Injusto e injustificável. Viganò emite um terceiro "Testemunho"

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25 Outubro 2018

Com muita ironia, os editores, do muito respeitado site de notícias sobre a Igreja em língua italiana, Il Sismografo, apelidaram o ex-núncio, Arcebispo Carlo Maria Viganò de “Savonarola de Varese” [Varese é a cidade-natal de Viganò].

A reportagem é de Rita Ferrone, autora de vários livros sobre liturgia, escritora colaboradora do Commonweal, publicado por La Croix International, 24-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Embora os paralelos com o dominicano do século XV, Girolamo Savonarola, não sejam exatos, Viganò realmente apareceu como um autoproclamado profeta, e gastou uma boa dose de energia denunciando o papa.

Sua denúncia mais espetacular, até agora, foi dirigida a Francisco por ter "conduta grave, desconcertante e pecaminosa" por (supostamente) encobrir os crimes do cardeal Theodore McCarrick e até mesmo pedir conselho a ele - "alguém que ele sabia ser um pervertido".

O primeiro “testemunho” de Viganò também acusou outros líderes da Igreja de participar de uma conspiração para promover e proteger “redes homossexuais” entre o clero, uma conspiração gay cujos “tentáculos” estão “estrangulando toda a Igreja”.

A pregação deste Savonarola moderno canalizou a fúria justa pelos abusos sexuais, em raiva contra o Papa Francisco e padres gays - pelo menos entre alguns católicos nos Estados Unidos.

De forma chocante, até mesmo certos bispos dos EUA, que deveriam ser mais cautelosos, imediatamente anunciaram que acharam as acusações de Viganò confiáveis.

A reação internacional entre os líderes da Igreja correu na direção oposta. Os bispos da Europa publicaram imediatamente uma declaração de apoio ao Papa Francisco. Assim também fizeram os bispos da América Latina.

O cardeal Oswald Gracias, de Mumbai, declarou que toda a Igreja na Ásia apoia o papa Francisco.

Grupos específicos, como os bispos catalães, também emitiram declarações a seu favor. Em Portugal, trinta pessoas organizaram um evento em que leram em voz alta os escritos de Francisco e tocaram música como testemunho de solidariedade para com ele.

Francisco se recusou firmemente a comentar as alegações de Viganò. Alguns dizem ter uma motivação espiritual por trás disso, acreditando que Francisco está seguindo o modelo de Jesus. Isso pode ser verdade. No entanto, acho que esta também pode ter sido uma jogada estratégica.

Se o Papa respondesse a tais alegações pessoais e hostis, daria ainda mais peso às acusações e diminuiria o prestígio de seu cargo. Além disso, como você prova a Viganò que, na realidade, não há "tentáculos"? Ou demonstra que você não sabia de algo que ele acha que você sabia?

Se Francisco respondesse, haveria argumentos em refutação, pontos adicionais para os quais outra resposta seria exigida. Como você conversa com alguém sobre uma teoria da conspiração?

Depois de publicar seu testemunho, Viganò se escondeu, mas rapidamente ficou claro que ele não pretendia ficar quieto. Ele sentiu que era necessário responder àqueles que o criticaram, e ele protestou contra a não-resposta de Francisco ao seu primeiro testemunho.

Assim, nasceu um segundo testemunho, no qual ele repetiu suas pretensões, atacou mais uma vez o caráter do papa e pediu que o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação dos Bispos, divulgasse os documentos que comprovariam seus argumentos.

Devo admitir que fiquei contente quando Ouellet emitiu uma carta aberta, contradizendo as afirmações de Viganò.

Finalmente, alguém em autoridade levantou-se para corrigi-lo. Ouellet chamou o testemunho de "injusto e injustificável". Ele contestou as alegações de Viganò - fazendo cair a afirmação de que McCarrick estava sob punições disciplinares e que Francisco as teria suspendido.

Ele apontou que as decisões para nomeações episcopais não são infalíveis, mas ver corrupção por trás delas é profundamente injusto. Ele até mesmo criticou Viganò por sua falta de fé nos princípios teológicos que sustentam a compreensão católica do papado.

Usando palavras como “incompreensível” e “profundamente deplorável” para descrever as ações de Viganò, pediu que ele se reconciliasse com o Papa pelo bem de si mesmo, bem como pelo bem da Igreja.

Nada feito. Viganò emitiu agora seu terceiro testemunho - este em resposta à carta de Ouellet. Nele, o ex-núncio dobra as apostas em suas acusações originais. Ele invoca o Julgamento Final e pede que outros se juntem a ele para desmascarar a corrupção.

Embora ele agora admita que as sanções canônicas não foram aplicadas a McCarrick (uma pedra angular de seu argumento original), rejeita a distinção entre 'restrições canônicas' e 'restrições informais' como irrelevante "legalismo".

Tornou-se mais claro do que nunca com o que ele realmente se preocupa. A homossexualidade no sacerdócio é chamada por ele de "praga" e "flagelo".

Savonarola chegou a um final ruim. Ele não apenas acusou o papa, mas seus apoiadores também acabaram por atacá-lo e condená-lo. O que vai acontecer com Viganò? Ele não pode manter esse jogo indefinidamente. Mais bispos dos EUA se juntarão a ele nas barricadas?

Eu suponho que tudo é possível.

Os ventos estão mudando.

Francisco iniciou sua própria investigação do caso McCarrick e agendou uma reunião global sobre abuso sexual. O papa está guiando a Igreja por um caminho melhor do que aquele que Viganò recomenda. A maioria das pessoas vai ver isso, uma hora ou outra.

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