Pell, o conservador conhecido pelos inimigos na Cúria como “canguru”

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01 Julho 2017

Alto, maciço, anglófono, descuidado com as formas, especialista em economia: o cardeal Pell lembra o arcebispo Marcinkus. Mas devem ser assinaladas diferenças marcantes: Marcinkus levava uma vida sóbria e não se ocupava do governo da Igreja, enquanto Pell foi acusado pelas más-línguas de levar uma vida dispendiosa e é conhecido como apoiador de círculos tradicionalistas. Foi um dos 13 signatários de uma carta ao papa que protestava contra a condução do Sínodo de 2015, que eles consideravam como manipulador da assembleia em sentido inovador.

A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada por Corriere della Sera, 30-06-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Personalidade forte, tomador de decisões, bom organizador, mas também centralizador: a Jornada Mundial da Juventude de Sydney, em 2008, foi a sua obra-prima empresarial e uma premissa importante para ser chamado a Roma.

Em Roma, ele tinha estudado nos anos 1960. Nascido em 1941, a sua carreira foi rápida: aos 46 anos, foi bispo auxiliar de Melbourne, arcebispo da mesma cidade aos 55, arcebispo de Sydney em 2001, cardeal em 2003. Em abril de 2013, Francisco o quis no Conselho dos Nove cardeais, encarregado de ajudá-lo no governo da Igreja.

A sua simpatia pelas comunidades religiosas de orientação tradicional tinha se manifestado na Austrália com o convite a Sydney de duas congregações de freiras estadunidenses de Michigan e do Tennessee, fundadas recentemente, fiéis a regras severas em grande parte abandonadas pelas outras “famílias” religiosas nas últimas décadas. Desde quando estava em Roma, frequentava assiduamente uma comunidade de beneditinas tradicionalistas estadunidenses, com sede em Norcia.

Apesar da orientação diferente sobre questões doutrinais e pastorais, o Papa Francisco confiou-lhe, em 2014, a Secretaria para a Economia, um novo órgão curial criado pelo papa argentino para unificar e modernizar o governo da economia vaticana, dividida até então em cerca de 10 administrações autônomas entre si. Na condução da secretaria, Pell quis profissionalismo e modernidade de métodos.

Ele impôs o uso do inglês, comunicava-se por e-mail. Sentiu-se investido de um cargo epocal, talvez exagerou ao se sentir, sempre e de todos os modos, coberto pela autoridade do Papa Bergoglio. “Começa um mundo novo. Aqui tudo deverá mudar”: parece ter sido esse o seu lema desde as primeiras reuniões colegiais do organismo.

No Vaticano, muitos ficaram desnorteados com os seus procedimentos autoritários, e, nas reuniões, quando não estava presente, os curiais de carteirinha protestavam abertamente: “Ele convoca os cardeais por e-mail, algo nunca visto antes”. Indignados com os seus modos e tocados nas competências, cardeais e bispos da Cúria uniram forças contra ele e obrigaram o papa, em várias ocasiões, a limitar os poderes que inicialmente lhe havia confiado.

Pell tem muitos inimigos no Vaticano, os mais pérfidos defendem que ele “fez de tudo” para obter um cargo na Cúria, deixar Sydney e, assim, escapar das investigações sobre o seu comportamento de “acobertamento” ou de “subestimação” dos casos de pedofilia ocorridos ao longo das décadas em ambientes dependentes da sua autoridade.

Os seus modos precipitados fizeram com que os curiais lhe dessem o apelido de “canguru”. Esses modos rápidos, no entanto, eram apreciados pelo papa argentino, que confiava na sua energia para desbloquear situações enferrujadas. Uma vez, durante uma reunião do Conselho para a Economia, Francisco elogiou a sua “tenacidade de ranger australiano”.

Sobre a atitude do papa em relação às velhas acusações de acobertamento, deve-se lembrar uma resposta dada no avião durante a viagem de volta de Cracóvia, em 31 de julho de 2016: “Não se deve julgar o cardeal antes que a Justiça julgue. Se eu desse uma opinião a favor ou contra o cardeal Pell, não seria bom, porque eu julgaria antes. É verdade, existe a dúvida. E existe aquele princípio claro do direito: in dubio pro reo. Devemos esperar a Justiça e não fazer antes um julgamento midiático, porque isso não ajuda. O julgamento das fofocas. E depois? Não se sabe como vai acabar. Ficar atento ao que a Justiça vai decidir. Uma vez que a Justiça falou, falarei eu”.

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