Por que o caso do cardeal Pell ajudará as reformas financeiras vaticanas e o combate à pedofilia

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30 Junho 2017

A acusação do ministro da Economia da Santa Sé era esperada. Paradoxalmente, poderia fazer avançar as mudanças e a transparência no campo financeiro do Vaticano. E indica uma significativa mudança cultural sobre a pedofilia.

A reportagem é de Massimo Franco, publicada no jornal Corriere della Sera, 29-06-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A acusação por abuso sexual do cardeal George Pell, “ministro da Economia” do Papa Francisco, era esperada. A polícia australiana a havia definido como “iminente”. E, pelo momento em que ocorre, levanta dois problemas. O primeiro é que, no espaço de poucos dias, caíram as duas cabeças que, no Vaticano, com ou sem razão, eram apontadas como vanguardas das reformas financeiras: o auditor Libero Milone, que renunciou com três anos de antecedência e com uma despedida que deixou em aberto muitas perguntas sobre as suas responsabilidades; e, nessa quarta-feira, 28, o seu protetor, Pell, prefeito da Secretaria para a Economia: um escritório criado ad hoc para ele em setembro de 2014 por Jorge Mario Bergoglio.

Embora formalmente o cardeal, na manhã dessa quinta-feira, 29, em uma coletiva de imprensa no Vaticano, definiu-se como “em licença” para voltar para a Austrália para se defender, de fato, ele é considerado em saída. Isso não significa que a Corte não possa, em alguns meses, decidir arquivar o seu caso, definido como fruto de uma “campanha de difamação” baseada em “acusações falsas”. Mas, certamente, antes do fim do ano, será levantado o problema de reorganizar o seu dicastério: especialmente se se entender que o processo contra ele será longo.

Paradoxalmente, no entanto, a sua provável saída de cena poderia fazer avançar, e não parar, as reformas. O modo como Pell as geriu foi considerado, ao mesmo tempo, custoso e ineficaz. A sua Secretaria se confrontou com grande parte dos outros “ministérios” vaticanos. E, nesse conflito, notou-se um preconceito cultural contra tudo o que era italiano.

Pell quis usar uma mão pesada para impor a superioridade do sistema jurídico anglo-saxão sobre um mundo que conhecia pouco e que logo o rejeitou. Não lhe bastou dizer que ele agia em nome de Francisco: até porque, pouco a pouco, o próprio pontífice percebeu que esses métodos não só não funcionavam, mas até freavam qualquer avanço.

A ideia de utilizar a língua inglesa nos documentos oficiais do seu escritório não tornou os procedimentos mais eficientes. E, quando ele disse que não queria mais casos “como o de Michele Sindona e de Roberto Calvi”, apontados como exemplos da criminalidade financeira associada ao vaticano italiano, na Secretaria de Estado alguns lembraram o arcebispo estadunidense Paul Marcinkus, “que não era de Viterbo”.

O outro problema que a acusação de Pell repropõe é o da pedofilia na Igreja Católica. Confirma-se a fraqueza dessa instituição diante de uma história de assédios enfrentada sempre com atraso e nunca com uma estratégia preventiva. O resultado é que a Igreja continua sendo forçada a se defender e a perseguir as acusações, sem nunca conseguir impor uma análise convincente do fenômeno, das suas responsabilidades e das eventuais instrumentalizações.

Desse ponto de vista, o caso Pell é o último fruto envenenado de uma “cultura do sigilo”, que torna esses escândalos sem fim. Mas deve ser registrada uma mudança dos tempos em relação àqueles em que, em Boston, estourou o caso do cardeal Bernard Law. Na época, Law foi à Itália e foi protegido pelo Vaticano, que o afastou da Justiça estadunidense. Agora, a Santa Sé defende Pell, mas pede que a Justiça siga o seu curso. E o cardeal volta à Austrália para se defender no tribunal.

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