Pell, de czar das finanças vaticanas a ministro sem pasta

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30 Junho 2017

A licença (leave of absence) do cardeal George Pell – prefeito da Secretaria para a Economia, que mantém formalmente o seu cargo, mas que retorna para a Austrália para se defender das acusações de múltiplos abusos sexuais –, e o contextual agradecimento do papa pelo trabalho desenvolvido mostram que um ciclo – na antiga e complicada história das finanças vaticanas – se concluiu.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada por L’HuffingtonPost.it, 29-06-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“O Santo Padre, que pôde apreciar a honestidade do cardeal Pell durante os três anos de trabalho na Cúria Romana, lhe é grato pela sua colaboração e, em particular, pelo enérgico compromisso em favor das reformas no setor econômico e administrativo e pela ativa participação no Conselho dos Cardeais (C9)”, disse o porta-voz vaticano, Greg Burke.

Por enquanto, o Papa Francisco confiou a gestão dos assuntos correntes da Secretaria para a Economia aos dois atuais secretários: Mons. Alfred Xuareb, maltês, ex-secretário de Bento XVI e por um curto período de tempo também de Bergoglio, e Mons. Luigi Mistò, sacerdote da diocese de Milão, já comprometido com o serviço da Conferência Episcopal Italiana para a promoção do sustento econômico e depois secretário da APSA. “Enquanto não tomem outras providências”, afirma a declaração oficial.

Mas não é totalmente evidente que a reforma das finanças não possa seguir em frente.

Apesar da imagem pública, há pelo menos um ano, o cardeal Pell não era mais o czar absoluto das finanças vaticanas, como ele havia sido descrito pela mídia três anos atrás, quando um motu proprio do papa lhe tinha dado, sim, na época, plenos poderes (incluindo sobre a verdadeira caixa-forte vaticana, a da APSA, que administra o Patrimônio da Sé Apostólica). De czar, ele tinha se tornado mais simplesmente um ministro sem pasta, um controlador das contas, não um gestor das finanças.

A conclusão do processo Vatileaks 2 e o motu proprio do papa sobre “Os bens temporais” marcaram a parábola descendente do cardeal australiano, bem antes que chegassem notícias sobre as investigações contra ele na Austrália por pedofilia.

No arco exato de dois anos, de 9 de julho de 2014 (dia em que foi apresentado junto com o novo presidente do IOR, Jean Baptiste De Franssu, o novo quadro econômico da Santa Sé) a 8 de julho de 2016 (data em que o L’Osservatore Romano publicou o recém-citado motu próprio), o seu poder foi redimensionado.

Os vatican watchers mais atentos também tinham notado que Pell não estava na pequena cerimônia na Sala Clementina para o 65º aniversário da ordenação sacerdotal de Bento XVI (exatamente há um ano), e que, embora presente em 2016 na Basílica de São Pedro no dia da Festa dos Santos Pedro e Paulo, quando o pontífice impõe o pálio aos novos bispos metropolitanos, ele não tinha concelebrado.

Além dos sussurros da Cúria, houve inequivocamente um gradual desenvolvimento de uma estrutura nova e mais estável das finanças vaticanas (e não se trata de algo ad experimentum).

O caminho ainda é árduo. No dia 4 março de 2017, por exemplo, o papa não aprovou, mas simplesmente acolheu o orçamento final de 2015 do Vaticano. Talvez seja só uma coincidência, mas, desde o dia 1º de março, a nova emissão de moedas vaticanas de euro (vendidas em todo o mundo e desde sempre procurada pelos colecionadores), a do ano de 2017, também não traz a efígie de Francisco, mas reproduz apenas o brasão papal. Não é um fato novo em absoluto (Paulo VI também fez isso nos últimos anos do seu pontificado), mas é como se se ressaltasse também figurativamente um distanciamento do pontífice em relação aos fatos econômicos.

Nos próximos meses também deverá ser nomeado um novo auditor geral, depois da renúncia repentina do ex-Deloitte, Libero Milone.

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