Importante repórter especializado em temas religiosos diz que o relatório da Suprema Corte da Pensilvânia sobre abusos sexuais é “impreciso e injusto”

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11 Janeiro 2019

O repórter religioso Peter Steinfels publicou um artigo questionando a motivação e a metodologia do relatório da Suprema Corte da Pensilvânia publicado em agosto, documentando sete décadas de abuso em seis dioceses católicas do estado e levou à demissão de um dos principais cardeais católicos do país.

A reportagem é de Christopher White, publicado por Crux, 10-01-2019. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O texto de quase 11.000 palavras, cujo título em inglês é “The PA Grand-Jury Report: Not What It Seems” (Relatório do Supremo Tribunal da Pensilvânia: não é o que parece, tradução livre), foi divulgado pela revista Commonweal na quinta-feira e conclui que o relatório é “grosseiramente equivocado, irresponsável, impreciso e injusto".

A íntegra do artigo, em inglês, pode ser lido aqui.

"Isso contradiz o material encontrado no próprio relatório - mediante uma leitura cuidadosa. E contradiz os depoimentos concedidos ao Supremo Tribunal mas ignorados - e acredito que contradiga as evidências que nunca foram buscadas pelo Tribunal”, acrescenta Steinfels.

Steinfels, que atuou como repórter religioso do New York Times por dez anos, analisou as 1.356 páginas do relatório e critica tanto o que está no relatório como o que foi excluído.

"O que exatamente novo, me perguntei, o relatório Pensilvânia nos mostrou?". Para Steinfels, essa é a pergunta norteadora da carta.

Embora o Supremo Tribunal seja um caminho utilizado pelo Ministério Público para acusações que podem levar a um processo judicial, ele observa, usando as palavras do jurista Stanley Fuld, que um relatório investigativo, como o que foi divulgado pelo procurador geral da Pensilvânia, Josh Shapiro, "é uma acusação e uma condenação final ao mesmo tempo e, por advir de um órgão judicial que ocupa uma posição de respeito e importância na comunidade, tem um potencial gigantesco de ter consequências".

Steinfels observa que os indivíduos e ações que constam no relatório da Suprema Corte só podem ser defendidos ou contraditos após sua publicação, o que muitas vezes acontece tarde demais para o tribunal da opinião pública, como no caso do cardeal Donald Wuerl, cuja conduta com casos de abuso sexual quando era bispo de Pittsburgh, nos anos 80 e 90, levou à renúncia do cargo de arcebispo de Washington, em outubro do ano passado.

Donald Wuerl tentou esclarecer alguns dos resultados dos relatórios antes da publicação, mas não foi possível.

Apesar de lamentar os relatos de abuso “de revirar o estômago”, Steinfels critica a estrutura em que é apresentado, que é descrita como descrições sensacionalistas na introdução do relatório que formaram o discurso da mídia a respeito da divulgação, e a falta de informação no relato da resposta da Igreja aos casos.

"Não foram determinados os padrões estatísticos de faixa etária dos abusadores, de taxa de abuso em relação ao tempo, ações de aplicação da lei ou alterações nas respostas das autoridades da Igreja”, menciona.

“Nem comparações com outras instituições. Obviamos nos questionamos o que seria encontrado por uma avaliação de casos de abuso sexual ao longo de 70 ou 80 anos em escolas públicas ou centros de detenção juvenil.”

Steinfels, que observa ter suas queixas contra a hierarquia da Igreja e observa não está escrevendo em sua própria defesa, defensivamente em seu nome, afirma que as falhas fazem com que o relatório não seja capaz de oferecer recomendações que poderiam ser benéficas para todas as partes envolvidas.

"Acredito que o Supremo Tribunal poderia ter encontrado informações precisas e contundentes sobre o que diferentes líderes religiosos fizeram ou não, o que foi regularmente realizado em alguns lugares e algumas décadas, mas não em outros", argumenta.

"Poderia ter apresentado boas razões para pelo menos três das quatro recomendações - que não são nada originais - sem fazer denúncias generalizadas. Poderia ter confirmado e corrigido grande parte do que achamos que sabemos sobre as causas e a prevenção de casos de abuso sexual contra jovens."

As conclusões do relatório Pensilvânia e a atenção que derivou dele levaram mais de doze outros estados a anunciarem sua própria investigação sobre má conduta da Igreja Católica em casos de abuso sexual, bem como sugestões de uma possível revisão em nível federal.

Steinfels acredita que, considerada de forma imparcial, a evidência contida no relatório Pensilvânia sugere que as políticas instituídas pela Igreja dos EUA em 2002, conhecidas como Carta de Dallas, funcionaram, mesmo que precisem melhorar.

"A Carta de Dallas funcionou”, declara. "Não funcionou perfeitamente, precisa de melhorias regulares e supervisão constante. Mas funcionou. A ansiedade e as demandas de responsabilização em casos de desobediência deliberada ou incompetência burocrática não devem surgir a partir de uma pretensão infundada de que, fundamentalmente, nada mudou."

Enquanto os novos rumos de reforma concentram-se nos padrões e nos protocolos de responsabilização dos bispos, Steinfels conclui sua análise argumentando que, com as altas expectativas para a reunião do próximo mês que discutirá abuso sexual no Vaticano, a Igreja dos EUA deve ter convicção de que a reforma que está acontecendo funcionou.

"A Carta de Dallas certamente não é uma receita que simplesmente pode ser transposta para qualquer sociedade, cultura ou situação jurídica e governamental do mundo”, afirma.

"Mas os bispos americanos devem ir à reunião de cúpula do Vaticano sobre abuso sexual confiantes de que as medidas adotadas já fizeram a diferença", conclui. 

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