Papa à Igreja: entreguem os abusadores à justiça. Artigo de Thomas Reese

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04 Janeiro 2019

“Infelizmente, muitos bispos em todo o mundo acham que os abusos sexuais são um problema estadunidense ou do Primeiro Mundo. Esse tempo já passou, diz o papa.”

O comentário é do jesuíta estadunidense Thomas J. Reese, ex-editor-chefe da revista America, dos jesuítas dos Estados Unidos, de 1998 a 2005, e autor de O Vaticano por dentro (Ed. Edusc, 1998), em artigo publicado por Religion News Service, 02-01-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Pouco antes do Natal, o Papa Francisco declarou, em resposta à crise dos abusos sexuais, que “a Igreja não poupará esforços para fazer todo o necessário para entregar à justiça quem quer que tenha cometido tais crimes”. Ele prometeu que “a Igreja nunca buscará encobrir ou subestimar qualquer caso”.

Durante décadas, as pessoas esperavam por tal declaração de um pontífice, que Francisco fez em um discurso público à Cúria Romana, os escritórios no Vaticano que o ajudam a governar a Igreja.

Ele reconheceu que é “inegável que alguns responsáveis, no passado, por leviandade, por incredulidade, por despreparo, por inexperiência (...) ou por superficialidade espiritual e humana trataram tantos casos sem a devida seriedade e prontidão”.

“Isso não deve acontecer nunca mais”, disse.

Francisco até quis “agradecer vivamente aqueles profissionais da mídia que foram honestos e objetivos e procuraram desmascarar esses lobos e dar voz às vítimas”. Ele pediu que as pessoas não se calem, mas tragam os abusos “objetivamente à tona, porque o escândalo maior nessa matéria é encobrir a verdade”.

Para aqueles que abusaram de menores, ele disse: “Convertam-se e entreguem-se à justiça humana, e preparem-se para a justiça divina”.

Depois citou as palavras de Cristo: “Quem escandalizar um desses pequeninos que acreditam em mim, melhor seria para ele pendurar uma pedra de moinho no pescoço e ser jogado no fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! É inevitável que aconteçam escândalos, mas ai do homem que causa escândalo!” (Mateus 18, 6-7).

É altamente improvável que os abusadores subitamente se entreguem às autoridades simplesmente porque o papa lhes pediu isso. Como resultado, a Igreja deve pôr em prática sistemas para lidar com abusadores e bispos que não fazem todo o necessário para proteger as crianças.

Desde 2002, os Estados Unidos têm implementado bons sistemas para lidar com os padres abusivos. As vítimas são encorajadas a se apresentar; as acusações são denunciadas à polícia; conselhos de revisão seculares examinam as evidências contra o padre acusado; se um padre é considerado culpado, ele nunca mais pode voltar a ser padre.

Mas os sistemas são tão bons quanto as pessoas que os implementam, e é por isso que as pessoas seculares e a mídia devem continuar vigilantes. Já que os bispos fizeram um trabalho tão ruim no passado, precisamos modificar as palavras do presidente Reagan: “Não confie, verifique”.

Ainda há dioceses que estragam tudo, e os seus bispos também devem ser responsabilizados. É verdade que alguns bispos foram removidos por encobrir abusos, mas isso foi feito de modo ad hoc. Até agora, não existe nenhum sistema ativo para denunciar, investigar e responsabilizar bispos irresponsáveis.

O discurso do papa oferece uma preparação importante para a reunião de fevereiro em Roma para discutir a crise dos abusos sexuais. Os participantes, incluindo os presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, foram convidados a se encontrar com as vítimas antes de irem a Roma. Eles também foram notificados de que esse encontro não é para debater se há uma crise ou quão séria ela é. Também não está mais em discussão se a hierarquia deveria tentar esconder a crise dos fiéis.

Infelizmente, muitos bispos em todo o mundo acham que os abusos sexuais são um problema estadunidense ou do Primeiro Mundo. Esse tempo já passou, diz o papa.

Embora a reunião de fevereiro durará apenas três dias, será uma oportunidade importante para que o papa comunique aos bispos do mundo como é importante para eles lidarem de forma rápida e aberta com a crise dos abusos sexuais. O encontro não vai resolver a crise, mas vai começar a lidar com ela em um nível mundial.

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