúria Romana, às Conferências dos Superiores e das Superioras Maiores e a algumas Universidades Pontifícias.

Uma decisão, tomada "no espírito da sinodalidade", pelo próprio Francisco que - relatou Gisotti - "enfatizou a importância de iniciar processos". "Às vezes fala-se de uma desaceleração no processo de reforma, mas em mais de uma ocasião o Santo Padre disse que o próprio iniciar processos é um fato concreto. O processo que levou a essa nova Constituição é um fato concreto. E, nesse meio tempo, várias coisas já foram feitas: a terceira seção da Secretaria de Estado, novos Dicastérios e assim por diante”.

Com a consulta solicitada pelo Papa, todos os órgãos e instituições envolvidos poderão enviar comentários, sugestões e eventuais propostas de alteração ao projeto da Constituição. Eles serão examinados pelo Conselho já nas próximas sessões. Finalmente, o Papa dará sua aprovação final ao texto e, depois, proceder-se-á à publicação.

Uma data provável poderia ser em novembro, na conclusão do trabalho do Sínodo sobre a Amazônia no Vaticano. Mas o trabalho de consulta poderia demorar ainda mais. Portanto, é bom falar em "desejo" e não "objetivo" de chegar ao final do ano com um texto definitivo, esclareceu o porta-voz do Vaticano, garantindo também que se tratará de garantir a "máxima confidencialidade" ao documento – ainda que provisório - para evitar um possível vazamento de notícias dada a ampla circulação.

O rascunho que agora será distribuído será em italiano, mas "se compreende a necessidade de fornecê-lo nas principais línguas": inglês, espanhol, francês e português. O título, como mencionado, parece ser aquele já anunciado nos últimos meses, Praedicate Evangelium, que está "fortemente ligado" à Evangelii Gaudium do Papa Francisco "para enfatizar a dimensão missionária e de serviço à Cúria" do colégio episcopal.

Precisamente, "a orientação missionária que a Cúria deve assumir à luz da nova Constituição" foi um dos temas na pauta dos cardeais que já estão olhando para a segunda fase de seu trabalho. Sim, porque o C6, independentemente do número de seus membros, continuará na tarefa para a qual foi instituído em setembro de 2013, ou seja, coadjuvar o Papa no governo da Igreja. "O trabalho do Conselho não se encerrará com a publicação da nova Constituição", reiterou Gisotti.

Os cardeais, portanto, elaboraram uma agenda de temáticas sobre as quais refletir nos próximos meses. Por exemplo, o compromisso em fortalecer o processo de sinodalidade na Igreja em todos os níveis (e o próprio processo de consulta já é um passo adiante nesse sentido) e a delicada questão dos abusos de menores pelo clero. Sobre esse assunto fez uma intervenção, na última terça-feira, o cardeal Sean O'Malley, ilustrando os resultados da sessão plenária recém concluída pela Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, da qual é presidente. O arcebispo de Boston também agradeceu publicamente ao Papa pela cúpula no Vaticano sobre os abusos de fevereiro passado e pela recente publicação do Motu proprio e as novas normas para o Estado da Cidade do Vaticano, que - disse ele - "reforçam o compromisso da Igreja contra toda forma de abuso contra menores e adultos vulneráveis".

A próxima reunião do Conselho dos Cardeais acontecerá de 25 a 27 de junho de 2019, e também está programada outra sessão para setembro.

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