O "testemunho" de Viganò. Editorial da Revista Commonweal

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06 Setembro 2018

"As alegações de Viganò também devem ser lidas diante ao fato de que o Papa Francisco o demitiu como núncio em 2016. Quanto mais se descobriu sobre o julgamento e as associações de Viganò - e não menos importante, em seu suposto papel em pôr fim a uma investigação sobre má conduta sexual, iniciada pelo ex-arcebispo de St.Paul-Minneapolis, John Nienstedt - as dúvidas sobre suas intenções só aumentaram" diz o editorial da revista Commonweal, editada por leigos católicos dos Estados Unidos, 04-07-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis o texto.

O verão americano de 2018 foi um período longo e difícil para os fiéis católicos. Iniciou com alegações de que o ex-cardeal Theodore McCarrick foi culpado de má conduta sexual com seminaristas e de abuso sexual - de pelo menos um menor de idade. Logo após, veio o relatório do Grande Júri da Pensilvânia detalhando setenta anos de abuso sexual em seis dioceses, além de encobrimentos por parte dos bispos. Depois, o lançamento de um “testemunho” de onze páginas do arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio nos Estados Unidos, levantando acusações contra as autoridades da Igreja do Vaticano e dos EUA, incluindo o Papa Francisco, por aliviar as queixas contra McCarrick. No final da carta, Viganò convoca Francisco a "dar um bom exemplo" e se demitir.

A carta de Viganò é um relato subjetivo da história recente da Igreja, cheia de alegações sem pé nem cabeça. Seu tom é de alguém mesquinho e hipócrita. Ele aponta para a influência “supostamente maligna” dos jesuítas, por parte de Robert Drinan e James Martin. O arcebispo se enfurece contra as "correntes homossexuais" na Igreja. Talvez mais persuasivamente, ele fornece um relato detalhado de suas tentativas de informar João Paulo II e Bento XVI sobre o abuso de McCarrick, de seminaristas e jovens sacerdotes. As afirmações mais explosivas são de que Bento XVI havia “sancionado” McCarrick, o impedindo do Ministério - e que Francisco, que supostamente sabia da má conduta de McCarrick, suspendeu essas sanções e pediu conselhos sobre a nomeação de vários bispos e cardeais americanos a ele.

Poucos dias após o lançamento da carta, essas últimas acusações começaram a desmoronar. Viganò sustentou que Bento XVI havia imposto “sanções canônicas” a McCarrick, o impedindo de celebrar a missa em público, viajar ou participar de reuniões públicas. Mas os jornalistas descobriram amplas evidências de que, de 2009 a 2010, quando Viganò alega que tais sanções foram impostas (ele não consegue se lembrar do ano exato), até a renúncia de Bento XVI em 2013, McCarrick continuou fazendo tudo isso, mantendo um perfil público que incluía aparições na televisão, viagens a vários países e participação em ordenações. Ele foi fotografado sendo recebido calorosamente por Bento XVI no Vaticano. Em um jantar de gala no ano de 2012 em homenagem a McCarrick, o próprio Viganò elogiou o ex-cardeal como sendo "amado por todos nós".

Agora, até mesmo os aliados de Viganò lançaram dúvidas sobre o relato dessas “sanções”. Edward Pentin, do National Catholic Register, relatou que uma fonte próxima a Bento XVI lhe disse que “a instrução era essencialmente que McCarrick deveria manter um perfil discreto. Nenhum decreto formal, apenas um pedido particular”. Em outras palavras, parece que não houve "sanções" para Francisco. As únicas ações decisivas que foram tomadas contra McCarrick por um Papa foram justamente as de Francisco, que em julho retirou seu chapéu vermelho e o ordenou a uma vida de oração e penitência. Quanto à alegação de Viganò de que McCarrick influenciou as nomeações episcopais de Francisco, você não precisa de uma teoria conspiratória para explicar por que o Papa nomearia bispos e cardeais de sua própria agenda, contrários a certos posicionamentos de Viganò. Os apelos para que Francisco renuncie a tais provas são claramente não justificados.

As alegações de Viganò também devem ser lidas diante ao fato de que o Papa Francisco o demitiu como núncio em 2016. Quanto mais se descobriu sobre o julgamento e as associações de Viganò - e não menos importante, em seu suposto papel em pôr fim a uma investigação sobre má conduta sexual, iniciada pelo ex-arcebispo de St.Paul-Minneapolis, John Nienstedt - as dúvidas sobre suas intenções só aumentaram. Ao compartilhar a carta com o doador de direita Timothy R. Busch, do Napa Institute, antes dela ser publicada e quebrando seu silêncio para conceder entrevistas a publicações católicas conservadoras, Viganò dá a impressão de querer orquestrar uma campanha vingativa contra Francisco.

Mas o Papa deve fazer mais do que responder com "silêncio" àqueles que "procuram escândalo" , como ele se referiu numa homilia recente. Quando lhe foi perguntado pela primeira vez sobre as acusações de Viganò durante uma coletiva de imprensa em um voo da Irlanda para o Vaticano, o Papa respondeu: "Eu não vou dizer uma única palavra sobre isso". No entanto, sendo duvidosas ou questionáveis as acusações de Viganò, Francisco deveria lhes responder diretamente, especialmente sabendo que um determinado número de reivindicações se referem a conversas privadas entre os dois. Se Francisco soubesse do pedido de Bento XVI - para que McCarrick se mantivesse discreto -, deveria dizê-lo. Se tem medo de implicar seus dois antecessores, o que promoveu McCarrick e o que permitiu que ele continuasse no Ministério Público, então não deveria estar em tal posto. A verdade é mais importante. Mais uma vez a Igreja avalia os fracassos de seus líderes em confrontar e punir os abusadores. Os fiéis merecem respostas.

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O "testemunho" de Viganò. Editorial da Revista Commonweal - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

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